Brasil cobra R$ 21 milhões do governo argentino

O Brasil, representado pela AGU, Advocacia-geral da União, entrou com cinco ações na Justiça da Argentina cobrando R$ 21 milhões pagos pelo País a empresas exportadoras nacionais a título de SCE, Seguro de Crédito à Exportação. Em cada uma das ações, as empresas compradoras na Argentina não pagaram pelos produtos recebidos, de acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, que também afirma que novas ações poderão ser movidas em breve.

 

Algumas empresas do setor automotivo, como Marcopolo, Scania e Volvo, estão envolvidas no caso: as três contrataram o SCE para ter garantido o pagamento em caso de calote do comprador — o que aconteceu. As exportações dessas companhias envolvem ônibus e peças de veículos.

 

De acordo com a Marcopolo empresa argentina, compradora, não realizou o pagamento e recebeu do governo brasileiro. Agora o governo brasileiro está cobrando o governo argentino pelo negócio não honrado.

 

A Scania afirmou que ação é de responsabilidade da AGU e a empresa não faz parte do processo. Mas diz que, como parte de suas atividades regulares, faz a contratação de vários tipos de seguros, como o SCE, com a finalidade de diminuir riscos de crédito.

 

E a Volvo informou que nos últimos anos não fez nenhuma exportação assegurada pelo SCE e que não foi notificada sobre o processo que está em andamento. E disse, também, ignorar o valor que o governo brasileiro está cobrando na Justiça.

 

SCE – O programa SCE é gerenciado pela Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, para “apoiar e encorajar as exportações nacionais”.

 

O programa prevê a possibilidade de o Brasil cobrar os créditos de empresas estrangeiras inadimplentes.

 

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Governo coreano quer garantias para ajudar GM

O governo da Coréia do Sul estuda ajudar a General Motors para que não encerre as operações de uma de suas unidades no país, e seu plano é utilizar fundos públicos como apoio — mas somente tomará esta decisão se a empresa deixar claro que conseguirá sobreviver por conta própria a longo prazo, de acordo com informações divulgadas na segunda-feira, 16, pelo site AutoNews.

 

Quem revelou o plano foi o ministro de Finanças, Kim Dong-yeon, durante entrevista para a imprensa local: “Os principais acionistas da General Motors e outras partes envolvidas precisam a chegar a um acordo para melhorar a operação deficitária”.

 

A General Motors busca financiamento e incentivos governamentais para manter ativa a unidade depois de registrar prejuízo líquido de US$ 1,1 bilhão no ano passado, o quarto consecutivo no vermelho. A companhia revelou, em fevereiro, que tinha planos para fechar uma de suas quatro fábricas na região e não deixou claro qual seria o destino das outras três.

 

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Reposição já tem bateria Heliar para start-stop

A Heliar lançou sua bateria EFB para o mercado de reposição, para uso em veículos dotados do sistema start-stop, de acordo com comunicado distribuído na segunda-feira, 16. 

 

A empresa destaca que essa bateria é fornecida para montadoras desde 2014, sendo usada para equipar os modelos com start-stop, pois a Heliar “é fornecedora oficial”. Um dos diferenciais dessa bateria é a durabilidade, “até duas vezes maior do que a das convencionai”.

 

Carlos Banzato, diretor de marketing da Johson Controls, que detém a marca Heliar, disse que este “é o momento ideal para expandir esse produto para o mercado de reposição, quatro anos após o seu lançamento”.

Volkswagen avalia compra da Navistar

A Volkswagen considera deter integralmente o controle da fabricante de caminhões estadunidense Navistar, avaliado em US$ 3,6 bilhões, de acordo com informações reveladas durante entrevista realizada nos Estados Unidos. A Volkswagen Truck & Bus, divisão de caminhões do Grupo Volkswagen, é dona de 16,9% da Navistar e, segundo seus executivos, essa participação deve aumentar ou o grupo pode integralizar a compra.

 

Matthias Gruendler, chefe de finanças da Volkswagen, disse que faria sentido assumir a Navistar em algum momento.

 

Segundo a legislação dos Estados Unidos caso a Volkswagen detenha participação acima de 17% na Navistar será obrigada a fazer uma proposta pelo resto da empresa.

 

O interesse em aumentar a participação do grupo na Navistar surgiu logo após a empresa divulgar seu novo presidente mundial, Herbert Diess, e diversas mudanças em sua estrutura interna, na sexta-feira, 13.

