As cinco maiores empresas de Caxias do Sul, RS, todas ligadas à atividade de transportes de cargas e de passageiros, interromperão atividades produtivas em fevereiro. A decisão deve-se à drástica queda no mercado de ônibus, caminhões e implementos rodoviários e agrícolas em janeiro.
Na Empresas Randon a interrupção será até o dia 20, além de 27 de fevereiro, atingindo sete mil funcionários da Randon Implementos, Randon Veículos, Master, Suspensys, Castertech e Jost, além das unidades em São Paulo e Chapecó, a Brantech.
A Fras-le, o Banco Randon, a Randon Consórcios e algumas áreas específicas, como a de produção de vagões ferroviários, não estão incluídas neste processo, pois, segundo comunicado da organização, ainda não foram afetadas diretamente.
A proposta, que contempla compensação desses dias com o desconto das respectivas horas não trabalhadas nas folhas de pagamento dos meses que têm 31 dias, teve aprovação média de 90% dos funcionários. Para Daniel Ely, gerente de recursos humanos, a decisão atesta o entendimento, por parte dos funcionários, da real situação de mercado: “Estamos fazendo o máximo, usando todos os recursos que temos, pela manutenção dos empregos”.
Os 1,6 mil trabalhadores da Agrale paralisam atividades no período de 16 a 20 de fevereiro. A empresa abonará dois dias e os demais serão compensados nas férias de funcionários mensalistas ou nos dias 31, durante três meses, para os horistas. A medida atinge exclusivamente as plantas de Caxias do Sul.
A Guerra, fabricante de implementos rodoviários, colocou em férias por trinta dias, contados a partir da segunda-feira, 2, os 490 trabalhadores do turno da noite. Em 9 de março, pelo mesmo período, a medida atingirá 550 funcionários do turno do dia que atuam na linha de produção. De acordo com Juliano Teixeira, coordenador de recursos humanos, “foi a saída que encontramos para evitar demissões diante de quadro de mercado paralisado”.
Dos 1,6 mil funcionários do Grupo apenas os ligados aos setores administrativo e comercial das plantas de Caxias do Sul, além de todos os que atuam nas fábricas de Farroupilha, RS, e Guarulhos, SP, ficam fora do esquema.
A Marcopolo também optou por férias coletivas de seus funcionários das plantas de Caxias do Sul no período de 16 a 25 de fevereiro.
Osmar Piola, gerente de recursos humanos, alegou que a retração no mercado foi muito forte e que não há sinais de mudanças no cenário para os próximos meses. Mas adiantou que, além das férias – a segunda em menos de dois meses, vez a empresa voltou a operar em 13 de janeiro após a parada do fim de ano –, a Marcopolo estuda novas alternativas para março caso o mercado não sinalize mudanças.
Das cinco grandes empresas do setor apenas a Neobus não para na semana do carnaval. Mas, segundo Marcos Badan, seu gerente de recursos humanos, a empresa avalia alternativas para a semana seguinte: “Temos pedidos em carteira com prazo de entrega para os próximos dias. O mesmo não ocorre para a sequência. Ainda estamos estudando o que fazer”.
COMITIVA – Grupo misto de representantes do setor metal-mecânico de Caxias do Sul agendou encontros em Brasília, DF, na quarta-feira, 3, para expor a situação e propor medidas. A comitiva teve confirmadas audiências com os ministros Pepe Vargas, da secretaria de Relações Institucionais, e Miguel Rossetto, da secretaria geral da Presidência da República. Também tentará conversar com o ministro Armando Monteiro, do Desenvolvimento Econômico.
De acordo com Getulio Fonseca, presidente do Simecs, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, o objetivo é expor o quadro do ano passado, que teve o fechamento de cinco mil vagas no setor e queda de 15% no faturamento, e a situação atual de recrudescimento da crise.
Dentre os pedidos o dirigente empresarial cita a maior rapidez nos programas de renovação da frota de caminhão e das concessões das linhas rodoviárias, além de mudanças nos financiamentos do BNDES para compra de equipamentos:
“Não trataremos de taxas de juros, mas que o governo retome a política anterior de financiamento de 100% do bem. Da forma como está, de aporte de 30% a 50% de entrada, de acordo com o perfil do cliente, a compra está muito mais difícil”.
O presidente Assis Melo, do Sindicato dos Metalúrgicos, que agendou os encontros ainda na condição de deputado federal, lembra que o objetivo é criar condições para a manutenção dos empregos e o desenvolvimento local. Além das questões citadas por Fonseca, Melo destacou a demanda em torno de um porto seco em Vacaria, RS, para melhorar o transporte de cargas para Caxias do Sul. O grupo conta com as presenças de David Randon, diretor presidente da Empresas Randon, de Daniel Ely, gerente de recursos humanos do Grupo, e de Mílton Susin, diretor da Volare, unidade independente da Marcopolo.