São Paulo — A Volkswagen Caminhões e Ônibus deu mais um passo em sua estratégia de eletrificação do transporte coletivo. Após consolidar a presença do e-Volksbus 22L de piso baixo, que já acumula cerca de 260 unidades comercializadas, a fabricante anunciou duas novas derivações da plataforma elétrica. Trata-se dos e-Volksbus 22H para operações urbanas de piso alto e do e-Volksbus 18H voltado ao segmento de fretamento.
Ambos chegam na Latbus, que será realizada de 11 a 13 de agosto. Embora compartilhem praticamente o mesmo conjunto motriz e tecnológico do modelo já conhecido pelo mercado, os novos veículos ampliam significativamente o leque de aplicações. Segundo Tiago Lourenço, consultor de marketing de produto da Volksbus, a chegada das versões High atende demandas específicas de operadores que não encontravam no piso baixo a configuração ideal para suas rotas.
“O sistema elétrico é praticamente o mesmo do 22L. O que muda é a aplicação e a adequação do produto às diferentes necessidades operacionais”.
Piso alto abre novas oportunidades no transporte urbano
Dessa forma, a principal mudança visual do e-Volksbus 22H está justamente na arquitetura de piso alto, identificada pela letra H na nomenclatura. Entretanto as alterações vão muito além da estética.
Enquanto o 22L foi concebido prioritariamente para corredores urbanos com embarque convencional e forte demanda por acessibilidade, o 22H mira sistemas de transporte que utilizam plataformas elevadas de embarque. Além disso atende cidades que tradicionalmente operam com ônibus de piso alto.
Nesse sentido, o modelo surge como alternativa para sistemas BRT e corredores estruturados como Brasília, DF, Curitiba, PR, Porto Alegre, RS, e Belo Horizonte, MG.
O veículo mantém configuração 4×2 e pode receber carrocerias entre 12,5 e 13,5 metros de comprimento. Dependendo da configuração exigida pelo órgão gestor local, a capacidade pode alcançar até 82 passageiros. Além disso, o novo entre-eixos de 6,1 metros já sai pronto de fábrica para acomodar diferentes comprimentos de carroceria. Assim, simplifica o processo de encarroçamento e amplia a flexibilidade para operadores e fabricantes de carrocerias.
Trem de força permanece como destaque
Do ponto de vista técnico a Volkswagen optou por preservar a arquitetura já validada no mercado. Dessa forma, o motor elétrico central entrega 280 kW, equivalentes a aproximadamente 380 cv. A transmissão da força ocorre por meio de um conjunto composto por cardan e eixo diferencial convencional. Ou seja, conceito bastante semelhante ao utilizado em ônibus e caminhões a diesel.
A escolha não foi feita por acaso. Segundo Lourenço, a fabricante buscou um sistema conhecido pelas equipes de manutenção e capaz de aproveitar componentes já amplamente utilizados na rede de assistência.
O conjunto desenvolve torque de até 250 mkgf nas rodas. Contudo, a eletrônica controla a entrega de força para garantir conforto aos passageiros, evitar trancos e preservar a durabilidade dos componentes.
O eixo traseiro também reforça a robustez do projeto. Trata-se de um conjunto derivado de aplicações extrapesadas em caminhões. Como resultado, é preparado para suportar elevados níveis de torque.
Baterias mantêm autonomia de referência
Os novos modelos utilizam baterias LFP, lítio-ferro-fosfato, fornecidas pela CATL. Segundo a engenharia da Volksbus, essa tecnologia é reconhecida pela durabilidade e segurança operacional.
Na configuração de 12 packs, o sistema armazena até 380 kWh de energia. Segundo a VW a autonomia de referência permanece em aproximadamente 250 quilômetros. Entretanto, fatores como topografia, carga transportada, uso do ar-condicionado e perfil da rota influenciam diretamente o resultado.
Para operações com menor exigência de autonomia, existe também uma configuração com oito packs, opção que reduz o investimento inicial do operador. E a autonomia cai para em média 200 km.
Outro diferencial está na padronização de componentes com as famílias e-Delivery, Volksbus diesel e demais produtos da marca. Consequentemente, a rede de concessionárias já preparada para veículos elétricos consegue oferecer suporte técnico com maior rapidez e menor complexidade.
e-Volksbus 18H leva eletrificação ao fretamento
Se o 22H amplia a atuação no transporte urbano, o e-Volksbus 18H inaugura uma frente considerada estratégica pela Volkswagen. O modelo foi desenvolvido especificamente para operações de fretamento, segmento que vem ganhando importância nas estratégias ESG de grandes empresas.
Na prática, o veículo compartilha motor, baterias, suspensão pneumática, sistemas eletrônicos e arquitetura elétrica com o 22H. A principal diferença aparece na calibração do eixo traseiro.
Enquanto o urbano utiliza relação de diferencial de 5,63:1 para privilegiar arrancadas frequentes e circulação em baixas velocidades, o fretamento adota relação de 4,63:1. Essa alteração permite velocidades operacionais mais elevadas e melhor adequação a trajetos rodoviários.
O limitador eletrônico chega a 90 km/h, contra faixas entre 50 e 70 km/h normalmente adotadas no transporte urbano.
Menos peso e mais eficiência na estrada
Outra diferença importante está na capacidade de carga. O e-Volksbus 18H tem PBT de 18 toneladas, enquanto o urbano opera com 22 toneladas. A redução decorre principalmente da adoção de pneus específicos para operações rodoviárias e de fretamento.
Embora mantenham a medida 295/80 R22.5, os pneus utilizam compostos e estruturas diferentes dos empregados no transporte urbano. Dessa forma, permite melhor desempenho em velocidades mais elevadas.
Com isso, o modelo pode receber carrocerias entre 12,5 e 13,5 metros e transportar até 44 passageiros sentados.
Segundo Lourenço, a potência de 380 cv oferece ampla margem operacional para esse tipo de aplicação. “O veículo de fretamento transporta praticamente metade da carga de passageiros do urbano. Por isso, o conjunto motriz trabalha com bastante folga e garante maior desempenho”.
Mercado mira empresas e mineração
Seja como for, a Volkswagen enxerga forte potencial para o 18H em operações corporativas, industriais e de mineração. O movimento acompanha a crescente pressão por redução das emissões de carbono em cadeias produtivas e programas de sustentabilidade empresarial.
Empresas que já adotam metas ambientais rigorosas começam a avaliar a eletrificação do transporte de funcionários como uma das formas mais rápidas de reduzir emissões indiretas.
Nesse cenário, o novo e-Volksbus 18H surge como alternativa para rotas previsíveis, característica comum em operações de fretamento. Além disso, a fabricante acredita que a robustez da suspensão pneumática eletrônica e dos sistemas embarcados atende plenamente trajetos que incluem acessos a plantas industriais, minas e áreas operacionais. Ou seja, o uso misto.