 

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Venda da Takata é concluída por R$ 5,45 bilhões

A Takata, fabricante de airbags envolvida no escândalo das milhões de unidades fabricadas e comercializadas com defeito, teve sua venda concluída para a Key Safety Systems, empresa que faz parte do grupo chinês Ningbo Joyson Eletronic Corporation. A empresa chinesa pagou R$ 5 bilhões 450 milhões pelos ativos da Takata.

 

A venda já tinha sido anunciada em junho do ano passado, mas só foi concluída em abril e a nova empresa se chamará Joyson Safety Systems, de acordo com as informações publicadas pela nova companhia.

 

O escândalo dos airbags com defeito foi revelado cinco anos atrás e já levou mais de 30 milhões de veículos para recalls, incluindo milhares de unidades vendidos no Brasil.

 

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Linha Master ganha plano de manutenção

A Renault anunciou na sexta-feira, 13, plano de manutenção para a linha Master, principal veículo da sua gama de comerciais leves, e que é produzido em São José dos Pinhais, PR. O plano Manutenção + Fácil Pro inclui revisões e reposição de componentes, com mão de obra inclusa e baseia-se na cobrança por quilômetro rodado com cinco opções compreendidas dos 40 mil aos 100 mil quilômetros.

 

Os preços variam de R$ 6 mil a R$ 17 mil e, novidade, podem ser incluídos no valor total do financiamento. O modelo de negócio já é praticado pela Renault na Europa.

 

Para a empresa é uma forma de aproximar o principal consumidor da linha Master, os pequenos e médios empresários, de sua rede autorizada e incrementar suas receitas com a venda do serviço. Hoje a empresa tem rede de trezentas concessionárias no País.

 

O modelo de cobrança por quilômetro vem ganhando corpo no segmento de caminhões pesados. A Scania, por exemplo, lançou recentemente plano de manutenção flexível que tem o mesmo perfil de cobrança.

 

Alexandre de Oliveira, diretor de vendas da Renault, disse que 60% dos compradores do modelo Master contratam o plano de revisão tradicional, que inclui óleo, filtro, correias, fluidos e verificação de alguns componentes.

 

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Renault aposta em furgão Master para manter liderança

A Renault, com o Master, se prepara para manter a liderança no segmento de veículos comerciais, no qual detém 53% de market share, e o seu planejamento indica imprimir ritmo de vendas aos pequenos e médios empresários, seu principal cliente. Para conseguir isso a Renault criou pacote de manutenção para o pós-venda que oferece pagamento baseado nos quilômetros percorridos. Mas há uma série de desafios no ano: o primeiro, segundo o diretor de vendas Alexandre de Oliveira é a entrada de novos players no mercado:

 

“Este ano marca a chegada de outros concorrentes com novos produtos, o que deverá alterar a configuração do market share no segmento de furgões grandes, por exemplo”.

 

Os entrantes, no caso, são a Mercedes-Benz com o modelo Vito e a Citroën com o Jumpy, concorrentes diretos do Renault Master, o principal veículo da Renault nos comerciais leves em termos de vendas e, quem sabe, o mais importante.

 

“Para manter nossa fatia como queremos temos de avançar para tirar espaço dos demais. Mas aumentar o volume de vendas este ano será desafiador para todos os fabricantes.”

 

O segundo desafio é a evolução do próprio mercado de furgões no País, cujo ritmo de crescimento segue aquém do esperado pela empresa. Oliveira lembrou que as tomadas de decisões de compras no segmento de comerciais leves, no trimestre, foram mais lentas do que o esperado pela empresa, que esperava por crescimento de vendas acima do registrado: “A expectativa é de alta de 15% este ano no comparativo com 2017, e o clima está melhor”.

 

O modelo Master é líder de vendas há quatro anos e deteve, no ano passado, 33,2% de participação no mercado de furgões grandes, de acordo com dados da Fenabrave, ou 6 mil 171 unidades, volume próximo do que foi registrado em 2016, 6 mil 383 unidades.

 

No primeiro trimestre houve leve alta frente ao mesmo período do ano passado: 1 mil 569 unidades contra 1 mil 448 unidades.

 

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Grupo VW tem novo presidente e prepara reestruturação

O Grupo Volkswagen anunciou na quinta-feira, 12, por comunicado, e no dia seguinte, durante conferência com a imprensa, em Wolfsburg, Alemanha, que seu novo presidente é Herbert Diess, que sucederá Matthias Muller. A mudança foi apenas uma das várias que o grupo pretende exercer nos próximos anos, como a destinação de suas marcas de carros a três divisões  e a transformação, em sociedade anônima, de sua divisão de caminhões e ônibus.

