VWCO começa a vender Delivery 6.160 no México

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus já vende o Delivery 6.160 no mercado mexicano. O modelo foi apresentado na Expo Logistic Summit, feira do setor de logística realizada na Cidade do México.

 

Segundo Miguel Vallejo, diretor comercial da divisão mexicana da VWCO, o modelo é feito para o trabalho pesado: “O novo Delivery 6.160 chega ao México para assumir o posto de favorito do setor logístico pelo design de sua cabine, potência, durabilidade e desempenho, além da segurança que oferece com o freio a disco e o ABS”.

GM confirma R$ 10 bilhões em fábricas paulistas

São Paulo – Em ato realizado no Palácio dos Bandeirantes na manhã da terça-feira, 19, a General Motors confirmou R$ 10 bilhões em investimentos até 2024 para o desenvolvimento de novos produtos, dotados de mais tecnologia embarcada, que serão montados nas fábricas de São Caetano do Sul e de São José dos Campos, SP.

 

O desfecho da negociação, que demorou quase três meses, acabou, de certa forma, deixando todos satisfeitos: a GM, que ganhou incentivos do Estado e conseguiu acordos com fornecedores e concessionários, os fornecedores, que conquistaram contratos de longo prazo, os concessionários, que têm a promessa de vender modelos mais caros, e os trabalhadores, com garantia de empregos.

 

Quem mais celebrou o fim positivo da negociação foi o governador João Doria, talvez o que melhor soube capitalizar o drama inicial. Seu discurso foi o de ser o responsável por transformar a iminente saída de uma companhia do Estado – fato não negado pelo presidente da GM Mercosul Carlos Zarlenga – em um investimento de R$ 10 bilhões. E por transformar o fechamento de 15 mil postos de trabalho diretos em quatrocentos novos empregos.

 

“Pensei que esse dia não fosse chegar. Mas chegou”, afirmou Zarlenga. “Com esses R$ 10 bilhões em investimento buscaremos manter a liderança de mercado, posto que ocupamos há três anos.”

 

O valor do aporte bate no teto do programa de incentivos divulgado pelo governo paulista no começo do mês, o IncentivAuto. Por meio deste programa as fabricantes de veículos que investirem mais de R$ 1 bilhão no Estado e gerarem quatrocentos novos postos de trabalho têm direito a desconto de 2,5% a 25% no ICMS dos veículos produzidos a partir do investimento – o valor será analisado caso a caso. Segundo o secretário da Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, o desconto será concedido durante toda a produção do modelo, sem prazo de encerramento.

 

Como a expectativa é a de que a GM renove toda a sua gama de produtos os modelos Chevrolet produzidos em fábricas paulistas a partir de 2021 ou 2022 deverão ganhar desconto de 25% no ICMS.

 

A Prefeitura de São Caetano do Sul também concedeu benefícios à companhia, única montadora instalada no município: por meio do ProAuto, programa criado pelo prefeito José Auricchio Júnior, a GM terá isenção de IPTU e descontos no ISSQN, nas contas de água e esgoto.

 

Créditos acumulados – Meirelles garantiu que o governo de São Paulo trabalha com agenda para repassar os créditos acumulados de ICMS a que as montadoras têm direito por causa de exportações – que são isentas de impostos. O secretário sinalizou que uma das formas seria via abatimento de ICMS a pagar, sem dar pormenores.

 

Há dois entraves porém: o primeiro é a disponibilidade orçamentária. Como os créditos são acumulados de anos atrás é preciso adequar os pagamentos ao orçamento do Estado, sendo impossível quitá-los todos de uma vez sem comprometer a responsabilidade fiscal. O outro, segundo o secretário, é a ausência de documentos das próprias montadoras para comprovar o direito de receber os créditos: “Algumas empresas estão tendo bastante trabalho para construir essa documentação”.

 

O governador garantiu que, de agora em diante, não haverá mais acúmulo de créditos gerados por exportações: “Minha orientação é a de não adotar mais essa prática de segurar o crédito”.

 

Foto: Divulgação.

