Ford demite no ABC e produção para

A Ford demitiu 364 funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo, SP, que estavam com os seus contratos de trabalho suspensos temporariamente, em lay off, na quinta-feira, 10. Em comunicado a empresa informou que as dispensas foram realizadas em razão da queda do mercado nos últimos anos e que, por isso, ajustou sua folha de pagamento:

“Nos dois últimos anos a Ford adotou uma série de medidas para administrar o excesso de empregados decorrente da redução do volume de produção em São Bernardo do Campo, tais como PPE, PDV, suspensão temporária do contrato de trabalho, lay off, e férias coletivas. Entretanto, devido à necessidade de adequar os níveis de mão-de-obra às demandas de mercado, estamos fazendo o desligamento dos funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo que estavam em lay off”.

Alexandre Colombo, diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e funcionário da Ford, observou que os funcionários da estamparia ficaram parados na sexta-feira, 11, em protesto pelas demissões anunciadas no dia anterior. Segundo ele a Ford teria descumprido acordo de estabilidade em vigor desde 2015 e que terminaria em janeiro de 2018: “Os demitidos foram classificados como excedentes pela montadora. Mas todos os funcionários tinham estabilidade garantida até 2018. Por isso, na semana que vem, se não acontecer alguma reunião com a empresa, paralisaremos a fábrica novamente”.

Em 2015, á época do acordo de estabilidade, a Ford alegava que tinha cerca de oitocentos empregados a mais em seu quadro de funcionários ali, no ABC, contando os que tralhavam na produção e nas áreas administrativas. Colombo disse que, durante os últimos dois anos, a Ford abriu programa de demissão voluntária e muitos se aposentaram.

Hoje a Ford tem cerca de 3 mil funcionários, contando com os 364 demitidos. Colombo contou, ainda, que para este ano a Ford programou a produção de até 12 mil caminhões e de 36 mil carros: “Com um turno de trabalho a empresa pode fabricar até 110 mil veículos. A produção caiu muito este ano e, por isso, estamos com essa tática de parar áreas essenciais e assim paralisar todo o processo”.

Ele contou, também, que em 14 e 15 de agosto a companhia programou parada de produção para ajustar os seus estoques.

No ano passado, de acordo com a Anfavea, a Ford produziu, em todas as suas fábricas no País, 219 mil 519 veículos. Em 2015 foram 240,5 mil unidades. Em São Bernardo do Campo fabrica caminhões e o New Fiesta, tanto a versão hatch como sedã.

Al-Ko, do Grupo Dexko, chega para disputar mercado

A Al-Ko, fabricante de eixos e chassis para semirreboques leves, começou a operar no Brasil no fim de julho de olho em um naco de mercado com potencial de venda de 100 mil semirreboques por ano. A unidade que instalou em Atibaia, SP, atualmente serve como centro de distribuição de componentes, mas no primeiro semestre do ano que vem será finalizada, ali, a instalação de linha de produção que terá trinta funcionários.

De acordo com Arndt Budweg, gerente de vendas para América do Sul, o mercado brasileiro tem potencial para absorver um volume de semirreboques leves superior aos pesados, os quais atualmente vivenciam um momento delicado em função da queda das vendas de caminhões: “Em 2016 foram 25 mil semirreboques pesados licenciados no País. No segmento de leves foram quase 120 mil e ainda há demanda reprimida”.

Dados da Anfir, a associação dos fabricantes de implementos rodoviários, da qual a Al-Ko já é associada, apontam que de janeiro a julho houve retração de 17,95% nos emplacamentos na comparação com o mesmo período em 2016.

Na contramão dos implementos para veículos pesados, que dependem das vendas de caminhões, o segmento de leves está em franca expansão no Brasil, disse Budweg: “Na América do Sul existe uma demanda por 150 mil unidades de reboques, sendo o Brasil o principal mercado. As maiores oportunidades estão em empresas que atuam na área náutica e em prestadoras de serviço de infraestrutura, como as que fazem manutenção em estradas e redes de energia elétrica”.