 

Essas transformações que o grupo prepara para sua estrutura fazem parte do plano Juntos Estratégia 2025, que visa a apoiá-lo para torná-lo o maior do setor automotivo, “com a liderança nas vendas de carros elétricos e híbridos”. A reformulação é considerada a maior da história e dotará o grupo de seis novas áreas de negócios, com portfólio exclusivo para a China — para ajudar a descentralizar a responsabilidade diante dos resultados — e melhorar sua eficiência.

 

O novo presidente disse que a China tem grande importância para o grupo, tanto em receita quanto em lucro, e para organização interna da empresa: “A China está liderando o mercado de elétricos e as tecnologias de conectividade dos veículos, e esse mercado é muito importante para nós. Hoje temos 13% de market share na região e queremos ser líder do mercado de elétricos”.

 

Mudanças também estão sendo exercidas no quadro de executivos do grupo, como a saída do todo-poderoso chefe de compras, Francisco Javier Garcia Sanz, que é sucedido por Rupert Stadler, que era o CEO da Audi. As presenças de Diess e de Stadler devem reforçar as funções de liderança dentro do grupo e capacitar as chefias das três categorias de veículos para assumir qualquer tipo de responsabilidade.

 

A marca principal do grupo, a Volkswagen, assumirá a maior parte dos gastos com desenvolvimento, o que não acontece atualmente, e o novo presidente será o responsável por todas as atividades de P&D, “e a fabricação de componentes será alocada para compras porque acreditamos que a nossa própria produção pode ser avaliada em conjunto com o desempenho de nossos fornecedores”.

 

Volkswagen Truck & Bus

 

As marcas MAN, Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus e RIO foram reunidas sob guarda-chuva comum, uma divisão de veículos comerciais que acredita que “melhorará sua eficiência e capacidade de inovação com a capitalização da empresa”, sendo um grande marco no âmbito do plano Estratégia 2025. 

 

No ano passado a Volkswagen Truck & Bus vendeu 205 mil unidades, crescimento de 11,6% na comparação com 2016. No mesmo período houve aumento de 12,1% no faturamento, chegando a 23,9 bilhões de euro, e o resultado operacional antes dos impostos registrou alta de 26,8%, atingindo 1,7 bilhão de euro.

 

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Opinião: situação atual e perspectivas.

Após atravessar a maior crise já vivenciada no Brasil, já se fazem sentir para o setor automotivo os primeiros sinais de recuperação, apesar de lenta e gradual quando comparada ao ritmo que o setor se encontrava até 2014.

 

Deve-se destacar que, diferentemente de muitos países que apresentam uma queda acentuada em seus mercados em função da dificuldade ou mesmo impossibilidade do surgimento de novos clientes, a crise brasileira decorreu das incertezas de sua  economia nos últimos anos, ocasionando uma redução brutal de investimentos pelo setor privado, bem como pela diminuição do poder de consumo da sociedade brasileira, seja pela queda do PIB, seja pelo maior nível de endividamento das famílias.

 

O impacto ocasionado pelo menor volume de investimentos das empresas gerou um nível de ociosidade nas fábricas de caminhões da ordem de 80%, enquanto que o segmento de veículos foi surpreendido com um nível de ocupação industrial reduzido para cerca de 60%. Cumpre ressaltar que mesmo com baixo nível de utilização fabril, nenhuma indústria deste setor encerrou as atividades no País, sendo que algumas, inclusive, reforçaram sua presença neste mercado. Pode-se sinalizar que os problemas levantados acarretaram uma demanda reprimida do setor que tende a se desfazer nos anos seguintes, uma vez que os investimentos e o poder de consumo serão retomados no futuro.

 

As dificuldades do segmento de caminhões e veículos em nosso País provocaram uma retomada das exportações do setor automotivo, estratégia esta usualmente utilizada pelas empresas para minimizar os efeitos decorrentes dos altos e baixos de uma economia em desenvolvimento como a do Brasil. Deve-se salientar que no passado, as exportações foram abandonadas pelas empresas aqui instaladas com o objetivo de focar o atendimento no mercado brasileiro.  

 

O rápido retorno às exportações das indústrias brasileiras se deveu a capacidade ociosa das nossas fábricas, cujas concepções originais obedeceram a um formato de utilização como plataformas de produção global de veículos e caminhões e não apenas para uso local. Estudos internacionais comprovam que o Brasil se situa como o principal País para servir de base fabril para toda a América Latina, ao se considerar seu mercado extremamente promissor, atestado pelo indicador de 4,7 habitantes por veículo no Brasil, contra 3,2 na Argentina, 1,7 na Alemanha e 1,2 nos Estados Unidos.

