Márcio Alfonso, ex-Ford, é o primeiro CEO da Caoa Chery

O primeiro CEO da Caoa Chery, empresa que começou suas atividades no País em janeiro, é Márcio Alfonso, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Projeto Amazon da Ford, que resultou na instalação de fábrica em Camaçari, BA, e no lançamento do projeto global do Ford Ecosport. Antes ele era o diretor de engenharia na Caoa Montadora.

 

No cargo desde janeiro, com duração estipulada para quatro anos, Alfonso contou que sua missão à frente da nova companhia é principalmente conduzir a estrutura produtiva, área da qual é especialista. Engenheiro de formação, trabalhou durante 37 anos na Ford e dirigiu o desenvolvimento de novos modelos e mercados, situação com a qual se depara ao assumir a cadeira mais alta da montadora que pretende ser a primeira brasileira:

 

“Meu foco está na produção, na qual a Chery é quem conduz a gestão dos processos. Devemos ampliar a quantidade fornecedores nacionais, e existe uma demanda por estabelecer conexão com a equipe de engenheiros da China no que diz respeito aos lançamentos feitos aqui. Os veículos precisam ser calibrados de acordo com as características do Brasil, e tenho experiência neste campo”.

 

A estrutura organizacional da nova empresa permite a Alfonso uma concentração maior na área de produção, um perfil não tão convencional aos CEOs, geralmente mais focados em marketing e vendas. Abaixo dele foi estabelecida uma camada de gestores divididas em pares para cada função. Na área de vendas, um executivo brasileiro e outro chinês são co-gestores, e assim sucessivamente nos demais departamentos: “Vendas é com o time que veio da Caoa. Produção fica nas mãos dos funcionários que vieram da matriz”.

 

Sobre as principais diferenças do início do Projeto Amazon, na Bahia, e agora, como CEO da Chery Caoa, ele disse que o empreendimento atual não começa do zero: “Na Ford tivemos de desenvolver tudo. Agora há uma série de empresas parceiras que nos auxiliam no desenvolvimento e na concepção dos veículos. Há uma equipe de engenharia forte na China, um estúdio de design na Itália, ou seja, é uma outra situação”.

 

Apesar das diferenças existe uma similaridade: “Um cenário parecido é a necessidade de se criar um produto global que esteja alinhado com novos mercados e também o desenvolvimento de novos fornecedores. Nossos carros serão mais brasileiros com o tempo”.

 

Alfonso recordou que está em curso processo de aceleração da nacionalização dos componentes do Tiggo 2, que até dezembro terá 20% de conteúdo produzido aqui: “Estamos negociando os contratos globais que temos assinados para inserir a produção brasileira. Uma série de fornecedores internacionais da Chery mantém fábrica aqui”.

 

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SUV Tiggo 2 chega de olho em Ecosport e Duster

O Tiggo 2, lançado pela Caoa Chery na quarta-feira, 28, chega ao mercado brasileiro em duas versões: a de entrada, chamada Look, e a versão completa, batizada de ACT, com preços estipulados em R$ 59 mil 990 e R$ 66 mil 490, preços menores do que o de modelos concorrentes. A oferta de mais funcionalidades formam a base do plano comercial da empresa.

 

Uma comparação de valores feita pela empresa, citando os modelos Ford Ecosport e Renault Duster, mostrou que os valores que propõe são menores: R$ 10 mil menos no caso do Look, e R$ 16 mil menos na versão ACT. Para chegar a essa diferença Márcio Alfonso, CEO da companhia, disse que foi preciso diminuir as margens:

 

“Não só as nossas, mas também as dos concessionários. No começo da operação precisamos ser mais agressivos para conquistar mercado”.

 

O conteúdo de peças fabricadas na China também é apontado como um fator que permitiu a redução do valor final dos modelos lançados. O Tiggo 2 terá até dezembro 20% de conteúdo nacional e pode chegar a ter mais quando a empresa contar com fornecimento local de parceiros que são globais.