O CD de Atibaia possui 1 mil m² e foi alugado pela Al-Ko em janeiro, quando começaram os trabalhos para nacionalizar a empresa, um processo que durou seis meses e envolveu, afora a busca por espaço, a obtenção de licenças para funcionamento: “Optamos por começar em um lugar alugado para avaliar o mercado e, mais adiante, expandir a operação em um espaço próprio”.

A Al-Ko faz parte do Grupo Dexko, que surgiu a partir de joint-venture com a Dexter, dos Estado Unidos, que tem um portfólio complementar. Na Alemanha, seu país de origem, a Al-Ko emprega 2,5 mil funcionários e dispõe de oferta mais ampla do que a da filial brasileira: acessórios para trailers, peças plásticas e amortecedores.

Exportação da Toyota aumentará 14% este ano

Em um cenário de vendas em baixa a Toyota opera na contramão das demais fabricantes. Este ano sua produção deverá aumentar 2,5% na comparação com a do ano passado, puxada pela exportação, que crescerá 14%. Hoje a Toyota é a sétima maior empresa exportadora do Brasil.

Segundo Steve St. Angelo, CEO da Toyota para América Latina e Caribe e chairman da Toyota do Brasil e da Argentina, em 2017 50 mil carros serão exportados pela unidade brasileira, contra 44 mil em 2016. Deste total 42 mil terão seguido para a Argentina, sendo 60% do modelo Corolla e 40% do Etios.

Em 2014 a empresa começou a exportar para Paraguai e Uruguai e em 2016 para o Peru. Este ano iniciou exportações para Costa Rica e Honduras. A estimativa é iniciar o mesmo processo para a Colômbia ainda este ano, ancorado no fechamento de acordo comercial fechado pelos dois países em julho.

O Brasil também recebe quase metade dos veículos produzidos pela unidade Toyota da Argentina. Por lá a fábrica passou por remodelação, com investimento de US$ 800 milhões, o que está aumentando gradativamente a produção de 90 mil para 150 mil veículos/ano. Este ano a unidade argentina deve produzir 100 mil carros, sendo que 45 mil serão embarcados para o Brasil. Em novembro a fábrica começará a produzir a Innova, uma minivan de oito lugares para o mercado argentino.

Não há uma fórmula mágica para o bom desempenho da empresa, reconheceu St. Angelo: “Não temos uma receita. Buscamos um crescimento sustentável com a certeza de que nossos clientes estão satisfeitos Não é fácil ser lucrativo no Brasil. Para cada projeto desenvolvemos um plano de negócios para aumentar nosso desempenho”.

De forma gradual a companhia mais do que dobrou seu market share no mercado brasileiro em cinco anos, passando de 3,2% em 2012 para 8,9% agora.

A Toyota lidera as vendas no segmento de híbridos com o modelo Prius – de janeiro a junho as vendas do Prius cresceram 460% na comparação com o mesmo período do ano passado: “Na América Latina o volume é baixo porque as pessoas ainda estão tomando consciência dos benefícios dos veículos híbridos para o meio ambiente e para o consumo de combustível. Pois, diferentemente dos veículos elétricos, os híbridos não precisam de uma infraestrutura para o carregamento da bateria”

Centro de visitantes – A Toyota inaugurou na sexta-feira, 11, seu Centro de Visitas na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. O espaço faz parte do projeto São Bernardo ReBorn, iniciado em 2015, que totalizou investimento de R$ 70 milhões na revitalização da unidade, inaugurada em 1962 – é a primeira fora do Japão.

Com investimento de R$ 5 milhões o espaço de 750 m² levará os participantes a uma viagem pela história da empresa por meio de uma linha do tempo interativa. O local expõe veículos icônicos como o jipe Bandeirante e uma unidade da primeira geração do Corolla produzido em 1968, um simulador de direção do Prius e um auditório para cem pessoas. O local, que contará com visitas monitoradas, será aberto ao público em janeiro de 2018.

