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Kia Tasman chega ao Brasil por R$ 250 mil

Primeira picape da fabricante coreana têm visual estranho e projeto robusto, com boa capacidade off-road

Itu, SP – A Tasman, primeira picape da Kia no mundo, foi inicialmente pensada para ser vendida no mercado australiano. Daí o seu nome, que remete à Tasmânia, ilha na costa sul da Austrália conhecida por suas vastas áreas selvagens e de relevo acidentado.

Parece coerente que também venha de lá a inspiração para o estranho visual do veículo, com traços quadrados e dianteira bastante exótica que fazem lembrar do mais famoso ser vivo daquele território, o Diabo-da-Tasmânia, eternizado pelo divertido personagem dos desenhos animados da Warner Bros, o Taz.

É com a Tasman e seu visual, digamos, diferente, e preço único de R$ 249 mil 990, que o importador exclusivo da marca no Brasil, o Grupo Gandini, busca tentar beliscar um naco do crescente e rentável mercado de picapes médias no País, que saiu de 107 mil unidades emplacadas em 2020 para 150 mil em 2025 e já passa de 86 mil este ano até julho.

Presidente da empresa que introduziu a marca coreana ao mercado brasileiro, há mais de três décadas, José Luiz Gandini afirma que sua empresa, apesar de notícias em contrário, segue firme como “representante exclusiva da Kia no Brasil e no Uruguai” e que a Tasman deverá atrair novos clientes brasileiros: “É um segmento em crescimento que queremos explorar”.

O empresário aponta que a Kia tem tradição em trazer SUVs 4×4 para o Brasil há muito tempo – como o Sportage que chegou em 1995, seguido depois por Sorento e Mojave. A ideia, agora, é transferir essa reputação para sua primeira picape, que para além da Austrália e mercados asiáticos começou este ano a ser vendida também em países sul-americanos, como o Chile.

Tasman foi desenhada para chamar a atenção

Goste ou não o fato é que a Tasman chama a atenção. Não se parece em nada com outras picapes de sua categoria e seu visual bruto foi concebido para ser mesmo diferente de tudo – na dianteira os faróis verticais de LED dão a impressão daquele ser um rosto sem olhos.

Antes de ser um defeito os executivos da Kia no Brasil julgam que justamente esse visual diferente, que preferem chamar de “brutalmente autêntico”, tem potencial para conquistar muitos clientes de picapes no País, como diz o gerente de produto Rafael Decole: “Ser diferente é uma escolha. A Tasman foi desenhada para ser lembrada”.

Ninguém no Grupo Gandini arrisca uma projeção de vendas no Brasil. De início poucas unidades da Tasman foram importadas da Coreia dos Sul.

Primeiro a ideia é testar a aceitação do mercado com a versão GL, a mais barata, e ainda este ano chega uma opção mais acima, ainda sem sigla de batismo, que trará como principal diferencial a inclusão de sistemas de assistência ao motorista, os ADAS, como piloto automático adaptativo ACC e centralização de manutenção de permanência em faixa de rodagem – sistemas que a GL não tem.

O cálculo é que os atributos de desempenho, conforto e robustez da Tasman serão suficientes para atrair clientes brasileiros de picapes à Kia, assim como o preço, ajustado para ficar em linha com a maioria das picapes médias vendidas no País.

Estranha por fora, boa e bonita por dentro

Se por fora o visual concentra mais opiniões negativas, por dentro a conversa é outra. Segundo a Kia a Tasman não deriva de nenhum de seus veículos, foi desenvolvida desde o início para ser uma picape 4×4, após 18 mil ciclos de testes em diferentes ambientes. Seu design robusto foi pensado para combinar com sua grande capacidade off-road.

O resultado é um veículo de proporções avantajadas: 5m41 de comprimento, 1m93 de largura, 1m87 de altura e entre-eixos de 3m27, o que garante bom espaço interno na cabine dupla para até cinco ocupantes. São medidas que colocam a Tasman em pé de igualdade ou à frente de concorrentes como Toyota Hilux e Ford Ranger. Aliás a caçamba, que acomoda 1 mil 173 litros, tem mais espaço volumétrico do que as duas competidoras.

A cabine é bem-acabada com revestimentos de couro e os ocupantes têm espaço de sobra. O amplo console central abriga a alavanca do câmbio automático de oito marchas e botões que selecionam sete modos de condução – três deles para o ambiente fora-de-estrada – e funções do freio de estacionamento eletrônico.

Duas telas de 12,3 polegadas, uma do quadro de instrumentos digital e outra da central multimídia, complementam o visual tecnológico do interior da Tasman.

A parte traseira também reserva bastante espaço de 915 mm para as pernas dos ocupantes e o conforto térmico é garantido por saídas de ar-condicionado exclusivas para quem viaja atrás. Os assentos traseiros são basculantes e embaixo existe um compartimento de 45 litros para guardar objetos, como a caixa de ferramentas.

A chave conta com a funcionalidade de acionamento remoto do motor e também trava/destrava a tampa da caçamba.

O isolamento a cabine instalada sobre chassi foi bem trabalhado, impedindo a transmissão de ruídos e vibrações para dentro do habitáculo, o que aumenta o conforto a bordo.

Sob o capô a Tasman tem um motor turbodiesel de 210 cv e torque máximo de 45 kgfm, acoplado a câmbio automático de oito marchas. A tração integral se ajusta entre 4×2 e 4×4 automaticamente, conforme a leitura do solo, mas também é possível escolher manualmente os sete modos de tração. Com ângulos de entrada e saída avantajados, altura do solo de 231 mm e podendo submergir na água até 800 mm, a Tasman encara os mais difíceis terrenos.

Com consumo energético de 2,67 megajoules por quilômetro, tanque de Arla 32 de 14 litros e de 80 litros de diesel, a autonomia chega a 800 quilômetros.

Embora a versão GL escolhida para iniciar as vendas no Brasil não conte com os sistemas de auxílio ao motorista mais avançados, a Tasman de entrada já traz um bom pacote de segurança, incluindo seis airbags, frenagem automática de emergência, assistente de partida em rampas, freio de estacionamento eletrônico, sensores de estacionamento traseiro e dianteiro, câmera de ré e assistência eletrônica de estabilidade extensível ao reboque.

A garantia é de cinco anos e as revisões têm preço fixo. O cliente também pode optar por comprar assessórios epescialmente projetados para a Tasman, como capota marítima, snorkel [caso o veículo seja utilizado em situações de imersão na água] e engate.

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