 

Vidros e materiais de acabemento são exemplos de componentes nacionais presentes no veículo. Motor e transmissão são montados em Jacareí, SP, após os componentes chegarem da China. O sistemas eletrônicos e a tela de LCD da versão ACT também são importados.

 

As duas versões são equipadas com motor Chery 1.5, com com quatro válvulas por cilindro e comando de válvulas variável, o VVT. A alimentação é bicombustível e possui sistema de partida a frio elétrico. A potência é de 115 CV, com etanol, e de 110 CV com com gasolina — inferior à dos concorrentes da Ford e da Renault.

 

A transmissão das duas versões é manual de cinco velocidades, e até junho chega a versão automática. As cores dispõem de cinco opções: duas sólidas, branco e preta,  e três metálicas, prata, azul e marrom. No caso da versão ACT existe a possibilidade de teto pintado em preto para prata, branco e azul ao custo de R$ 1,5 mil adicionais.

 

Ambas as versões compartilham itens de série, como freio ABS, airbag duplo frontal e direção hidráulica, por exemplo. A versão mais completa tem como diferencial da de entrada controle de estabilidade, piloto automático e câmera de ré.

 

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CNH Industrial confia no Brasil e na região

Os últimos anos foram de desafio para empresas que operam no Brasil. Com cenário político controverso investidores e consumidores perderam a confiança no País e a consequência foi queda nas vendas e na produção nacionais, que levaram ao desemprego — isso sem falar em inflação e juros em alta. Mas, mesmo com todo o cenário adverso desses últimos anos, o presidente da CNH Industrial para a América Latina, Vilmar Fistarol, garante que a empresa não deixou de investir no País:

 

“A matriz sempre acreditou no Brasil e na região e manteve investimentos. Agora temos um conjunto de elementos que nos fazem crer que teremos momentos positivos adiante. O câmbio tem menos volatilidade do que antes, a macroeconomia está fazendo o seu papel, a credibilidade está voltando. É um processo lento, mas estamos vendo sinais de recuperação. Acreditamos no desenvolvimento do País e da região”. 

 

Aos poucos a economia brasileira começa a dar sinais de recuperação mas algumas questões ainda precisam ser resolvidas para que os negócios deslanchem. Carro-chefe da economia brasileira o agronegócio não tem tido o mesmo desempenho quando o assunto é compra de máquinas e equipamentos: “O negócio agricultura vai bem. A safra vai bem e os preços também estão bons. Isso deveria ser bom para investir em equipamentos modernos, mas ainda não é o que está acontecendo”.  

 

De acordo com Fistarol boa parte dos produtores brasileiros está esperando definições sobre taxa de juros do próximo plano safra. A reivindicação – e expectativa – do setor agrícola é a de que haja queda nas taxas, especialmente porque a Selic está no seu menor patamar histórico. Enquanto não há definição dos juros produtores preferem não investir em novos equipamentos: “Estamos há um mês da Agrishow e as vendas estão muito ruins”.

 

As empresas do Grupo Case e New Holland, que operam também na área agrícola, optaram por segurar a produção acreditando na retomada do mercado, “mas se logo não houver sinais de retomada fica difícil. O limite é a Agrishow para resolver essa situação”. 

 

Um outro agravante é a expectativa de quebra de safra na Argentina, o que deve reduzir as vendas para lã: “Produtores argentinos estão segurando as compras devido à quebra de safra. Aqui estão segurando por causa do plano safra”.

 

Construção – Com a paralisação das obras de infraestrutura o setor viu as vendas de máquinas para construção despencarem nos últimos três anos. De acordo com dados da AEM, Association of Equipment Manufacturers, em 2011 foram comercializadas 29 mil 330 unidades e, no ano passado, 7,6 mil unidades, queda de 75%.