Fras-le supera R$ 1 bilhão de receita líquida

Caxias do Sul – Controlada da Empresas Randon a Fras-le apurou, no ano passado, receita líquida de R$ 1 bilhão 141 milhões, incremento de 37% sobre 2017, que foi de R$ 832,8 milhões. O balanço financeiro foi divulgado na terça-feira, 19. Na avaliação do CEO Sérgio Carvalho “os dois últimos anos foram de crescimento acelerado, e este ritmo intenso de expansão resultou em ganhos de experiência e permitiu atingir público consumidor maior”.

 

A empresa encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 88,6 milhões, alta de 38%. A margem líquida ficou somente 0,1 ponto porcentual acima do consolidado em 2017, 7,8%. O ebitda avançou 72,8%, para R$ 183,9 milhões, com margem de 16,1%, crescimento de 3,3 pontos porcentuais.

 

Os investimentos somaram R$ 80,2 milhões, dos quais R$ 25,5 milhões utilizados na unidade em Caxias do Sul, RS, e R$ 54,7 milhões nas controladas. O ano passado marcou forte processo de aquisições: duas unidades na Argentina, uma no Uruguai, duas no Brasil e a constituição de uma sociedade, com controle de 51% da Fras-le, com a indiana ASK.

 

Internacionalizada, com várias aquisições feitas em 2017 e 2018, a companhia registrou receita líquida externa de R$ 592,6 milhões, incremento de 42%. As exportações a partir do Brasil alcançaram US$ 84,3 milhões, evolução de 13,5% sobre 2017. As vendas internas somaram R$ 548,6 milhões, alta de 31%.

 

O desempenho no mercado externo só não foi melhor em razão de problemas em alguns mercados, como a Argentina, onde a crise econômica se agravou e determinou forte redução da atividade econômica. As vendas para a América do Norte se mantiveram com excelente desempenho, superando inclusive a estimativa de vendas para a região. Tiveram impacto positivo as novas alianças comerciais nos Estados Unidos e a renovação do contrato de fornecimento com o principal cliente.

 

Além das receitas adicionais com as aquisições o melhor desempenho é, também, reflexo dos maiores volumes de vendas na maioria dos segmentos nos principais mercados de atuação. Na atual estrutura de produtos o portfólio está classificado em três grupos: materiais de fricção, produtos diversos e líquidos envasados.

 

Os materiais de fricção, que envolvem lonas de freios para veículos pesados, pastilhas de freio e outros itens, somaram 101,4 milhões de peças, incremento de 16,7%. Foram produzidas 56,2 milhões de lonas, alta de 11%. As pastilhas, com 32,2 milhões de unidades, tiveram crescimento de 34%. Esta elevação tem influência determinante das novas empresas adquiridas. Outros produtos somaram 12,9 milhões de peças, avanço de 3,6%.

 

A categoria de produtos diversos totalizou 20,8 milhões de peças, avanço de 3,3%. Aqui estão incluídos componentes para sistemas de freios, suspensões e motores. A maior representatividade, 50%, é de itens para motores, queda de 16%. O volume de líquidos envasados atingiu 1 milhão 750 mil litros, alta de 347%.

 

Na composição da receita líquida os materiais de fricção participaram com R$ 914 milhões, alta de 23,4%, os componentes diversos somaram R$ 207 milhões, incremento de 144%, e os líquidos envasados resultaram em R$ 16,2 milhões, elevação de 290,7%. Com o ingresso de novas empresas, fabricantes de produtos diferenciados, a categoria de materiais de fricção apresentou perda de 9 pontos na composição da receita, respondendo agora por 80%.

 

O principal mercado dos produtos Fras-le é a reposição, com 87,8% de participação e receita de R$ 1 bilhão, alta de 37,5%. Na receita do mercado interno a reposição tem 82% de representatividade, somando R$ 454 milhões, e crescimento de 27,7%. Mas foi o mercado de montadoras o que mais cresceu no ano passado, 51%, para R$ 94 milhões.

