Brasil precisa definir sua matriz energética, defendem especialistas

O Brasil precisa definir, logo, suas políticas públicas para eficiência energética de modo a não perder o bonde tecnológico. Esse foi o mote do painel Motores/Eletrificação – O que Esperar do Futuro no Brasil, parte do Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo – Os desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030, realizado na segunda-feira, 5, em São Paulo, Capital.

 

A presidente da Unica, União da Indústria da Cana-de-Açúcar, Elizabeth Farina, considerou que “já foi aprovada pelo congresso redução de 43% nos níveis de CO2 até 2030. Há um cronograma para isso. Então, já sabemos onde queremos chegar. Agora temos que definir qual será a matriz energética para o uso da terra, energia elétrica e combustíveis. E o etanol pode contribuir nessas três áreas. Espero que o Brasil saiba aproveitar essa oportunidade: precisamos definir as políticas públicas”.

 

O presidente CAOA Montadora e da SAE Brasil, Mauro Correia, afirmou que previsibilidade e regras nas políticas públicas são necessárias para o desenvolvimento de novas tecnologias no País. “O Brasil precisa escolher como quer entrar nesse jogo global. No processo de decisão de investimentos em pesquisa em desenvolvimento as empresas pensam no mercado como um todo, para ganhar escala, e não em soluções individuais para cada região”.

 

O presidente da Bosch para a América Latina, Besaliel Botelho, entende que o desenvolvimento da tecnologia de eletrificação está em ritmo acelerado no mundo, mas não necessariamente é uma solução viável para todas as regiões: “O Brasil deu um passo importante nessa questão do combustível. Temos que fazer barulho. Já temos uma alternativa viável, que é o etanol. Precisamos definir qual será a matriz energética”.

 

Marco Silva, presidente da Nissan no Brasil, acrescentou que hoje não existe uma única resposta com relação às tecnologias de propulsão de veículos que cada região do mundo deverá desenvolver. O executivo acredita que a eletrificação é uma tendência, mas é necessário definir qual a melhor solução para o Brasil:

 

“Motor elétrico é uma tendência, mas não sabemos qual é o mais viável para o Brasil. Pode ser, por exemplo, um híbrido que utilize etanol. Não existe uma resposta única para a tecnologia de propulsão”.

 

Foto: Allex de Araujo Chies

Anfavea já tem data para nova reunião com Presidente da República

Durante o Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030, realizado na segunda-feira, 5, em São Paulo, Capital, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, revelou que já tem data agendada para reunião com o Presidente da República em Brasília, DF.

 

O dirigente não revelou a data exata em que a reunião acontecerá. O tema central do encontro certamente será o Rota 2030 – no ano passado o próprio Presidente da República afirmou para Megale que tomaria uma decisão sobre o programa até o final de fevereiro, o que acabou por não acontecer.

Setor automotivo pode explorar regime aduaneiro por maior competitividade

Como ser competitivo no futuro é uma questão que todas as empresas ligadas ao setor automotivo devem abordar de frente. A opinião é de Fernando Magri, diretor da Thompson Reuters, palestrante do Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou sem o Rota 2030, na segunda-feira, 5, em São Paulo, Capital. Ele destacou que as empresas precisarão necessariamente se adaptar às mudanças que virão no setor automotivo global nos próximos anos.

 

“O setor automotivo é um dos poucos que a indústria é global. Um carro recebe componentes que são feitos em diversos países do mundo, e com isso, otimizar a logística é uma questão que fará diferença no futuro. Porém é necessário entender como isso pode ser feito.”

 

O palestrante destacou que no Brasil, por exemplo, existem quatorze regimes especiais aduaneiros que são pouco explorados pelas empresas e que poderiam melhorar a competitividade dos produtos locais no Exterior. É o caso do Recof, que permite a importação de insumos sem custo tributário. “Já existem mecanismos no Brasil para aumentar a competitividade das empresas, mas muitas não exploram os regimes especiais.”

 

Com relação às barreiras comerciais Magri entende que  vieram para ficar e estarão cada vez mais presentes, como por exemplo a sobretaxa para importação de aço nos Estados Unidos. Para o palestrante, entretanto, esse pode ser “um tiro no pé”, pois ao invés de alavancar a indústria do aço estadunidense, pode fazer com que a importação de um veículo pronto seja mais barata do que a produção local. A saída da Inglaterra do bloco da União Europeia também deve se tornar uma barreira comercial no futuro, acrescentou.

 

“Acredito que no futuro as empresas que sairão na frente serão as que consigam tornar as novidades tecnológicas acessíveis para o consumidor, sem grandes rupturas com seu passado.”

 

Foto: Allex Chies.