 

“O mesmo plano de investimentos em infraestrutura já foi anunciado três vezes, mas nada está acontecendo. Tudo que se tem são coisas pequenas e que representam pouco para a indústria. É necessário retomar as obras para que o setor volte a crescer.”

 

Segundo Fistarol há um potencial imenso para esse setor no Brasil, considerando que o País tem grandes necessidades de obras de infraestrutura, mas devido à falta de investimentos está parado: “Temos esperança porque o potencial é imenso, mas está tudo adormecido porque não existem recursos para isso”.

 

Ônibus – Mas o setor de ônibus dá sinais de recuperação: “O setor de ônibus está impulsionado pelos governos e isso pode refletir em um ano bastante positivo. Mas se haverá investimento, de fato, ainda é uma dúvida”.

 

Ele contou que a Iveco, braço de ônibus, caminhões e veículos de defesa do grupo, venceu recentemente licitação do governo de Minas Gerais para fornecer 1,8 mil unidades, sendo que novecentos ônibus serão entregues já no fim de maio.

 

Um dos pontos positivos para o bom desempenho do setor é o Refrota, programa de renovação de rota do transporte público coletivo urbano, que prevê a liberação R$ 3 bilhões pelo governo federal para financiar a montagem de cerca de 10 mil novos ônibus para renovar a frota do País — o que significa dizer que 10% da frota de ônibus urbanos e metropolitanos seriam renovados, considerando que, hoje, a frota em operação é de 107 mil veículos.

 

Caminhões –  O setor de caminhões, que começou a dar sinais de recuperação no ano, deve seguir em alta, opinou Fistarol: “A demanda por caminhões deve crescer, algo como 30% a mais do que no ano passado, mas estamos falando ainda de uma base muito baixa”.

 

No ano passadoo setor fechou com produção de 83 mil 44 unidades, contra 60 mil 482 em 2016. Nos dois primeiros meses deste ano contabilizou-se a fabricação de 14 mil 475 unidades.

 

O ideal, na avalição do presidente da CNH, é que o mercado brasileiro chegue a algo como 100 mil unidades por ano, o que será possível em 2019-2020 nas suas projeções: “Mesmo assim representará o uso de só 25% da capacidade instalada no País, cujo total é 400 mil unidades por ano”.

 

No segundo semestre do ano passado a Iveco divulgou resultados obtidos nas exportações: nos últimos três anos cresceram 236%. Somente no primeiro semestre de 2017 mais de 1,7 mil veículos de carga e de passageiros Iveco foram exportados, o que representou alta de 144% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

Investimento – No ano passado, durante a Fenatran, a companhia apresentou suas novas opções para as linhas Daily e Tector, séries personalizadas da Daily e do Hi-Way, em alusão ao aniversário de 20 anos da Iveco no Brasil e anunciou o investimento de US$ 120 milhões para o desenvolvimento de novos produtos, em um período de 24 meses, a partir do segundo semestre de 2017 até o primeiro semestre de 2019. 

 

Em 2016 a CNH Industrial, por meio da Case IH, anunciou seu maior lançamento dos últimos anos no Brasil, a Axial-Flow Série 130, nova linha de colheitadeiras com motores eletrônicos FPT, máquinas que apresentaram até o dobro de reserva de potência. Foram investidos US$ 40 milhões no desenvolvimento do projeto, testes de campo e na preparação de uma linha de montagem exclusiva na fábrica de Sorocaba, SP.

 

Em 2016 e 2017 a CNH Industrial divulgou a nacionalização de doze modelos de escavadeiras hidráulicas, projeto no qual foram investidos R$ 73 milhões para a criação da nova linha de montagem de escavadeiras em Contagem, MG, em projetos de engenharia e em outros processos de desenvolvimento, como a seleção de fornecedores de componentes e testes de validação. Com motores eletrônicos há uma redução no consumo de combustível de 14%, em média, com relação aos modelos anteriores. 