 

A presença de 24 OEM’s em nosso País respalda-se também pelo fato de termos absorvido conhecimento e capacidade de desenvolver produtos globais com a experiência acumulada de mais de 60 anos do setor automobilístico no Brasil. 

 

Todos os fatores acima levantados justificam a iminente posição do Governo Brasileiro em restringir a concessão de incentivos fiscais ao setor automobilístico brasileiro através de Programas que sucedam ao Inovar-Auto, tendo em vista a grave situação fiscal existente em nosso País, que tende a se estender ao longo dos próximos exercícios.

 

Não se pode negar que a potencialidade do mercado brasileiro já representa o principal incentivo para as empresas aqui instaladas, que para fazerem frente a elevada competitividade existente, terão necessariamente que realizar investimentos para se manterem neste poderoso mercado. Algumas consultorias internacionais projetam uma futura redução no número de empresas mundiais atuantes neste setor.

 

A crise fiscal reinante exige prioridades do nosso Governo sobre aquilo que é ou não indispensável como merecedor de incentivos, cabendo ressaltar que o setor automobilístico pode ser considerado como um dos maiores beneficiários fiscais ao longo de toda a sua existência no País.

 

Torna-se premente a realização no Brasil de elevados investimentos em infraestrutura, cujo sucesso depende de sobremaneira de recursos financeiros a serem aplicados por Fundos e Fundações internacionais, que somente atuam em Países que possuem “Investment Grade” concedido por duas Agências Internacionais de Classificação de Risco.  

 

Esses investimentos se revestem de uma importância muito grande de tal forma a se reduzir o custo Brasil, bem como para permitir que a sociedade brasileira possa usufruir com maior rapidez dos benefícios a serem gerados pela breve evolução tecnológica para veículos autônomos, que requerem uma infraestrutura bem diferente daquela existente no estágio atual do Brasil.

 

Aliás, o foco tecnológico requerido pelo setor automotivo decorre da conectividade cada dia mais presente em nossas vidas e, em particular, nos novos veículos que caminham para se tornar um celular sobre rodas, exigindo uma nova cultura das indústrias automobilísticas brasileiras e mundiais, em função da prestação de serviços que deverá reinar no complexo automotivo, em detrimento da receita somente proveniente de produtos.   

 

Antônio Jorge MartinsMestre em Sistemas de Gestão voltados para Sustentabilidade Empresarial, com especialização em Engenharia Econômica, Finanças, Administração Financeira e Política/Estratégia. Possui graduação em Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações. Atua como Coordenador do MBA em Gestão Estratégica de Empresas da Cadeia Automotiva, como Professor dos cursos de POST MBA, bem como em treinamentos e consultoria empresarial. Possui experiência como Diretor Administrativo-Financeiro de Empresas de capital aberto e em Conselhos de Administração. Atuou como Representante do Brasil no Intercâmbio Brasil – França para Cooperação Técnica e Industrial, bem como mediador e palestrante no Congresso Brasileiro de Economia (2015), Amcham SP e no SAE (2016), bem como na FGV e conveniadas, além de inúmeros Seminários vinculados ao setor automobilístico.

Brasil foi o sexto país que mais aumentou suas exportações em 2017

O Brasil obteve, em 2017, o sexto maior crescimento de vendas externas no rol dos trinta principais exportadores mundiais, de acordo com relatório Trade & Statistics Outlook divulgado na quinta-feira, 12, pela OMC, Organização Mundial do Comércio, e pelo MDIC. Em valor as exportações brasileiras cresceram 17,5% na comparação com o resultado de 2016, e a expansão fez com que a participação global das exportações brasileiras chegasse a 1,23%, contra 1,16% na mesma base de comparação.

 

Para o secretário de Comércio Exterior do Ministério, Abrão Neto, o bom resultado do Brasil reflete “o crescimento da demanda mundial, que aqueceu o apetite por produtos nos quais o Brasil é competitivo”.

 

Ele também atribuiu o resultado a outros fatores como a safra agrícola recorde, o crescimento da produção de petróleo e o desempenho favorável das exportações de bens manufaturados, como do setor automotivo — que bateu recorde ao exportar 791 mil automóveis e veículos de carga para 83 países.

 

O relatório afirmou que o comércio mundial apresentou o maior crescimento em volume nos últimos seis anos, com expansão de 4,7% no volume do ano passado contra o ano anterior. Em valor houve crescimento de 10,6% na mesma base de comparação.

 

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