Ainda nesta semana ou no máximo início da próxima os governos do Brasil e México se reúnem mais uma vez para discutir o acordo bilateral na área automotiva, que vence daqui a duas semanas, dia 19. A partir desta data, caso não haja acerto, o comércio automotivo dos dois países – ao menos em tese – passa a ser livre, o que não interessa à indústria brasileira.
É que o México conseguiu exportar praticamente quase toda a sua última cota anual, válida de março de 2014 a março de 2015, de US$ 1 bilhão 640 milhões para cá, enquanto o Brasil mandou para lá pouco mais da metade desse valor, ao qual também teria direito.

Segundo o primeiro vice-presidente da Anfavea, Antônio Megale, na segunda metade da década passada houve situação inversa e o Brasil concordou em postergar o livre comércio para não prejudicar a indústria mexicana na época: “Acreditamos que até a próxima semana haja um acerto dos dois governos. Nós [Anfavea] não participamos diretamente das reuniões, mas ficamos à disposição para qualquer esclarecimento”. O próximo encontro deverá ocorrer no Brasil.
Tais adendos a acordos bilaterais são naturais, entende o presidente da Anfavea, Luiz Moan, que divulgou na quinta-feira, 5, os resultados da indústria automotiva no primeiro bimestre do ano: “O México cumpriu sua cota em exportações para o Brasil, enquanto nós não conseguimos atingi-la por falta de competitividade”.

Um dos maiores problemas apontado por Moan tem por base a questão cambial: “Em 2004 o dólar valia, em média, R$ 2,90, e no ano passado este valor média ficou em R$ 2,31, ou seja, perda de R$ 0,60 em dez anos mais todos os aumentos de encargos ocorridos nesse período. Vários países produtores de veículos desvalorizam suas moedas para ter competitividade externa, ao contrário do Brasil, que mantém a política do câmbio flutuante”.
Mas os problemas não param por aí. Tem a carga tributária não compensada nas exportações, que conforme o último estudo da entidade chega a 9%, e a falta de financiamento para vendas ao Exterior, dentre outros complicadores: “Vários países têm linhas com taxas competitivas para incentivar seus negócios externos, o que não existe no Brasil”.
BALANÇO – O reflexo deste quadro é a queda constante das exportações brasileiras de veículos, também fortemente prejudicadas pela retração no mercado automotivo argentino, o principal parceiro do Brasil na área.
Em unidades as exportações tiveram queda de 7,2% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2014, inferior portanto ao decréscimo das vendas internas, que chegou a 23,1%. Mas em valor a queda também foi na casa de dois dígitos, 20,8%, consequência na mudança do mix dos produtos exportados, como explicou Moan:
“Houve retração maior nas vendas externas de bens de maior valor, como caminhões e colheitadeiras, o que gerou receita menor proporcionalmente ao volume total”.
Foram embarcados neste início de ano 47,5 mil veículos ante os 51,2 mil do primeiro bimestre do ano passado. Em valores foram, respectivamente, US$ 1,5 bilhão e US$ 1,9 bilhão.
Mas fevereiro, ao menos, foi bem melhor do que janeiro em todos os segmentos, com 31,2 mil veículos vendidos para o Exterior ante 16,3 mil do mês anterior, alta de 91,8%. Mesmo no comparativo com fevereiro do ano passado o resultado do mês também é positivo em 9,2%.
Já em valores verifica-se crescimento de 31% em fevereiro ante janeiro – US$ 860 milhões para US$ 656,5 milhões – e queda de 15,5% no comparativo com o mesmo mês de 2014, quando as exportações atingiram US$ 1 bilhão 17 milhões.