 

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Abimaq registra faturamento 2,2% maior

A receita líquida da indústria de máquinas e equipamentos teve alta de 2,2%, em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado — com relação a janeiro foi de 14,2%. Os dados foram divulgados na quarta-feira, 28, pela Abimaq. A receita líquida interna teve xpansão de 29,2% diante da de janeiro e queda de 22,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

 

De acordo com os dados divulgados pela entidade as exportações apresentaram expansão de 39,8% em fevereiro contra igual mês do ano passado. Em relação a janeiro a alta foi de 3,4%. No bimestre o crescimento das exportações foi de 58,6%.

 

O bom desempenho das exportações e a melhora nas vendas ao mercado interno contribuíram para o crescimento de 1,1% no primeiro bimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

 

Os dados do início do ano indicam que após cinco anos de quedas consecutivas o setor deve registrar desempenho positivo este ano.

 

As importações de bens de capital mecânicos registraram retração de 17,5% em fevereiro contra o mês imediatamente anterior. Com relação ao mesmo mês de 2017 houve crescimento de 12,5%. Com isso, no bimestre, as importações mantiveram o  crescimento de 11,4%.

 

O Nuci, Nível de Utilização da Capacidade Instalada, registrou crescimento em fevereiro e anulou parte da queda ocorrida em janeiro e chegou a 74%. O nível observado foi 3,1% superior a janeiro, quando estava em 71,8%, e 6,7% maior do que o de fevereiro de 2017, quando chegou a 69,3%.

 

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Mercedes-Benz ocupa linha de produção 4.0. De R$ 500 milhões.

A Mercedes-Benz anunciou na terça-feira, 27, o início das operações da nova linha de montagem instalada na fábrica de São Bernardo do Campo, SP , que consumiu R$ 500 milhões do último ciclo de investimento, encerrado no ano passado. O espaço, considerado como o mais moderno da empresa no mundo, ajudará a sustentar crescimento de 30% na produção projetado para o ano com base no aumento da demanda interna e pelas exportações. Diante do cenário a companhia contratou 250 funcionários para a unidade paulista e oitenta para a de Juiz de Fora, MG.  

 

Ainda que seja esperado um volume maior de vendas para o ano é cedo para falar sobre a abertura de um segundo turno nas fábricas Mercedes-Benz no País. Segundo Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO da América Latina, é preciso observar como reage o mercado ao longo de um ano marcado por eleições e recorrentes discussões em torno das reformas:  

 

“Com um turno apenas conseguimos atender ao volume de pedidos que temos atualmente, até porque com a fábrica remodelada melhoramos os níveis de produção. Capacidade não é um problema. Entretanto, para se abrir mais um turno é preciso esperar para ver como se comporta o mercado diante do quadro político. Esperamos que as reformas garantam o crescimento”.

 

Mas ele não descartou aumentar a produção já no segundo semestre: “Caso se confirme um ritmo de crescimento que garanta os 30% projetados é algo muito possível de acontecer a partir de julho”.  

 

Atualmente tanto a fábrica do ABC Paulista quanto a de Juiz de Fora, onde é produzido o modelo Actros e são feitas as operações de soldagem e pinturas das cabines, operam em um turno. Somadas as capacidades Schiemer disse que é possível produzir 40 mil veículos/ano, em mix formado por 70% de caminhões e por 30% de chassis de ônibus.

 

As contratações anunciadas começarão a ser feitas no início de abril. Com os novos postos a fábrica de São Bernardo passa a ter 8 mil funcionários, e setecentos em Minas. A conta também leva em consideração o retorno de 350 funcionários que estavam em regime de lay-oï¬EUR ao trabalho nas duas fábricas.

 

EXPORTAÇÕES – Ainda que a empresa enxergue em 2018 mais oportunidades de vendas ao mercado interno foram os planos para as exportações na região da América Latina que motivaram a companhia a aplicar dinheiro em expansão e modernização da fábrica. Schiemer destacou a participação da Mercedes-Benz no mercado externo, sobretudo o desempenho de vendas da linha de modelos médio e semipesados Atego.  