 

Projeção de alta de 23% para este ano – A diretoria da Fras-le tem projeção otimista para 2019. Trabalha com estimativa de receita bruta total de R$ 2 bilhões e líquida de R$ 1,4 bilhão, crescimento de 23%. As receitas do Exterior devem representar US$ 215 milhões. Os investimentos programados são de R$ 76 milhões e as importações devem somar US$ 16 milhões.

 

Foto: Jefferson Bernardes/Divulgação.

Brasil e México têm livre comércio de veículos

São Paulo – O intercâmbio comercial de automóveis, comerciais leves e autopeças do Brasil com o México fica isento de impostos de importação a partir da terça-feira, 19, quando entra em vigor o acordo de livre comércio automotivo nos dois países. Segundo uma fonte da indústria os dois governos resolveram manter os termos do acordo assinado em 2015 – e até o fechamento da reportagem o Ministério da Economia não havia divulgado os pormenores.

 

Houve uma mudança na regra de exigência de conteúdo local mínimo, que passou de 35% para 40%. Ou seja, para que um veículo cruze a fronteira sem incidência de imposto é preciso que pelo menos 40% dos seus componentes sejam produzidos no país de origem. Essa exigência, segundo fontes, pode frear um pouco a importação de veículos mexicanos, pois o país norte-americano possui uma indústria muito integrada com os Estados Unidos.

 

De toda forma a decisão contraria o desejo das montadoras instaladas no Brasil. O presidente da Anfavea, Antonio Megale, afirmou na segunda-feira, 11, que a indústria defendia a manutenção do sistema de cotas, em vigor desde 2012 a pedido do governo brasileiro que, à época, temia aumento das importações de modelos mexicanos.

 

Nos últimos doze meses a cota foi de US$ 1,7 bilhão, tanto para exportação como para importação, e o México foi superavitário. As montadoras mexicanas fornecem ao Brasil modelos de maior valor agregado, como o Chevrolet Tracker, Nissan Sentra e Volkswagen Jetta, ao passo que saem do Brasil para o México modelos de menor porte. O mercado mexicano também tem registrado baixos volumes, ao contrário do brasileiro que está em ascensão.

 

Megale sugeriu aproveitar esse ano de governo novo em ambos os países com nova cota, um pouco mais generosa, e discutir outros termos, como o conteúdo local, que deveria ter sido colocado à mesa no ano passado, e medidas para melhorar a competitividade das fábricas locais. Executivos do setor afirmam que um estudo encomendado pela Anfavea mostra que a indústria automotiva mexicana é cerca de 20% mais competitiva do que a brasileira.

 

O temor dos executivos é perder força para negociar novos investimentos. A possibilidade de importar modelos do México sem impostos, e sem limite, pode fazer com que as matrizes optem por colocar seu dinheiro no país da América do Norte.

 

Foto: Divulgação.

Scania investe US$ 35 milhões na Argentina

São Paulo – A Scania anunciou investimento de US$ 35 milhões na sua fábrica de Tucuman, Argentina, para melhora da eficiência dos processos de produção, renovação de máquinas, aumento de tecnologia e treinamento de equipe.

 

A unidade é especializada em processos de usinagem, produção de peças para caixas de câmbio, engrenagens e diferenciais, com onze linhas de produção e mais de quinhentos funcionários. O investimento foi anunciado na quarta-feira, 13, quando executivos da Scania Argentina receberam a visita do ministro da Produção e do Trabalho, Dante Sica, e do ministro dos Transportes, Guillermo Dietrich, durante a Expoagro.

Thierry Koskas assume vendas e marketing do Grupo PSA

São Paulo – O Grupo PSA indicou Thierry Koskas para a sua vice-presidência de vendas e marketing, reportando-se diretamente ao presidente Carlos Tavares. O executivo, que ocupava o mesmo cargo no Grupo Renault, sucede a Albéric Chopelin, que deixou a companhia.

 

A direção mundial de vendas e marketing tem como objetivo “reforçar a eficiência comercial do Grupo PSA, contribuir para o desenvolvimento das marcas e elevar as habilidades de vendas e marketing de todas as equipes” Foi criada em janeiro de 2015 para trabalhar com as marcas Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall e com a as áreas de peças e de serviços.

