O mercado automotivo movimenta, anualmente, US$ 10 trilhões, e o aftermarket representa 10% desta receita, ou seja, US$ 1 trilhão. Mas, quando se fala do lucro, a participação da reposição sobe para 40%. O mesmo acontece com os fornecedores, uma vez que correspondem a 15% do total do faturamento do setor, mas abocanham até 30% do lucro de todo este mercado.
Com o objetivo de mostrar o peso da reposição no Brasil, os desafios para os próximos anos com movimento crescente de importações – de componentes importantes do veículo – e o avanço da eletrificação, o sócio sênior da McKinsey & Company, Alessandro Rosa, e o parceiro associado Daniele Nadalin apresentaram o estudo Perspectivas sobre o Aftermarket Automotivo Brasileiro durante o evento Conexão Abipeças, realizado pelo Sindipeças e pela Abipeças.
De acordo com o levantamento em 2024 as empresas fabricantes de autopeças geraram receitas de R$ 43 bilhões com o aftermarket no Brasil, incluídas fabricantes locais e de fora. Mercado este que praticamente dobrará de tamanho em 2040, sem descontar a inflação, para R$ 79 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 3% a 3,5% ao ano.
O cenário reflete pontos positivos, como a mudança de conteúdo por veículo, que tem se tornado cada vez mais sofisticados, complexos e ainda mais onerosos. Este fato agregará R$ 27 bilhões ao mercado até 2030. Outro destaque é o crescimento da frota em circulação, o que demandará um volume cada vez maior de partes e peças.
Um terceiro ponto traz, porém, impacto negativo ao mercado de peças. É prevista desaceleração provocada pelo aumento dos veículos elétricos em circulação, uma vez que os BEVs tendem a ter demanda por autopeças 25% menor sem um motor a combustão e seus milhares de componentes, ainda que a mão de obra seja mais cara comparativamente a veículos com esse tipo de motorização.
Ao mesmo tempo o aumento do faturamento do setor global é impulsionado, de acordo com Rosa, pelo significativo incremento do número de novos players e por atividades de recuperação de peças, o que têm ganhado espaço. Para manterem-se competitivas as empresas locais necessitam explorar tendências de maior impacto, como os conceitos de economia circular. E é aí que entra a transformação digital, com processos de digitalização e de design por meio da inteligência artificial, tendência que, ao que o estudo indica, veio para ficar.
IMPORTAÇÕES DA CHINA DOMINAM
Esta reportagem foi publicada na edição 433 da revista AutoData, de Junho de 2026. Para lê-la completa clique aqui.
Foto: Arte Gemini