 

Com a nova fábrica, que traz em seu projeto conceitos da Indústria 4.0, a empresa espera aumentar o número de exportações e passar a produzir aqui, por exemplo, motores Euro 6, que demandam linha de produção atualizada com o que existe de mais recente em termos de processos e automação, de acordo com Schiemer: “Investir em uma linha mais moderna eleva o padrão de qualidade dos veículos”.  

 

A expectativa em torno das exportações é grande e é esperado, este ano, destinar 40% da produção ao mercado externo, a mesma faixa registrada em 2017, quando as exportações de veículos no País bateram recordes de volume mensalmente. Em 2014, as exportações representaram 10% da produção.  

 

Scania e Volvo, empresas que nos últimos anos transformaram suas fábricas em plataformas exportadoras, chegaram a operar recentemente com uma participação de 40% da produção para exportações. A Argentina segue como principal destino dos veículos M-B produzidos aqui, disse o presidente. A empresa também fornece motores Euro 5 para a Alemanha e para os Estados Unidos.  

 

Há em curso um trabalho de busca por novos mercados, que envolve regiões da própria América Latina, Ásia e Oriente Médio: “Precisamos voltar a buscar oportunidades no Exterior, mas é preciso antes diminuir a fatia das empresas que já estão nestes mercados há mais tempo, como é o caso das empresas chinesas no Oriente Médio, por exemplo”.

 

A FÁBRICA – A nova linha de produção da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, que nasceu a partir de parte do investimento aplicado nos últimos cinco anos pela empresa no País – R$ 1 bilhão de 2013 a 2017 –, é considerada a mais moderna de todas as unidades MercedesBenz no mundo, disse Schiemer: “É natural que toda linha mais nova do grupo seja a mais moderna. Esta de São Bernardo contou com a colaboração de equipes de outras unidades”.  

 

Ainda que já esteja em funcionamento o executivo disse que a unidade poderá consumir também parte do investimento de R$ 2,4 bilhões anunciado até 2022. Uma parte menor, uma vez que boa parte do aporte será utilizado para o desenvolvimento de novos produtos.  

 

Em um espaço onde antes funcionava área de logística a companhia construiu uma única linha onde passarão a ser fabricados todos os modelos: o Axor será produzido na nova linha a partir de junho. Antes a produção era feita em duas linhas, em outro prédio, onde eram divididas as montagens de leves e médios.

 

A unidade foi concebida de acordo com os conceitos da indústria 4.0: máquinas e componentes conectados e novos níveis de automação. Exemplos de aplicações que estão presentes na nova fábrica são o acesso remoto aos dados referentes à produção e vendas. Novas máquina e ferramentas diminuíram em 15% o tempo médio de produção de um veículo, de 100 horas para 85 horas.  

 

A linha também é ï¬,exível, ou seja, pode produzir todo e qualquer modelo independente da configuração que tenha sido definida no momento da compra. Automação também é outro destaque. Veículos guiados automaticamente, AGV, fazem o transporte de peças e dos chassis ao longo de toda a produção. São 66 atuando tanto na fábrica do ABC quanto em Minas Gerais.

 

AÇO – Tema recorrente na indústria nacional este ano a possibilidade de aumento do preço do aço, principal insumo do setor automobilístico, por parte dos maiores produtores mundiais parece não preocupar tanto a Mercedes-Benz: “Os anúncios de sobretaxa do insumo na China e nos Estados Unidos não nos afetam. O aumento do aço no mercado interno feito ano passado e no começo deste ano, sim, estes reï¬,etiram na nossa operação”.  

 

Philipp Schiemer afirmou que, afora ligas especiais aplicadas em pontos específicos do chassis dos veículos, o aço utilizado na produção tem origem nacional. Não descartou, contudo, a utilização de aços provenientes de mercados que praticam o que ele chamou de “preços mais competitivos”.  

