Em destaque

Tecnologias híbridas representarão metade da receita da Litens até 2030

Em 2026 participação passará de 5% a 10% na receita bruta de montadoras, cuja expectativa é que encerre o ano com alta de 10%, para R$ 400 milhões
litens tecnologia

São Paulo – Frente ao avanço da eletrificação a Litens, fabricante de componentes para powertrain como tensionadores e polias de isolamento do virabrequim, com fábrica em Atibaia, SP, projeta que metade de sua receita com as montadoras venha de sistemas híbridos até 2030.

Atualmente 5% do faturamento bruto decorrem de vendas relacionadas à motorização híbrida. Até o fim do ano a ideia é dobrar o porcentual. O objetivo é encerrar 2026 com acréscimo de 10% no faturamento bruto do negócio OEM, aos R$ 400 milhões, apoiado na premissa de que todo carro híbrido nacional carregue ao menos um componente da empresa, ainda impulsionado pelos híbridos leves.

Foi o que contou à Agência AutoData Bruno Fragoso, até junho presidente da operação brasileira e vice-presidente de vendas e marketing. Neste mês assumiu a função de presidente global da Litens, sediada em Toronto, Canadá. 

Ainda que a projeção estimada no início do ano passado fosse de incremento de 20% na receita brasileira em 2026, o que foi diminuído por causa da forte invasão chinesa, Fragoso sustenta alta de dois dígitos este ano: “Não há o que fazer. A cada chinês que ingressa no mercado local é um carro nacional que deixa de ser vendido. Como eles estão abocanhando boa parte da fatia sofremos impacto”.

Fragoso concorda com a competição dos diferentes modelos e tecnologias mas reforçou a importância de proteger e fortalecer a indústria brasileira e regulamentar melhor a entrada dos importados a fim de manter os empregos gerados no setor.

“A Litens fornece para GWM e BYD na China. Mas aqui, por enquanto, não há nada firmado”, disse. “A GWM parece ter um programa um pouco mais sério e estruturado, andando na direção de que vai localizar. Participamos das rodadas de negócios. Mas a BYD por enquanto não deu indícios.”

litens produção atibaia
Produção local de chinesas estimulará novo ciclo de investimentos

O executivo, no entanto, assegurou que, se a política industrial brasileira realmente caminhar na direção de não incentivar a montagem de kits SKD e CKD em detrimento da produção completa de veículos local este será o próximo ciclo de investimento da companhia no País.

“Os híbridos nós conseguiríamos atender com nossa linha atual e o investimento de R$ 30 milhões que estamos concluindo, com esta finalidade”, assinalou Fragoso. “Mas os elétricos demandarão aporte adicional para suportar produção seriada no Brasil.”

Hoje são produzidas na unidade do Interior paulista 7 milhões de peças por ano. A capacidade instalada com o investimento recente, porém, amplia este volume a 9 milhões – para tanto o efetivo de 250 trabalhadores teria de ganhar reforço de trinta a quarenta operários em um terceiro turno de produção — hoje a empresa funciona em dois.

Praticamente todas as montadoras são clientes da Litens no País: Stellantis, Volkswagen, General Motors, Renault e Hyundai: “Só não atendemos aquelas que não têm a fabricação local de motores”.

A demanda da Stellantis consumiu um terço dos R$ 30 milhões, com a produção do tensionador V, desenvolvido localmente em parceria das empresas em 2025. No caso da Volkswagen tecnologia presente em polia do alternador que reduz emissão já estava presente em 60% dos seus carros a combustão. E, recentemente, a montadora ampliou a presença nos modelos de entrada, que não tinham a peça.

Dentre os veículos comerciais Mercedes-Benz e Volvo estão na carteira: “No ano que vem lançaremos uma linha de peças pesadas, dentro deste investimento de R$ 30 milhões”.

Aumento da hibridização deverá elevar conteúdo local a 60% 

Na média o índice de nacionalização da Litens gira em torno de 40% – segundo o executivo o elevado preço do aço dificulta o aumento deste porcentual. Peças para veículos a combustão, por outro lado, têm 80% de conteúdo local. Outro desafio é a adesão paulatina das novas tecnologias pelo consumidor, como a hibridização.

No caso dos dois itens nacionalizados com o investimento recente, a polia que faz o isolamento do virabrequim e o tensionador para híbrido, 80% da matéria-prima ainda são importados: “Primeiro trouxemos a linha. O próximo é continuar desenvolvendo fornecedores locais”.

Fragoso justificou que se a demanda global pelo tensionador é de 2 milhões de itens por ano, mas no Brasil são usados 60 mil — é mais viável obter insumos importados do fornecedor que atende montadoras de todo o mundo: “Quando o híbrido chegar a 300 mil ou 400 mil unidades/ano a conversa muda e podemos tornar viável a nacionalização”.

Na esteira do avanço da hibridização ele acredita que o porcentual de conteúdo local chegue a 60% até 2030. 

Plano é que um terço seja exportado 

Para balancear as oscilações do mercado interno o objetivo é ampliar, cada vez mais, a fatia da produção exportada. O plano para a exportação, que hoje representa em torno de 22% do total produzido em Atibaia, é chegar a um terço: “Atingiremos em dois anos”.

Do volume, porém, 40% têm como destino os Estados Unidos: “Um imposto de 25% ou qualquer coisa acima disso inviabiliza o envio de componentes ao país”.

Isto não significa, no entanto, que a empresa deixará de crescer até porque existe um horizonte em que os embarques para a União Europeia compensarão, em parte, o que seria enviado aos Estados Unidos.

Havendo melhora no cenário a ideia é ampliar em 10% as exportações até 2030. Outros principais destinos são a União Europeia, o México e o Sul da Ásia – e, em breve, Japão deverá integrar a lista. Quanto à Argentina a unidade no país vizinho praticamente produz para abastecer seu mercado local: “Inclusive se a situação na Argentina não mudar e o governo não fomentar maior competitividade a Litens tem como plano B trazer a produção de lá para cá”.

De toda forma a companhia tem plano robusto de, até 2028, ampliar a fatia embarcada para 33% do total: “Isto também faz parte dos R$ 30 milhões que anunciamos no início do ano passado para equipar veículos híbridos”.

A Litens tem duas fábricas na América do Sul, sendo uma no Brasil e outra na Argentina, outras duas no Canadá, uma nos Estados Unidos, onde também está montando um CD, centro de distribuição, uma na Espanha, na Alemanha, na Romênia, na Polônia, onde também há um CD, na Índia e duas na China, totalizando doze unidades produtivas e vinte centros de engenharia – um deles em Atibaia.

fiat

Notícias relacionadas

fiat
fiat

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

fiat