Para Sindipeças, fornecedores estão preparados para aumento da demanda

O setor de autopeças está preparado para suportar o crescimento da produção de veículos este ano. Essa é a visão do presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe. Segundo ele as empresas, inclusive as dos elos mais fracos da cadeia, Tier 3 para baixo, investiram nos últimos anos para atender produção acima de três milhões de veículos.

 

“O que pode acontecer é que os fornecedores do Tier 3 poderão demorar mais tempo para atender a programação das montadoras, caso ocorra um aumento das encomendas. Elas têm um tempo de resposta maior. Mas não vejo como um gargalo. Essa deteriorização de que alguns falam não nos parece evidente. No ano de 2017, por exemplo, vimos mais empresas se associando ao Sindipeças do que saindo. Crescemos 4% no número de associados”, disse Ioschpe durante palestra no Seminário AutoData Megatendências no Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030, que ocorreu na segunda-feira, 5, em São Paulo, Capital.

 

O presidente do Sindipeças ressaltou, ainda, que a prova de que o segmento está preparado para atender o crescimento da produção de veículos é a utilização da capacidade instalada, que hoje beira aos 70%. “Estamos no mesmo patamar de 2015, não é um número tão elevado. As autopeças, assim como as montadoras, também se prepararam para uma produção de cinco milhões a seis milhões de veículos há cinco anos. Esse era o cenário previsto naquela época. Então, para uma produção de três milhões de unidades, estamos capacitados.”

 

O Sindipeças estima crescimento de 11% no volume de veículos fabricados este ano no Brasil – esse índice, contudo, deve ser revisto para cima em breve. Segundo Ioschpe as encomendas das montadoras ficaram acima do estimado nos primeiros meses deste ano. “A projeção de 11% de crescimento era um cenário do ano passado. Esse número deve chegar, seguramente, a casa dos 20%. E estaremos prontos para atender essa demanda.”

 

Ioschpe disse ainda que o programa Rota 2030, cuja publicação estava prevista originalmente para ocorrer no fim do ano passado, poderia ter alguns pontos já editados este ano, para dar mais previsibilidade ao setor automotivo. “Pontos que já estejam definidos podiam ser publicados antes, como a questão da eficiência energética e da segurança. Isso porque o mercado pode ser invadido por uma gama de produtos com nível de tecnologia inferior ao determinado pelo Inovar-Auto. Mas o governo é uma entidade complexa.”

 

Foto: Allex Chies.

Venda de importados sobe 37,5% no bimestre

As vendas de veículos importados cresceram 37,5% no primeiro bimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados na segunda-feira, 5, pelo o presidente da Abeifa, José Luiz Gandini, durante o Seminário AutoData Megatendências no Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030, realizado na segunda-feira, 5, em São Paulo, Capital.

 

Fevereiro, isoladamente, foi 58,4% melhor do que o mesmo mês do ano passado, adiantou o dirigente. Em relação a janeiro deste ano também houve crescimento, de 6,2%, mesmo com menor número de dias úteis.

 

A atual projeção para 2018 da Abeiva é de 40 mil unidades vendidas de veículos importados. Em 2017 foram cerca de 29 mil.

 

Para Abeifa, Rota 2030 só sai ano que vem

O câmbio é hoje o principal entrave para a importação de veículos no mercado brasileiro, disse o presidente da Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, José Luiz Gandini, em apresentação no Seminário AutoData Megatendências no Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030 na segunda-feira, 5, em São Paulo, Capital.

 

“O dólar é um agravante. Em 2011 o câmbio estava a R$ 1,67 e hoje chegou a R$ 3,25, aumento de 95%. No mesmo período os veículos subiram 21%. É impossível voltar aos números de 2011.”

 

Além do dólar a entrada em vigor do Inovar-Auto em 2012, avaliou, teve grande impacto nos resultados do setor. Naquele ano foram vendidos cerca de 199 mil importados contra 29 mil do ano passado. Assim a participação no mercado interno caiu de 5,82% para 1,37%, o número de concessionárias diminuiu de 850 para 450 unidades e os empregos diretos de 35 mil para 14 mil. E a arrecadação de impostos saiu de US$ 4,1 bilhões para US$ 400 milhões no período.

 

“Tirar a trava da cota de 4,8 mil unidades ao ano por marca do Inovar-Auto nos deixa otimista, mas temos a questão do dólar e o Imposto de Importação, que não nos permitem chegar um preço competitivo”.

 

Sobre o Rota 2030, Gandini assegurou que a Abeifa “apóia definitivamente” o programa: “Participamos de quase cem reuniões em Brasília sobre o assunto, mas é importante que seja dado com um tratamento isonômico para todos os participantes da cadeia”. Na opinião de Gandini, entretanto, a publicação do regime deve ficar para o próximo governo: “Defendemos que seja o mais breve possível, mas acredito que não sairá este ano”.