 

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Receita das autopeças cresce 25,1%

As empresas fabricantes de autopeças brasileiras aresentaram crescimento de 25,1% no faturamento líquido de janeiro na comparação com dezembro, mostra a pesquisa conjuntural divulgada na terça-feira, 27, pelo Sindipeças. De acordo com o comunicado da entidade, “devido ao menor número de dias úteis no último mês do ano, alguma melhora nos indicadores de janeiro era esperada, porém o crescimento em dois dígitos revelou excepcional dinamismo para o setor”.

 

Na comparação interanual houve alta de 31,4%, reforçando o cenário de recuperação da indústria de autopeças no Brasil.

 

Para a variação acumulada em doze meses o crescimento do faturamento atingiu 23,4%. O desempenho demonstrado pelas produtoras de autopeças reflete os melhores números da indústria automobilística em 2017, que devem se repetir este ano. Diz o comunicado:

 

“Vale notar que a produção automotiva encerrou o ano com expansão de 46,5% frente a 2016. Excetuando-se a fabricação de ônibus, que regrediu 6,4%, as demais categorias apresentaram incremento da produção em dois dígitos. Em janeiro, por seu turno, os primeiros resultados do setor não decepcionaram e trouxeram expressivas variações tanto na passagem mensal, janeiro contra dezembro, quanto na comparação em relação a igual mês do ano anterior.”

 

As vendas para montadoras, principal destino de comercialização das autopeças, com 61% de participação, avançou 24,5% frente a dezembro. Na comparação interanual houve acréscimo de 33,7% e no acumulado de doze meses de 33,4%: “Em outras palavras, isto significa que os fabricantes de autopeças faturaram, em média, cerca de 30% a mais em janeiro deste ano do que haviam faturado em igual mês do ano passado”.

 

O canal da reposição apresentou, por sua vez, crescimento de 27,8% na comparação mensal, de 21,1% na passagem anual e de 9,7% no acumulado em doze meses: “Este mercado, que vivenciou momento positivo nos anos de crise, tem preservado o crescimento, embora a taxas decrescentes devido ao aumento das negociações com veículos novos”.

 

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CNI tem agenda de ações para comércio exterior

A CNI apresentou, na quarta-feira, 28, a Agenda Internacional da Indústria 2018, integrada por 98 ações prioritárias para facilitar e desburocratizar o comércio exterior e modernizar a política comercial do País. Segundo a entidade a seleção de prioridades é resultado de ampla consulta a federações, associações, sindicatos patronais, empresas de todos os portes. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

 

No eixo que trata da política comercial a CNI destaca a importância de concluir o acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia e ampliar o acordo do Brasil com o México: “Ao mesmo tempo, com a costura de novas parcerias comerciais, o Brasil precisa fortalecer seu sistema de defesa comercial, como meio de combater práticas desleais”.

 

Para a indústria é preciso adotar medidas de facilitação e de desburocratização, como o Portal Único de Comércio Exterior, e aperfeiçoar outros, a exemplo do programa de Operador Econômico Autorizado. Segundo a CNI o atraso e a burocracia alfandegários têm custo equivalente a um imposto de 15% na exportação e de 14% na importação brasileira.

 

Dentre as recomendações da Agenda Internacional da Indústria no eixo de serviços de apoio à internacionalização consta a consolidação de serviços que apoiem as empresas em seus planos de internacionalização. Um dos exemplos é o Rota Global, programa da CNI financiado com recursos da iniciativa europeia AL-Invest, que está capacitando 450 empresas não exportadoras para buscarem oportunidades fora do País.

 

Outra prioridade é aprimorar a utilização do carnê de admissão temporária, que simplifica e desburocratiza o processo de exportação ou importação temporária de bens e permite que produtos circulem por 77 países sem a incidência de impostos de importação. Segundo a CNI o documento é pouco utilizado pelas empresas e enfrenta desafios operacionais nas aduanas.

