Lançamentos 27/03/2007 20:05
Leandro Alves

Golf brasileiro chega à geração quatro-e-meio

O lançamento do novo Golf nacional foi permeado por suspense milimetricamente produzido pela estratégia de marketing da Volkswagen, que divulgou meses antes da apresentação oficial, a conta–gotas, algumas imagens do carro coberto por um pano vermelho – velho artifício já utilizado antes para atrair a curiosidade do consumidor e sugerir reforma mais profunda do que a realmente operada.

Revelado o carro por inteiro, as previsões se confirmaram: a reestilização foi generosa nos faróis, lanternas, pára-choques e capô – e só. Apesar das poucas mudanças em comparação com o Golf europeu de quinta geração, o resultado agradou. Assim este Golf quatro-e-meio até que é uma boa surpresa e poderá conquistar a participação no segmento de hatches médios que a montadora espera dele: dobrar as vendas, que em 2006 alcançaram 8,3 mil unidades.

Estilo agressivo – O Golf foi o primeiro veículo lançado pelo novo presidente da VW do Brasil, Thomas Schmall, que chegou demonstrando seu estilo acelerado de gestão. Ele surgiu de surpresa na festa de apresentação do modelo, pilotando em pessoa – e esportivamente – o carro dentro de um galpão escuro e cheio de obstáculos, em São Paulo, onde foi encenada perseguição com motos, explosões e alguma adrenalina ensaiada.

Ao descer do carro, Schmall saudou os convidados e reafirmou suas pretensões de fazer a VW mais ágil e atenta aos desejos do consumidor, representados naquele momento pelo novo Golf. Ele conhece bem o produto, pois coordenou de 1999 a 2003 a fábrica de São José dos Pinhais, PR, cuidando da produção do Audi A3, na época feito na mesma linha do Golf.

Novidade que diferencia este Golf dos anteriores é a versão GTI 1.8 turbo de 20 válvulas e 193 cv, agora o automóvel nacional mais potente, superando por apenas 1 cv o recém-lançado Honda Civic Si. De acordo com João Alvarez, diretor de powertrain, o segredo está na capacidade da central eletrônica do motor em reconhecer a octanagem do combustível, oferecendo assim o melhor desempenho possível. Com gasolina boa, portanto, o Golf é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos e chegar à velocidade máxima de 231 km/h.

Outra modificação para elevar as vendas do hatch é o aumento das opções ao consumidor. São cinco versões ante as três ofertadas anteriormente. Novidades: a 1.6 Sportline, que segundo Gustavo Schmitd, gerente de vendas, responderá pelo maior volume – sem citar qual seria essa quantidade –, e a 2.0 Confortline, cujo principal item de série é o ar-condicionado climatronic.

Os preços do novo Golf vão de R$ 48,9 mil pelo 1.6 a R$ 90,5 mil pelo GTI. A Volkswagen reduziu em R$ 400,00 o preço da versão de entrada, mas em compensação aumentou em R$ 1,2 mil o mais sofisticado da linha.


Mudanças – O visual interno foi pouco modificado, pois de acordo a resposta dos consumidores em clínicas o Golf “veste muito bem”. Assim, foram adotadas apenas mudanças discretas com a utilização de elementos metálicos no console central e no painel de instrumentos. Para Gerson Barone, chefe de design, a esportividade do cockpit foi realçada nessa nova meia-geração.

A traseira do Golf mereceu maior atenção da equipe de Barone. O conjunto óptico invadiu a tampa levando o estilo mais próximo ao de modelos já conhecidos como as stations Variant e Spacefox. Elementos circulares formam o conjunto de lanternas que, segundo Barone, passam a sensação das turbinas de um jato supersônico em pleno vôo. No escuro, com os piscas acessos, pode ser essa a percepção dos consumidores. Mas somente nessa condição. Todo o resto é exagero.

Na dianteira o conjunto óptico cresceu e os faróis de dupla parábola lembram os utilizados no Gol. Muitas pessoas brincaram com essa semelhança, chamando o Golf de “Golzão”. As linhas que saem do pára-choque e seguem pelo capô foram inspiradas no “V” já usado em toda a família e no “W” da marca. Mas alguns especialistas do setor automotivo não viram essas linhas na dianteira do Golf.

O hatch médio representa a nova fase da VW no Brasil – e com ela os objetivos que o presidente Schmall e sua renovada equipe de diretores pretendem perseguir: rentabilidade, aumento de vendas e novos produtos, que devem vir na mesma velocidade que o Golf GTI acelera a mais de 200 km/h.
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