Sprinter faz 20 anos e ganha série limitada

A Mercedes-Benz terá edição especial para comemorar os 20 anos da Sprinter no Brasil: a série, limitada a vinte unidades, será lançada na Fenatran, em São Paulo, em outubro. O Brasil é o quinto maior mercado da Sprinter no mundo, com 127 mil unidades comercializadas em vinte anos anos – no mundo, 3,3 milhões já foram negociadas.

A edição limitada é uma estratégia da empresa, de acordo com Jefferson Ferrarez, diretor de vendas e de marketing de vans: “Sabemos que será um sucesso, mas ainda estamos discutindo a ideia de aumentar a produção, pois a fábrica da Sprinter está localizada na Argentina”.

A fábrica, inaugurada há sessenta anos, exporta para Estados Unidos, Canadá e América Latina, com exceção do México, que importa da Mercedes-Benz da Alemanha. Segundo o diretor não há risco de a empresa ultrapassar o volume para importação e exportação de veículos, conforme prescreve o acordo automotivo com o Brasil. Se uma empresa ultrapassa esse limite recebe multa.

“Não corremos o menor risco porque o Brasil importa vans da Argentina, mas exporta caminhões e ônibus. E esse total é por valor. Por enquanto não pensamos em produzir vans no Brasil, pois já fabricamos caminhões, ônibus e automóveis.”

Modelo – A edição limitada contará com três modelos: chassi com cabina, com preço sugerido de R$ 127 mil, furgão street por R$ 148 mil, e van de passageiros por R$ 186 mil para veículo com quinze lugares e R$ 208 mil para veículo com vinte.

Os modelos ganharam itens de segurança inéditos como assistente de partida em rampa e câmera de ré. Desde 2012 os veículos da linha Sprinter dispõem de ESP, o programa eletrônico de estabilidade, que será uma exigência legal a partir de 2022 e cujo objetivo é ajudar o condutor a ter controle sobre o veículo.

A empresa tem investido em segurança e tecnologia, disse a gerente de projetos de vans Ana Paula Teixeira: “O painel é um verdadeiro computador a bordo, com funções como o alerta de desgaste de pastilhas de freio. Os novos modelos contam com 25 grandes funções de segurança, como a tecnologia exclusiva cross wind system, que permite que o veículo mantenha sua trajetória mesmo com uma forte rajada de vento”.

Mercedes-Benz dobra participação em vans

Em cinco anos a Mercedes-Benz mais do que dobrou sua participação no segmento de large vans com sua linha Sprinter – mesmo com a queda nas vendas totais de veículos no mercado brasileiro.

Em 2012 as vendas desse tipo de vans Mercedes-Benz atingiram 39 mil 215 unidades e a participação da empresa foi 14,9%, e de janeiro a julho deste ano chegaram a 9 mil 719 unidades e o market share é 32,9% – patamar que a empresa pretende manter até o fim do ano, segundo o diretor de vendas e de marketing de vans, Jefferson Ferrarez.

Mesmo com o crescimento da sua participação a Mercedes-Benz ocupa a vice-liderança no segmento de large vans. Hoje o Renault Master é o campeão de vendas, com 36% do mercado, seguido pela Mercedes-Benz Sprinter com 32,9%, pela Iveco Daily com 12,7% e pelo Fiat Ducato com 12,5%:

“Estamos 2 pontos porcentuais atrás da Renault, o que corresponde a cerca de trezentas unidades. Entendemos que a nossa estratégia está correta em oferecer tecnologia e conforto.”

Ferrarez acredita que as vendas de large vans serão impulsionadas pelo crescimento da urbanização. De 1997, ano do lançamento da Sprinter, a 2017 a população do País cresceu de 167,5 milhões para 207,7 milhões, de acordo com o IBGE. Como consequência a frota urbana circulante triplicou, passando de 20 milhões para 66 milhões. O uso das large vans se divide em 55% para transporte de passageiros e em 45% para o de cargas:

“Veículos menores são a melhor opção para operação logística nos centros urbanos porque são mais ágeis, confortáveis e econômicos em termos de combustível. E algumas cidades já aplicam restrição para veículos pesados, aumentando o transporte de cargas e pessoas”.