 

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Confiança industrial atinge o maior nível desde 2013

O ICI, Índice de Confiança da Indústria, da FGV, avançou 1,3 ponto em março e chegou a 101,7 pontos — o maior patamar desde agosto de 2013, quando o índice ficou em 110,5 pontos. No primeiro trimestre a média do ICI chegou a 100,5 pontos, 2,9 pontos acima do registrado nos três meses anteriores.

 

O aumento da confiança industrial alcançou nove dos dezenove segmentos observados. Os dados foram divulgados na quarta-feira, 28, pelo Ibre/FGV, Instituto Brasileiro de Economia da FGV, e publicadas pela Agência Brasil.

 

Dentre os componentes do ICI o Índice de Expectativas subiu 1,4, passando para 102, 8 pontos – o maior nível desde junho de 2013. O Índice da Situação Atual aumentou 1,2 ponto e atingiu 100,6 pontos, tendo como maior influência a melhora no nível de demanda: subiu 3,9 pontos, totalizando 100,2 pontos.

 

O estudo mostra ainda que o indicador de expectativas com a evolução do pessoal ocupado nos próximos três meses subiu 4,1 pontos, alcançando 103,5. Segundo os dados houve crescimento, de 20,6% para 22,6%, no número de empresas que acreditam em possível aumento do quadro de funcionários e diminuição daquelas que esperam redução, de 12% para 9,5%.

 

O Nuci, Nível de Utilização da Capacidade Instalada, subiu 0,5% ponto porcentual de fevereiro para março e chegou a 76,1%. Na média do primeiro trimestre houve avanço de 0,9 ponto porcentual com relação ao quarto trimestre do ano passado.

 

Segundo a coordenadora da Sondagem da Indústria do Ibre-FGV, Tabi Thuler Santos, após quase cinco anos com predomínio de respostas desfavoráveis e pessimistas o setor industrial retorna a uma situação de normalidade com relação às avaliações sobre a situação atual e ao futura: “Outro ponto de destaque da pesquisa é a continuidade do processo de recuperação da demanda do mercado interno e do Nuci, que perderam muito nos últimos anos e demoraram para dar sinais de recuperação”.

 

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Morre Theo Jaggi, ex-conselheiro do Sindipeças

Morreu na quarta-feira, 28, em Cotia, SP, o ex-conselheiro do Sindipeças Theophil Bernhard Jaggi. A informação foi divulgada pelo Sindipeças por meio de comunicado.

 

O empresário tinha 70 anos e foi um dos fundadores da União pela Modernização da Indústria de Autopeças, movimento de empresários preocupados com a inserção da indústria de autopeças no cenário de competitividade global. O grupo assumiu a direção do Sindipeças na eleição de 1992 com Cláudio Vaz como presidente e Paulo Roberto Butori como vice-presidente. 

 

Algumas de suas principais características, destaca a nota do Sindipeças: facilidade de comunicação e capacidade de ser um vendedor das autopeças brasileiras, setor que “sempre divulgou e defendeu”. 

 

Randon inaugura planta em Araraquara

A Empresas Randon, de Caxias do Sul, RS, deram início, na quarta-feira, 28, às operações da fábrica de implementos rodoviários e de vagões ferroviários que localizou em Araraquara, SP. Projeto idealizado em 2012 e que teve pedra fundamental assentada em 2014, sua quinta fábrica de implementos absorveu investimento de R$ 100 milhões, dos quais 60% financiados por meio de recursos do BNDES.

 

A unidade, que começou a operar em janeiro com a geração de cem empregos diretos, teve as obras paralisadas em 2016 em função da crise. Foram retomadas em março do ano passado. Com área construída de 25 mil m² em terreno de 125 hectares a unidade é considerada modelo em termos de processos e leiaute de produção.De acordo com David Randon, diretor presidente do grupo, “o modelo é resultado do trabalho de mais de setenta pessoas, é uma planta diferenciada, com velocidade e flexibilidade de produção, e preparada para receber projetos futuros. É uma das mais modernas plantas em vagões ferroviários do mundo”.

