São Paulo – A busca por mais eficiência e conforto já deixou de ser exclusividade dos automóveis. No transporte comercial a evolução das transmissões automáticas ganhou espaço justamente onde o motorista enfrenta trânsito intenso, sucessivas paradas e operações que exigem precisão nos engates. É neste cenário que a ZF aposta na PowerLine, transmissão automática de oito marchas destinada a caminhões e ônibus de 13 a 23 toneladas.
Segundo Caio Silva, gerente sênior da linha de produto de tecnologias de driveline para veículos comerciais da ZF América do Sul, a PowerLine já equipa veículos da Volkswagen Caminhões e Ônibus no Brasil. A aplicação inclui caminhões de 17 toneladas e ônibus de 17 e 18 toneladas.
Contudo a transmissão não nasceu especificamente para veículos comerciais. A ZF desenvolveu a arquitetura a partir de uma solução utilizada em automóveis. Mas reforçou o conjunto para atender às exigências de caminhões e ônibus.
Automática de oito marchas
Com oito velocidades a PowerLine pesa cerca de 158 kg e utiliza aproximadamente 17 litros de óleo. Além disto a transmissão suporta torque máximo de 1,2 mil Nm e trabalha com relações que vão de 4,89 a 0,64.
Por outro lado a ZF não define a aplicação apenas pelo torque do motor ou pelo peso do veículo. A sistemista analisa a configuração completa do veículo antes de liberar a transmissão para determinada operação. “Os dois principais pontos são peso e torque, mas não são as únicas variáveis para as quais olhamos.”
Assim um caminhão que ultrapasse o limite de torque da transmissão, por exemplo, pode exigir uma configuração específica ou até mesmo não se enquadrar na aplicação. Em determinadas situações a ZF pode estabelecer condições de operação mais restritivas, como limitar o torque ou reduzir o intervalo de manutenção.
Conforto de automóvel no caminhão
A arquitetura derivada de uma transmissão de automóvel também influencia diretamente o comportamento da PowerLine. Segundo a ZF o sistema proporciona engates mais suaves e agrega funções eletrônicas que já fazem parte da experiência dos veículos de passeio.
Dentre os recursos estão funções de auxílio em rampas e integração com os sistemas de freios. A arquitetura também permite trabalhar em conjunto com sistemas de controle de velocidade adaptativo.
Consequentemente o motorista ganha uma condução mais confortável, principalmente em operações urbanas. Afinal uma transmissão automática precisa lidar com uma quantidade muito maior de ciclos de aceleração, desaceleração e paradas do que em uma operação rodoviária.
Esta característica ganha importância em regiões nas quais o veículo enfrenta dezenas de trocas de marcha por quilômetro. Neste cenário a automação elimina a necessidade de intervenções constantes do motorista e mantém o conjunto trabalhando dentro da faixa adequada de funcionamento.

Consumo também entra na conta
Além do conforto a eficiência aparece como um dos principais argumentos da PowerLine. O próprio conceito do nome PowerLine está relacionado à capacidade de transmitir o torque de forma eficiente após a saída do veículo.
O conversor de torque atua principalmente na fase de arrancada. Depois que o veículo entra em movimento o sistema desacopla o conversor, reduzindo as perdas e permitindo a transmissão mais direta do torque.
Por isto, segundo a ZF, a PowerLine pode alcançar consumo de combustível competitivo com relação às transmissões manuais. Silva ressaltou, porém, que o resultado depende da aplicação, da configuração do veículo e da operação.
Manutenção com intervalos diferentes
Seja como for outro ponto destacado pela ZF envolve a manutenção. A empresa trabalha com intervalos diferentes de troca de óleo conforme o tipo de operação.
No transporte rodoviário o intervalo chega a 240 mil quilômetros ou três anos, o que ocorrer primeiro. Já no uso urbano a recomendação cai para 120 mil quilômetros.
A diferença acompanha a maior severidade da operação urbana. Afinal o anda e para constante exige mais do conjunto e aumenta o número de ciclos de funcionamento da transmissão.
Produto já está em série desde 2023
Embora a PowerLine ganhe destaque agora com novas aplicações, Silva esclareceu que o produto entrou em produção em série no País em 2023. Atualmente a Volkswagen Caminhões e Ônibus concentra as aplicações da tecnologia.
Agora a ZF considera o produto em uma fase de maior maturidade. A experiência acumulada permite compreender melhor as configurações dos veículos e, consequentemente, avaliar novas oportunidades.
“Já temos uma quantidade de produtos vendidos, um entendimento da configuração e expectativa de novos lançamentos com novos clientes.”
Principal faixa do mercado
Todavia a estratégia também conversa com o tamanho do mercado. A PowerLine atende veículos de 13 a 23 toneladas, justamente uma faixa considerada estratégica pela ZF em razão do volume de caminhões comercializados no Brasil.
Assim a transmissão pode avançar tanto para veículos menores quanto para modelos de maior capacidade dentro deste intervalo de força desde que torque, peso e demais características técnicas estejam de acordo com os parâmetros da ZF.























