Ponta Grossa, PR — A DAF não trará sua nova geração de cabines ao mercado brasileiro neste ano. Embora protótipos circulem em testes pelo País, a empresa garantiu que não trabalha com este lançamento no curto prazo. Em vez disto seu plano concentra investimentos na ampliação da linha de caminhões vocacionais e no fortalecimento da família CF, especialmente semipesados.
Segundo Carlos Fraga, diretor de vendas da DAF Caminhões Brasil, a decisão está alinhada à filosofia da companhia de validar exaustivamente qualquer novo produto antes de colocá-lo à disposição dos clientes.
“A DAF conquistou espaço no Brasil pela robustez e confiabilidade dos seus caminhões. Antes de lançar qualquer produto nós testamos muito, em condições extremamente severas, para garantir que ele entregue exatamente aquilo que o cliente espera”, disse o executivo.
Por isso, apesar das especulações em torno da nova cabine, Fraga confirma que ela ainda não faz parte do planejamento imediato da operação brasileira. Desta forma não será lançada na Fenatran. “O caminhão novo virá, mas não agora”.
Crescimento virá fora das estradas
Enquanto o mercado aguardava novidades no segmento rodoviário, a DAF voltou sua atenção para outro movimento. Ou seja, aumentar sua presença em aplicações vocacionais.
Para a empresa este segmento representa a principal oportunidade de expansão nos próximos anos.

“O mercado brasileiro é muito diferente do europeu. Aqui existem nichos muito específicos. Caminhão para mineração, construção, cana, floresta, coleta de resíduos etc. Cada aplicação exige uma configuração própria. É justamente aí que enxergamos espaço para crescer.”
Segundo ele a marca já consolidou sua posição nos pesados rodoviários com a linha XF, hoje responsável pelo segundo caminhão extrapesado mais vendido do Brasil. Agora o objetivo passa a ser ampliar a operação onde a empresa ainda tem menor participação.
“O crescimento da DAF virá principalmente nos veículos vocacionais e nos semipesados.”
Além disso, Fraga confirmou que a expansão começará a ganhar novos capítulos ainda este ano, com a ampliação da oferta de configurações dedicadas a operações fora de estrada e a aplicações específicas.
Juros elevados mudam o perfil do mercado
O plano também acompanha uma mudança importante no mercado brasileiro. Com a alta das taxas de juros o segmento de extrapesados perdeu participação nas vendas, enquanto os semipesados passaram a responder por uma fatia maior dos emplacamentos.
Segundo Fraga este novo cenário reforçou a necessidade de diversificar o portfólio: “As montadoras mais concentradas em pesados sentiram esta mudança de mix. Por isso entendemos que precisamos estar presentes em mercados que hoje crescem mais.”
Além do ambiente econômico programas públicos de renovação de frota e compras governamentais também aumentam a demanda por caminhões destinados à construção civil, coleta de resíduos, caminhões-pipa e outras aplicações especiais.

Linha CF ganha protagonismo
Na prática este movimento já começou com a evolução da linha CF. Segundo Alekson Felício, gerente de planejamento de produto e engenharia de vendas da DAF Caminhões, a família passou de uma gama concentrada em motores de 7 litros para oferecer também versões de 9 e 13 litros. Ampliando, significativamente, sua versatilidade.
“O CF tornou-se nossa carta coringa. Hoje conseguimos atender desde operações urbanas até aplicações extremamente severas.”
O executivo destacou que o motor Paccar PX-7 abriu portas principalmente no segmento dos semipesados. Além de conquistar novos clientes ajudou a romper a imagem de que a DAF fabricava apenas extrapesados: “Conseguimos levar para os semipesados atributos que sempre diferenciaram nossos caminhões pesados, como conforto, acabamento, ergonomia e robustez”.
Motor de 9 litros amplia atuação
Outra aposta da fabricante está no novo motor Paccar MX-9. Apresentado na Fenatran de 2024 atende a operações de distribuição regional, centros de distribuição, comércio eletrônico e transporte inter-industrial.
Segundo Felício trata-se de um caminhão pensado para rotas médias. Ou seja: normalmente para rotas inferiores a 1 mil quilômetros: “O foco está em operações de volume.”
Embora a participação ainda seja discreta o executivo acredita que a presença do modelo aumentará à medida que o mercado absorver melhor suas aplicações.
Mineração abre nova frente de negócios
Um dos maiores avanços da DAF é a entrada definitiva na mineração. A fabricante lançou o CF 8×4 equipado com motor Paccar MX-13 de 480 cv e capacidade técnica para 58 toneladas de PBT.

Segundo Felício entrar neste mercado representou um desafio, já que se trata de um segmento extremamente tradicional: “Ninguém chega na mineração e torna-se líder de imediato. Os clientes costumam testar o produto durante bastante tempo”.
Mesmo assim a resposta inicial superou as expectativas da empresa. Além do mercado brasileiro o modelo começou a ser exportado para Chile e Peru, dois dos principais mercados latino-americanos de mineração. O que comprova a aceitação do produto em mercados desafiadores.
Conforto também virou argumento no fora de estrada
Embora robustez continue sendo prioridade a DAF aposta no conforto como diferencial para conquistar clientes do segmento vocacional. Não por acaso o caminhão utiliza praticamente a mesma cabine CF aplicada nos modelos rodoviários.
Segundo Felício isto proporciona melhor isolamento acústico, ergonomia e ambiente de trabalho superior ao encontrado tradicionalmente no segmento: “O motorista percebe imediatamente esta diferença. Temos relatos de clientes em que há disputa para dirigir um DAF novo”.
Além disto equipamentos como ar-condicionado de série, menor nível de ruído e posição de condução mais confortável ajudam as transportadoras a enfrentar um problema crescente de escassez de motoristas: “O conforto deixou de ser luxo. Hoje ele também ajuda na retenção de profissionais”.
Segurança ganha reforço na mineração
Nos modelos destinados à mineração, a DAF incorporou soluções específicas para aumentar segurança e disponibilidade. Dentre elas está o Intarder, freio auxiliar integrado à transmissão, que trabalha em conjunto com o freio motor e proporciona cerca de 1,3 mil Nm, 132 mkgf, de capacidade de frenagem. Segundo Felício trata-se do maior sistema de frenagem da categoria.
O caminhão também utiliza redução nos cubos com cinco planetárias, suspensão reforçada e sistemas eletrônicos herdados dos modelos rodoviários, como controle eletrônico de estabilidade e controle de tração.
“A mineração trabalha praticamente 24 horas por dia, todos os dias. Por isto o caminhão precisa oferecer máxima disponibilidade e reduzir ao mínimo as paradas corretivas.”
Fenatran marcará nova fase do plano
Sem antecipar pormenores sobre os lançamentos Carlos Fraga confirmou que a próxima Fenatran refletirá exatamente esta mudança de posicionamento. Com isto a expectativa é apresentar novas soluções para o segmento vocacional e ampliar ainda mais o portfólio da linha CF.
Mais do que uma nova cabine a DAF quer mostrar que encontrou outro caminho para crescer no Brasil e ocupar espaços onde ainda tem baixa participação e aproveitando a transformação do mercado nacional de caminhões.