 

A planta tem capacidade instalada para 2 mil unidades/ano — semirreboques canavieiros, furgão carga geral e sider, e vagões ferroviários. De acordo com o diretor corporativo da divisão montadoras, Alexandre Gazzi, além da produção a planta permitirá que a empresa ingresse em mercado potencial no segmento ferroviário, o de reformas de vagões: “O Brasil tem uma frota bastante antiga, precisando de manutenção”.

 

Inicialmente a produção está centrada na média diária de 6 unidades de semirreboques canavieiros, ramo agrícola que está em seu período de safra, que vai de novembro a abril. Na sequência dará início à produção dos vagões, começando pelos modelos gôndola, para transporte de minério de ferro, e hopper, para diversos tipos de grãos, açúcar e fertilizantes.

 

David Randon lembrou que, antes de optar por Araraquara, a Randon analisou mais de vinte opções em várias regiões do Brasil. Decidiu pela cidade paulista em razão da localização, próxima de terminais ferroviários, e por estar inserida na principal região canavieira do País. Ainda citou a infraestrutura, com oferta abundante de energia e estradas, bem como pessoal qualificado: “Foi mais de um ano de prospecção e análise até a escolha”.

 

O presidente do conselho de administração, Alexandre Randon, assinalou a expressiva economia que a transferência da produção de vagões de Caxias do Sul para Araraquara proporcionará. Segundo ele o custo de transporte de cada unidade, do Sul para a Região Sudeste, onde se concentra a maioria dos clientes, gira de R$ 12 mil a R$ 15 mil.

 

David Randon recordou que a planta de Araraquara está estruturada em três fases. O encaminhamento das duas próximas depende, essencialmente, da recuperação da economia. Mas reconheceu que há análises para projetos de longo prazo: “Acreditamos que o País retomará seu crescimento, mas o momento ainda é difícil. Mas podemos, futuramente, até mesmo transformar esta planta em um site, como temos em Caxias do Sul”.

 

O vice-presidente de administração e finanças, Daniel Randon, destacou que o cenário atual é favorável e em recuperação desde o terceiro trimestre do ano passado: “O resultado da Fenatran foi indicativo muito forte da retomada. Com PIB previsto em 3% e taxa Selic em baixa, temos boas perspectivas para o ano, embora o cenário político instável preocupe”.

 

David Randon disse que espera que o próximo governo seja mais estável e faça as reformas que o Brasil precisa.

 

O início da operação em Araraquara já repercute em mudanças na unidade de Caxias do Sul. Embora flexível, com capacidade para produzir diferentes linhas de produtos, a operação perde em velocidade. A abertura de espaços ocupados por vagões, canavieiros e furgões carga geral e sider permitirá reorganizar a operação e a definição de portfólio de produtos por planta. Gazzi destaca que Caxias do Sul continuará sendo a fabricante de todas as plataformas dos veículos rebocados, de várias famílias de implementos e responsável por 95% das exportações.

 

David Randon observou que a operação de Caxias do Sul já está estrangulada e que a unidade de Araraquara trabalha com horas extras: “Creio que poderíamos ter iniciado as atividades uns quatro meses antes”.

 

Gazzi projetou que, mantida a demanda atual, a unidade paulista feche o ano com 150 a 180 funcionários.

 

Além de Araraquara a Randon tem ainda unidades de produção de implementos rodoviários em Caxias do Sul e Chapecó, SC, esta com foco em equipamentos frigorificados. Há mais duas no Exterior: em Rosário, Argentina, e em Lima, Peru, recentemente entregue. Também mantém parcerias para montagem de rebocados como a Etiópia, na África.

 

Fotos: Ale Carolo e Maicon Dewes.