 

Foto: Allex Chies.

Daimler assume 100% do capital da Car2go Europe

A Daimler, por meio de sua divisão Mobility Services, chegou a um acordo para aquisição de 25% de participação da Car2go Europe, que era da Europcar.

 

A Daimler já era dona de 75% de participação e, agora, assumiu 100% do capital da empresa, que atualmente conta com mais de três milhões de clientes na Europa, América do Norte e China.

 

O chefe de serviços de mobilidade da Daimler, Jörg Lamparter, afirmou que, nos últimos meses, a empresa intensificou seus investimentos em serviços de mobilidade, a fim de criar um sistema de mobilidade “holístico” com um amplo portfólio.

Argentina: vendas batem recorde no bimestre.

As vendas de carros na Argentina no primeiro bimestre foram de 118,9 mil unidades, recorde histórico do país para o período de acordo com material antecipado pelo site Flash de Motor, divulgado antes dos dados oficiais da Adefa, entidade que representa as montadoras.

 

A alta no bimestre resultou em um crescimento de aproximadamente 10% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Considerando apenas o mês de fevereiro foram vendidas 68 mil 406 unidades, outro recorde de vendas.

 

A expectativa da indústria é a de que as vendas totais no ano também alcancem recorde, ultrapassando a marca de um milhão de unidades comercializadas.

Anfavea: investimentos podem ser revistos.

Sem a definição de uma política industrial específica o País corre o risco de perder investimentos da indústria automotiva, mesmo aqueles já anunciados. A avaliação é do presidente da Anfavea, Antonio Megale, que participou na segunda-feira, 5, do Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030, realizado em São Paulo, Capital.

 

Para ele, a aprovação do programa é fundamental para que as fabricantes sigam investindo em tecnologia. “Desde o Inovar-Auto a indústria automotiva tem feito a sua parte para reduzir a emissão de poluentes, com investimentos em tecnologia. Mas se o mercado não estiver aberto para novos avanços isso pode levar as matrizes a repensar seus investimentos aqui”.

 

Em sua apresentação o dirigente da Anfavea citou também o caso das montadoras do segmento premium, que sem regras específicas para produção em baixos volumes igualmente poderiam rever seus planos em relação ao Brasil. 

 

De acordo com Megale o Rota 2030 não foi anunciado por uma divisão em relação ao tema na esfera governamental. “Iniciamos as nossas discussões com todos os ministérios, mas no fim do ano a Fazenda discordou. Sabemos que é difícil em ano de eleição prestigiar um setor, mas vamos continuar lutando para que o programa seja aprovado ainda neste governo.”

 

O presidente entende que uma das possibilidades na mesa para o Rota 2030 é sua aprovação por partes. Caso isso ocorra, o foco seria nas áreas de eficiência energética, segurança e pesquisa e desenvolvimento.

 

Ele afirmou ainda que durante o Inovar-Auto a indústria investiu bilhões em P&D, que contribuíram para melhorar a eficiência energética dos veículos. “Tivemos uma economia de R$ 7 bilhões por ano com combustível.”

 

Em relação às questões tributárias do programa, particularmente questionadas pela Fazenda, Megale comentou que para um teto de R$ 1,5 bilhão de renúncia fiscal as empresas investiriam três vezes mais. “O setor gera cerca de R$ 40 bilhões por ano em receita e cerca de quatro vezes mais em tributos.”

 

Megale citou uma opção oferecida pela Fazenda, pela qual o incentivo a P&D para a indústria automotiva viria pela Lei do Bem, que abate imposto de renda sobre o lucro. “Mas quando as empresas registrarem resultados negativos não haveria benefício”, questionou.

 

Ele deixou claro em sua apresentação no evento de AutoData que “no ano passado tivemos duas reuniões com o Presidente de República, e nos foi dito que o Rota 2030 seria aprovado. As empresas investiram acreditando nisso. Precisamos ter clareza sobre as regras e previsibilidade”.

 

Foto: Allex Chies.

M-B: trezentas Sprinter UTI Móvel entregues ao SAMU.

A Mercedes-Benz e a De Nigris entregaram na sexta-feira, 2, trezentas ambulâncias Sprinter UTI Móvel Para o SAMU, que foram recebidas pelo Presidente da República e pelo Ministro da Saúde durante evento realizando na concessionária em Sorocaba, SP.

 

Este novo lote soma-se às 225 unidades entregues em outubro do ano passado, de licitação total de 980 furgões Sprinter para transformação em UTI móvel que serão distribuídas a várias cidades brasileiras.

Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, acredita que esse atendimento à licitação do SAMU reforça o posicionamento da Linha Sprinter como referência na aplicação ambulância UTI.

 

Foto: Divulgação.