Mas os resultados não chegaram aos emplacamentos, por ora. Foram comercializados de janeiro a maio 38,6 mil caminhões, 13,6% abaixo do acumulado de 2025, quando os registros somaram 44,7 mil unidades, de acordo com dados da Fenabrave. Em maio foram emplacados 8,2 mil, queda de 7% com relação ao mesmo mês do ano passado, com 8,8 mil unidades, e retração de 5,3% frente a abril, quando foram vendidos 8,6 mil.
Para o presidente da Fenabrave, Arcélio Júnior, o resultado reflete o compasso de espera de transportadores e autônomos por financiamento a custo subsidiado com recursos do Tesouro e do BNDES, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, em torno de 13% ao ano.
“Caminhões dependem de decisões empresariais de longo prazo. Mesmo com necessidade de renovação de frota o comprador avalia financiamento, previsibilidade de receita e custo operacional antes de investir”, assinalou o dirigente. “Por este motivo a segunda fase do Move Brasil estava sendo bastante aguardada. Com o início de sua operação esperamos uma gradual recuperação deste setor, nos próximos meses.”
A expectativa do setor é que os recursos também sejam esgotados em até dois meses. E, desta vez, o programa dedica R$ 2 bilhões a ônibus e micro-ônibus, inclui a possibilidade de comprar implementos agrícolas e reserva R$ 2 bilhões para autônomos: “Com taxas reduzidas, carência e prazos estendidos para financiamentos a nova etapa do Move Brasil deverá influenciar a retomada de segmentos que vêm apresentando retração”.
Ônibus também seguem em baixa
Sem programas como o Caminho da Escola, uma vez que a nova licitação ainda não foi concluída e algumas entregas ainda se referem ao edital anterior, e na expectativa do Move Brasil 2, os emplacamentos de ônibus também seguem em retração.
No acumulado do ano as vendas somaram 10,4 mil unidades, 11,5% abaixo das 11,7 mil dos cinco meses iniciais de 2025. Em maio os 2 mil emplacamentos ficaram 14,1% aquém dos 2 mil 415 registrados no mesmo mês do ano passado e 14,8% inferiores aos 2 mil 436 de abril.
Influenciado por renovações de frotas urbanas, compras públicas, programas de transporte escolar e decisões de operadores privados o segmento também colocou o pé no freio à espera dos recursos subsidiados, que devem ser suficientes para apenas um mês.
Arcélio Jr avaliou que este é um mercado de ciclos específicos: “A demanda existe mas depende de projetos, licitações, planejamento de mobilidade e capacidade de investimento dos operadores, o que será beneficiado pelo Move Brasil 2”, afirmou. “Com isto é possível que o ritmo de queda diminua e haja certa recuperação para esse segmento nos próximos meses”.