Uma novidade é que a Sprinter venceu a licitação de oitocentos furgões para transformação em UTIs móveis para atendimento no SAMU, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. O primeiro lote de 220 ambulâncias será entregue até setembro.

Estados – Os números de vendas da Sprinter obviamente variam conforme o Estado: no Maranhão sua participação é de 77,8%, em Minas Gerais de 28,0%, no Rio de Janeiro de 53,1%, e em São Paulo de 24,4%.

Essa diferença se justifica pelas variações no uso do veículo, segundo Ferrarez: no Nordeste o modelo é utilizado para transporte de pessoas para turismo, em São Paulo para transporte escolar, ambulâncias e unidades móveis de negócios como, por exemplo, food trucks:

“São Paulo é um mercado bastante competitivo, mas estamos desenvolvendo estratégias de crescimento. Nossa participação aumentou de 19% em 2016 para 24% em 2017”.

Promessa: terceiro turno de volta à VW Anchieta!!

Com a chegada do Novo Polo, marcada para novembro nas concessionárias do País, nasce também mais uma nova Volkswagen – este é, pelo menos, o projeto da companhia, que está no Brasil há sessenta anos e que, agora, quer novamente se reinventar. Para isso o presidente David Powels disse que foram investidos na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, R$ 2,6 bilhões para prepará-la para os novos tempos, que são do Novo Polo e do sedã Virtus.

Esse valor faz parte do pacote de R$ 7 bilhões destinados à operação brasileira até 2020.

Quando a linha de produção estiver a todo vapor a VW abrirá um terceiro turno de trabalho:

“Em dois ou três meses abriremos o terceiro turno, mas não vamos contratar. Temos de duzentos a trezentos funcionários em regime de lay off. Antes de contratações usaremos todas as alternativas”.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC 687 empregados da empresa entraram em lay off este mês.

Hoje a fábrica tem cerca de 8 mil funcionários e dois turnos de trabalho. Por lá é produzida a Saveiro e já foi iniciada a montagem do Novo Polo. O presidente Powels afirmou que dois modelos da nova plataforma, MQB, serão montados na unidade: outros dois, um SUV e uma picape, serão produzidos em São José dos Pinhais, PR: “A renovação total de nossa linha acontecerá até 2020. Ela começa com o Novo Polo. Estamos trabalhando, há dezoito 18 meses, para construir essa nova Volkswagen”.

Os recursos já foram praticamente gastos, com o desenvolvimento do Novo Polo e do Virtus, com a preparação da linha para receber os novos veículos e com a nacionalização de peças. Segundo o executivo a meta é ter 75% de peças nacionais no Novo Polo: “Importamos componentes eletrônicos porque no Brasil não há escala de produção desses equipamentos. E trazemos o câmbio da Argentina”.

Ele destacou, também, os acordos coletivos que foram assinados em todas as unidades da VW no Brasil, que tornaram viável os investimentos por aqui: “São acordos para cinco anos, com foco no futuro, que ampliaram a flexibilidade e a produtividade. Isso demonstra a maior maturidade na relação da empresa com os empregados”.

Mercado – Essa nova empresa, segundo ele, é a sua aposta para ganhar mercado no Brasil onde, hoje, a VW ocupa uma incômoda terceira posição. Powels já declarou que este não é o lugar para a empresa: “2017 marcará a virada de página da Volkswagen aqui”.

Powels notou que este ano as vendas de automóveis e comerciais leves devem crescer de 5% a 7% e que, em 2018, outros 8%: “O mercado será melhor, mas não teremos um milagre, pois a recuperação será lenta. Estaremos preparados para ganhar participação com os novos produtos: o Novo Polo chega em novembro e o Virtus no primeiro trimestre do ano que vem”.