 

Foto: Divulgação.

Quinzena tem 84 mil emplacamentos

São Paulo – Até a sexta-feira, 15, o mercado brasileiro registrou 83 mil 930 emplacamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, segundo dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData. A explicação para o volume bem inferior à primeira quinzena de fevereiro, que teve 97,8 mil emplacamentos, está na quantidade de dias úteis: nove em março – ou oito e meio, se levarmos em consideração a quarta-feira de Cinzas – e onze em fevereiro.

 

Na média diária o desempenho da primeira quinzena de março superou o do mesmo período de fevereiro: foram 9,3 mil licenciamentos ante 8,9 mil.

 

Ainda assim a expectativa dos varejistas não é das mais otimistas. Segundo uma fonte ouvida pela reportagem projeta-se, no máximo, 190 mil licenciamentos para o mês – ou pouco mais de 10 mil unidades para cada um dos dez dias úteis que ainda restam para fechar março.

 

O volume ficaria pouco abaixo dos resultados de janeiro e fevereiro, que fecharam próximos das 200 mil unidades. O que daria, no saldo do trimestre, algo próximo a 600 mil unidades, em torno de 10% acima do resultado do primeiro trimestre do ano passado, quando foram vendidas 545 mil unidades.

 

O Chevrolet Onix segue na liderança do mercado, com 5,5 mil unidades comercializadas até a sexta-feira, 15, com o Hyundai HB20 na vice-liderança, 4,5 mil licenciamentos. O Ford Ka completa o pódio, com 3,5 mil modelos emplacados.

 

Foto: Manoella Melo/Detran/Divulgação.

MWM tem parceria com Staufen Táktica

São Paulo – A MWM formalizou parceria com a consultoria Staufen Táktica para realizar eventos conjuntos relacionados aos temas Lean e Indústria 4.0. A Staufen Táktica também utilizará espaço na fábrica da MWM de São Paulo para demonstrar conteúdos da indústria 4.0 e apresentar cases que já são usados pela indústria.

 

Em contrapartida a MWM terá acesso a materiais exclusivos sobre as novidades com relação à Indústria 4.0, treinamentos e consultorias. A MWM também participará de eventos relacionados ao assunto organizados pela Staufen Táktica.

Engie expande negócios no Brasil

São Paulo – A Engie lançou em 2017 um aplicativo que, à distância, detecta falhas em veículos e, agora, decidiu expandir seus negócios no País, disse André Segal, seu diretor de vendas e novos negócios: “Com a chegada do Engie Connect e do Engie Fleet temos duas novas áreas de negócios e o foco do nosso trabalho ao longo do ano será popularizar essas novidades no mercado, além da atenção a alguns contratos que fechamos com grandes empresas”.

 

O Engie Connect faz o monitoramento do veículo por meio de um dispositivo instalado na cabine e será oferecido para mecânicos, concessionárias, bancos e locadoras, para que o instalem no carro de seus clientes e os monitorem à distância, emitindo alerta quando detecta problema em algum componente, ou identifique que está na hora de trocar a bateria, por exemplo. “Com o monitoramento do mecânico ou da concessionária eles podem avisar o cliente da necessidade de realizar o serviço antes de o veículo quebrar.”

 

No caso das concessionárias Segal disse que é possível aumentar o número de clientes que retornam à loja depois de comprar o veículo, uma dificuldade enfrentada pelas revendas: “O concessionário pode avisar ao cliente da necessidade de fazer a revisão ou de trocar algum componente”.

 

Outra função oferecida pelo Engie Connect é que o mecânico ou o concessionário crie sua área dentro do aplicativo, como se fosse um sistema desenvolvido por ele, onde reúne todos os clientes que usam o dispositivo para, por ali, se comunicar e monitorar os veículos.  

