Nos próximos três anos a divisão da América Latina da PSA Peugeot Citroën desembolsará em torno de € 70 milhões para localizar a produção de peças e componentes atualmente importados. A meta é ampliar dos atuais 65% para 85% o índice de localização da montadora, que, na região, possui fábricas em Porto Real, RJ, e El Palomar, na Argentina.
O anúncio foi feito por German Mairano, diretor de compras da companhia para a região, durante cerimônia de premiação aos melhores fornecedores na tarde da terça-feira, 2. “Desse valor cerca de € 50 milhões serão aplicados no Brasil e € 20 milhões na Argentina. Por aqui temos atualmente 72% de peças localizadas, enquanto na Argentina precisamos avançar mais, pois o índice lá é de 55%.”
O executivo calcula que até o fim do ano a companhia conseguirá elevar a localização regional para 68%. Segundo ele há mais dificuldades em encontrar fornecedores de componentes elétricos, transmissões automáticas e rodas de liga leve – para este item existem empresas que produzem por aqui, mas segundo Mairano elas não conseguem atender à demanda atual da indústria.
“Precisamos importar rodas de liga leve da China porque não as encontramos por aqui.”
O objetivo da PSA Peugeot Citroën é reduzir a exposição de seus negócios ao câmbio. Neste ano a desvalorização do real contribuiu para agravar os problemas da região, que ainda passa por declínio de venda em quase todos os mercados. “Não conseguimos transferir esse aumento de custo para os produtos, até porque o mercado brasileiro é um dos mais competitivos do mundo. Então precisamos reduzir essa exposição ao câmbio.”
Segundo Mairano a montadora não pôde dar início à estratégia nos últimos anos porque estava em processo de reestruturação global. A PSA Peugeot Citroën conseguiu alcançar duas das três metas do plano Back in the Race, ou De Volta à Disputa em tradução livre para o português: redução do endividamento e do custo fixo. A rentabilidade, porém, ficou em 2%, abaixo dos 5% de média global.
Com o avanço no Back in the Race a companhia conseguiu fôlego para investir na localização de peças e para traçar o plano de produtos até 2020. O objetivo é reduzir as atuais sete plataformas globais para apenas duas e produzir em torno de vinte modelos sobre elas.
“Serão duas plataformas: uma para modelos pequenos e uma para médio-grandes. Na América Latina trabalharemos com apenas uma, a ser produzida no Brasil e na Argentina”, afirmou Mairano, dando pistas de que a plataforma de modelos compactos será a escolhida para a região.
Paralelamente à introdução das novas plataformas a PSA Peugeot Citroën segue na busca de redução dos custos. Além da localização de peças, iniciativa a qual Mairano pediu a ajuda dos fornecedores, a companhia introduz sistemas de melhorias produtivas internas e nos parceiros.
Um deles é o chamado Monozukuri, sistema japonês aplicado pela montadora que consiste em identificar em conjunto com o fornecedor possíveis reduções de custo. “Montadora e parceiro se reúnem e, juntos, procuram maneiras de reduzir os custos. Pode ser a adoção de outra embalagem, por exemplo.”
Para este ano a PSA Peugeot Citroën busca economizar € 3 milhões apenas com a aplicação do Monozukuri com cerca de quinze fornecedores. Isso representa em torno de 0,5% do que a companhia gasta com compra de autopeças e componentes na região, € 650 milhões.
Apesar do amplo leque de promoções que montadoras e concessionários vêm adotando, a média diária de vendas permanece abaixo de 11 mil unidades. Com isso, as vendas de veículos mantêm 220 mil unidades/mês como teto, o equivalente a 2,7 milhões/ano, cerca de 20% abaixo do ano passado, conforme comprovaram os dados divulgados nesta semana pela Fenabrave.
O mercado brasileiro automotivo recuou 21% de janeiro a maio na comparação com os primeiros cinco meses do ano passado. Dados divulgados pela Fenabrave no fim da tarde de segunda-feira, 1º, revelam que foram licenciados 1,1 milhão de veículos no período, ante 1,4 milhão de unidades registradas há um ano.
A sexta-feira, 29, marcou a publicação de mais uma nova edição do Guia da Indústria AutoData, que desta vez, e em seu terceiro volume, é dedicada ao segmento de suspensões e componentes de veículos comerciais.