Seminovos rendem R$ 2,5 bilhões às locadoras

Localiza, Movida e Unidas, principais nomes do segmento de locação de veículos no País, movimentaram R$ 2 bilhões 559 milhões 2 mil com vendas de automóveis seminovos no primeiro semestre, uma vertente de seus negócios que há muito supera as receitas com alugueis. Os balanços das companhias, referentes aos primeiros seis meses do ano, apontaram crescimento positivo nos desempenhos de cada uma no período.

A Localiza terminou o semestre com frota de 151 mil 750 carros em operação no País. Afora o tamanho do seu ativo a empresa despontou como líder do mercado em termos de ganhos com as vendas de veículos com mais de três anos de uso, que renderam R$ 1 bilhão 526 milhões 3 mil aos seus cofres da companhia – valor que é 16,6% maior do que o obtido no primeiro semestre do ano passado.

Os alugueis renderam valor inferior no mesmo período: R$ 1 bilhão 159 milhões 1 mil.

A empresa, que expandiu sua estrutura no mercado brasileiro a partir da compra da concorrente Hertz, no fim do ano passado, fechou o semestre com lucro líquido de R$ 249,5 milhões, o maior verificado no segmento de venda de seminovos e locação. O desempenho chamou a atenção até de uma empresa de gestão de ativos dos Estados Unidos, a BlackRock, que adquiriu 5,16% das ações ordinárias da Localiza na quinta-feira, 10.

A receita da Movida com a venda de seminovos chegou a R$ 719 milhões no primeiro semestre, crescimento de 45,3% na comparação com o primeiro semestre do ano passado – e os ganhos com locação atingiram R$ 486,5 milhões.

Já as vendas de seminovos da concorrente Unidas totalizaram R$ 413,8 milhões, crescimento idêntico ao da Movida no período, 45,3%, e a locação rendeu R$ 357 milhões. Para aumentar sua participação no segmento de seminovos a Unidas lançou, no mês passado, modelo de venda baseado nos feirões, com a abertura de espaço de vendas de carros usados em São Paulo e que poderá ser replicado pelo Estado por meio de franquias.

O desempenho das locadoras refletiu nas vendas diretas das montadoras no semestre e ajudou o setor a demonstrar recuperação nas vendas internas. Dados divulgados pela Fenabrave mostram que as vendas diretas de automóveis de passeio e utilitários leves crescem, este ano, mais de 27%, ao passo que, no varejo, maior canal de vendas das montadoras, o consumo recua 8,5% sob a influência negativa do avanço do desemprego.

Do total de veículos emplacados no período 23% foram vendidos de maneira direta. Ou seja: 194 mil 99 unidades foram vendidas diretamente às empresas.

Rota 2030 sairá só em novembro

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, disse na segunda-feira, 14, que a nova política industrial do setor automotivo, o programa Rota 2030, deverá ser apresentada em dois ou três meses – a expectativa, quando foi lançada, em 18 de abril, era a de que estaria concluído em agosto.

“Com o Rota 2030 conseguiremos aumentar a competitividade das empresas e do País e o valor da produção.”

Segundo ele as discussões do setor com o governo estão pautadas em cinco tópicos: promover a integração competitiva às cadeias globais de valor, melhorar o ambiente de negócio, eficiência energética, segurança veicular e aumento da produção brasileira.

O Rota 2030 sucederá ao Inovar- Auto, a política industrial que termina no fim deste ano. Para entrar em vigor já em janeiro de 2018 o projeto teria que ser aprovado até setembro, pois há etapas propostas que devem ser informadas ao setor produtivo até noventa dias antes de sua vigência. O presidente da Volkswagen eseu CEO para a América do Sul, David Powels, disse não acreditar que o lançamento da nova política industrial ocorra novembro:

“Estamos trabalhando muito forte nos grupos de trabalho, assim como outras montadoras. Vai ser difícil concluir essas discussões nos próximos três meses. Mas o ponto positivo do Rota 2030 é que a indústria quer ter a certeza do futuro, busca previsibilidade para investir. Esse plano deve vigorar por quinze anos e isso nos dá essa segurança”.