 

Já o Engie Fleet tem a mesma funcionalidade do Connect, mas dedicado a frotistas. Ao instalar o dispositivo em seus carros o frotista dispõe de área individual, no aplicativo, onde podem monitorar todos os veículos e, ao ser informado de algum um possível problema, fazer a manutenção preventiva e evitar que o veículo fique parado: “Este sistema que alerta sobre manutenção já reduziu em 30% os gastos dos usuários com seus veículos e, no caso dos frotistas, essa economia pode ser ainda maior”.

 

Essas duas novas áreas de negócios se juntam ao EngieApp, que permite que o usuário tenha acesso a uma rede de mecânicos que fornece diversos orçamentos online, para, com eles na mão, o cliente decidir onde levará seu carro. Caso instale o dispositivo de monitoramento é informado pelo aplicativo sobre falhas que podem aparecer e fazer a manutenção.

 

Segundo Segal 55 mil pessoas já instalaram o dispositivo no Brasil, que custa R$ 99 para quem tem smartphone Android e R$ 135 para quem tem Iphone — ambos vendidos apenas pelo site da empresa.

 

Foto: Divulgação.

Os esforços da GM para garantir mais investimentos

São Paulo – Na manhã da terça-feira, 19, a diretoria da General Motors deverá anunciar seu novo ciclo de investimento para o País no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo – o governador do Estado, João Dória, estará presente na ocasião, assim como Barry Engle, vice-presidente executivo e presidente da GM Americas e Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul.

 

Personalidade do Ano no Prêmio AutoData 2018 Zarlenga contou em entrevista exclusiva à AutoData – primeira publicação especializada do setor automotivo a conversar com o executivo em 2019 – como foi a negociação com todas as partes envolvidas para tirar o investimento do papel.

 

O presidente da GM chocou a comunidade automotiva ao expor as dificuldades da operação da GM no País. Em comunicado ele convocou funcionários, fornecedores, concessionários e até o governo a darem contribuição para tornar viável um novo ciclo de investimentos e o futuro da companhia por aqui.

 

“Depois do aumento de vendas os resultados financeiros não estavam voltando por várias razões. E quando você tem períodos tão longos de prejuízos a pergunta que surge é: por que vamos continuar a investir?”

 

Confira os principais trechos dessa conversa, realizada antes de bater o martelo com a matriz pelos novos investimentos, com o publisher Márcio Stéfani e o diretor de redação Leandro Alves que está na edição 353 da revista AutoData. A edição digital de março já está na integra e pode ser lida gratuitamente aqui.

 

O diagnóstico partiu da matriz, que deu como missão resolver os problemas, ou o senhor apresentou para seus chefes um plano para reverter essa situação?

A GM é muito disciplinada na forma como decide investimentos em todo o mundo. Para a liderança no Mercosul estava evidente que se não tivéssemos boas razões para continuar investindo aqui seria difícil obter o aval da matriz. Assim tivemos que encarar os desafios para tornar viável um novo ciclo no País e dessa vez decidimos expor todos os problemas aos nossos parceiros para que fizéssemos isso juntos. O objetivo foi encontrar uma equação para que, no fim das contas, o investimento remunerasse o capital.

 

O resultado das conversas foi positivo?

Muito. Tivemos grandes progressos. E aí gostaria de destacar alguns pontos. Sempre soube que os concessionários estariam com a gente. E foi o que aconteceu: eles compreenderam a situação e nos apoiaram. Com os sindicatos o que eu vi durante as conversas foi um amadurecimento muito grande. Foi uma relação transparente e honesta. Compartilhamos nossos pontos, eles também colocaram as questões deles e rapidamente chegamos a um entendimento. Fiquei surpreso com a resposta dos fornecedores.

Tivemos uma reunião com CEOs de 67 fornecedores. E percebemos que todos nós temos problemas muito similares. Aliás, muitos saíram daqui pensando em fazer o mesmo nas suas empresas.

 

Essas negociações serão suficientes para garantir os investimentos no Brasil?

Vejo progresso em todas as áreas e estou confiante. Este é o plano. Em sendo bem- sucedidas as negociações a GM fará o investimento, R$ 10 bilhões até 2024.

 

Inclusive as conversas com o governo do Estado de São Paulo foram produtivas?

Também estamos avançando e estou confiante em que tenhamos um desfecho positivo. Dentre todas as negociações a mais difícil é com os fornecedores, pois estamos falando com muitas empresas ao mesmo tempo.

 

Há alguma possibilidade de retrocesso ?

Acredito que não. Todos entenderam uma coisa muito importante. Entrando num acordo você realmente converte uma relação que é boa em uma parceria de longo prazo. Nesse acordo sobre o qual estamos trabalhando falamos em manter o preço fixo por um longo tempo e vamos trabalhar forte para gerar eficiência em conjunto. Imagine, então, o relacionamento com a gente. É sensacional. Acabou a fricção nas negociações. E ele [fornecedor] acabou adquirindo um tíquete para propor mudanças como substituição de peças, troca de materiais ou qualquer outro exemplo que gere eficiência.

 

Com relação às ineficiências do País: o que o senhor vem dizendo não é nenhuma novidade.

Um grande problema da lucratividade da indústria tem a ver com a exposição cambial do País. Para diminuir este risco, que é a mesma coisa que dizer que meus investimentos terão um retorno muito mais previsível e estável, eu preciso exportar. Exportar volumes relevantes. E aí haverá competição com outras fábricas no mundo. No cenário atual perdemos para todos. Para México, Coréia, Japão. Perdemos até para a Europa.

 

Mas não é o único entrave.

Outro grande problema é a pressão tributária, dentre outras ineficiências. Há, também, empresas abusando dos benefícios e que geram um custo enorme para a indústria. Isso não é novidade. Acreditamos que este momento é a melhor oportunidade que temos para discutir. O novo governo deseja uma abertura do mercado. Não só da indústria automotiva.

 

Um exemplo de abertura é o livre comércio com o México.

Esse é um caso que expõe as nossas ineficiências. Fabricar aqui ou lá e vender aqui tanto faz do ponto de vista do câmbio. Posso fazer um investimento só e exportar para o Brasil além de outros mercados, já que os custos no México são mais competitivos de 20% a 25%. Sem contar a questão tributária. Os produtos são os mesmos, a empresa é a mesma. Por que eu investiria no Brasil?

 

Mas parece ser inevitável uma política de abertura do País no curto prazo.

Se realmente é esse o projeto de País você precisa trabalhar a enorme ineficiência fiscal. Tem que começar por aí. E depois seguir ajustando a falta de competitividade. Porque do jeito que está não dá nem para abrir o mercado com o México.

 

E como fazer tudo isso?

Poderíamos iniciar com um programa exclusivo para exportadores. Criar condições para aqueles que exportam mais de 50% do volume ou do valor com arrecadação diferenciada. O que não pode é exportar carga tributária.

 

O senhor acredita que haveria oportunidade para empresas com esse perfil?

O custo da porta da fábrica para dentro não é muito diferente no Brasil diante do resto do mundo. Com um programa competitivo para exportadores isolaríamos o câmbio e teríamos uma indústria com escala e lucratividade sustentável. E estou me referindo a níveis globais de lucratividade.

 

Mesmo assim os problemas estruturais permaneceriam.

Entendemos que uma discussão ampla sobre todos os pontos que geram ineficiência na indústria é algo que não será colocada na pauta de uma hora para outra. Temos vários problemas domésticos e a carga tributária é um deles. Estamos dizendo que há uma oportunidade para atacarmos esses problemas e, se olharmos com o objetivo de incrementar a vocação exportadora, poderemos gerar muitos investimentos.

 

Qual seria o impacto de uma medida como essa?

Se temos 60%, 65% de custos em reais e o resto em dólar precisamos exportar esses 40% em valor para nos protegermos dos impactos do câmbio.

E tem que ser exportação extra-Mercosul, pois na região estamos trocando moeda que não alivia a pressão do câmbio. Quero reforçar que não estou vendo tudo isso como uma oportunidade para crescer. Estou encarando isso como uma oportunidade para definirmos a vocação da indústria brasileira.

 

Foto: Christian Castanho.