De olho na privatização das estradas

A diferença dos investimentos público e privado nas rodovias brasileiras é um dos pontos identificados pelo estudo Transporte Rodoviário: Desempenho do Setor, Infraestrutura e Investimentos, divulgado pela CNT, entidade empenhada na privatização das rodovias brasileiras. O estudo avaliou os investimentos de 2004 a 2016 e mostrou que os recursos privados, por quilômetro, representam mais do que o dobro dos públicos.

Em 2013 as concessionárias brasileiras investiram, por quilômetro, o maior valor no período: R$ 447 mil. Em 2016, houve redução, para R$ 354 mil 460. Ainda assim o valor é 122,1% maior do que o recebido pelas rodovias federais geridas pela União em 2016, R$ 159 mil 600/km.

Bruno Batista, diretor-executivo da CNT, disse que “esse é um bom parâmetro de comparação. Esse investimento das concessionárias faz com que o nível de qualidade seja significativamente superior ao das rodovias mantidas pelo poder público”.

Na edição de 2016 da Pesquisa CNT de Rodovias a extensão concessionada com estado geral classificado como ótimo ou bom foi de 78,7%. Nas federais, sob gestão pública, foi de 42,7%.

O novo estudo da CNT mostra que, desde a década de 1990, o País adotou a alternativa de participação da iniciativa privada no provimento da infraestrutura de transporte via concessões. De 2004 a 2016 foram investidos R$ 49 bilhões 960 milhões pelas concessionárias.

Só em 2016 o investimento privado foi de R$ 6 bilhões 750 milhões, em 19 mil 31 km. Nesse mesmo ano as rodovias públicas federais receberam R$ 8 bilhões 610 milhões para investir em mais do que o dobro da extensão, 53 mil 943 km. A análise evolutiva mostra que o volume anual de aportes acompanhou a expansão do programa de concessões rodoviárias. Apesar disso o valor investido – por quilômetro de rodovia concedida –, que apresentou incrementos consecutivos de 2004 a 2013, registrou retração de 2014 a 2016.

Segundo o estudo esse resultado se deve à crise econômica e às dificuldades enfrentadas pelas novas concessionárias. Uma delas: a pesquisa a CNT destaca o financiamento das obras devido às mudanças na política econômica governamental, principalmente do BNDES.

Crescem vendas da Volkswagen

As vendas da Volkswagen, nos primeiros sete meses do ano, atingiram 5,9 milhões de veículos no mundo todo, volume 1,3% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado. Na América do Sul foram 260,2 mil unidades, com o Brasil respondendo por 63,6% desse total, com 165,6 mil. O volume foi 1,4% maior do que o registrado em idêntico semestre de 2016.

Na comparação mensal a VW vendeu, em julho, 820,9 mil unidades, 4,3% a mais do que em julho do ano passado. Na América do Sul, no mês, foram 44 mil unidades, 18,3% a mais do que em julho de 2016. No Brasil, maior mercado da empresa na região, foram vendidos 25,5 mil veículos.

Segundo Fred Kappler, diretor de vendas do Grupo Volkswagen, o desempenho das vendas na América do Sul, junto com o do mercado asiático, foi o responsável pelo crescimento das vendas global: “Tivemos um sólido início de segundo semestre nessas regiões. Queremos preservar e fortalecer a confiança de nossos clientes em nossos produtos”.

As vendas na Ásia somaram 2,3 milhões de unidades de janeiro a julho, queda de 1,5% na comparação com igual período do ano passado. Na comparação mensal a empresa aumentou suas vendas em 6,9%, totalizando 332,8 mil unidades na região: no seu maior mercado, a China, foram vendidas 309,1 mil unidades, alta de 8,1%.

Dividindo as vendas por marcas do grupo foram 3 milhões 402 mil veículos da Volkswagen, alta de 0,8%, 1 milhão 63,5 mil Audi, queda de 3,6%, 146 mil Porsche, mais 6,4%, Volkswagen Caminhões e Ônibus vendeu 286,8 mil, mais 5,3%, a MAN vendeu 61,9 mil, 6,7% mais, e a Scania 50,4 mil, 8,7% mais.