Hannover, Alemanha — Enquanto acelera o desenvolvimento de caminhões elétricos e a célula de combustível a hidrogênio, a Mercedes-Benz Trucks deixa claro, na IAA Transportation 2026, que o motor a combustão ainda terá espaço relevante no transporte pesado.
Assim a fabricante leva para a feira como resposta o Powerliner, a nova geração do trem de força convencional para caminhões pesados de longa distância. O projeto integra motor, transmissão e eixo e busca reduzir consumo, aumentar torque e melhorar a dirigibilidade sem abrir mão da autonomia e da flexibilidade que ainda pesam na decisão de compra de transportadores.
Segundo a Mercedes-Benz o conjunto pode reduzir o consumo de combustível em até 4%. A nova arquitetura também prepara a marca para os próximos anos de evolução regulatória do diesel. Enquanto isto a infraestrutura necessária para ampliar a eletrificação ainda avança em ritmo inferior ao exigido pelas metas europeias.
Motor trabalha em rotações mais baixas
O Powerliner reúne um novo projeto de combustão, turbocompressores otimizados, novas gerações de transmissão e uma calibração para o funcionamento em rotações mais baixas.
A Mercedes-Benz desenvolveu o sistema como um conjunto. Desta forma não se trata apenas de uma nova geração de motor mas de uma arquitetura que coordena os principais componentes responsáveis pela entrega de força e pela eficiência energética.
Os novos motores OM 470 e OM 471 fazem parte deste pacote. Além de equiparem os caminhões também chegarão aos ônibus da Daimler Buses.
A combinação busca por maior torque e capacidade de tração além de reduzir o consumo. Na prática a fabricante mira principalmente aplicações nas quais autonomia, robustez, flexibilidade operacional e custo total continuam sendo determinantes.
O Powerliner integra ainda uma plataforma global de motores pesados da Daimler Truck. A arquitetura também serve de base para a nova família Detroit Gen 6 destinada aos mercados da América do Norte.
Com isto a companhia amplia a escala de desenvolvimento de componentes e utiliza a mesma base tecnológica em diferentes marcas e mercados.
A produção dos OM 470 e OM 471 ocorrerá na fábrica de Mannheim, Alemanha. O novo trem de força estará disponível nos Mercedes-Benz Actros e Arocs a partir de abril de 2027.

Segurança ganha nova camada eletrônica
A evolução do caminhão, entretanto, não acontece apenas no trem de força. A Mercedes-Benz aproveita a nova arquitetura eletrônica para ampliar a atuação dos sistemas de segurança ativa.
Um dos principais lançamentos é o Active Cross Traffic Assist. O sistema identifica situações de risco provocadas por veículos ou motocicletas que cruzam rapidamente a trajetória do caminhão e pode auxiliar o motorista diante de uma possibilidade de colisão.
Já o Active Sideguard Assist 3 amplia a proteção lateral. A nova geração passa a atuar nos dois lados do veículo e, pela primeira vez, também oferece suporte em conversões para o lado do motorista, com possibilidade de intervenção automática de frenagem dentro dos limites do sistema.
A tecnologia busca reduzir um dos riscos mais críticos da operação urbana de veículos pesados. Ou seja: colisões durante conversões e manobras nas proximidades de outros usuários da via.
Outro avanço aparece no Active Drive Assist 3, sistema de assistência à condução parcialmente automatizada. A nova geração ganha uma função de centralização de faixa aprimorada, armazenamento de configurações individuais do motorista e uma maneira mais rápida de desligar a assistência de direção por meio de um botão no volante.
A Mercedes-Benz também apresenta o Attention Assist 2. Por meio de uma câmara o sistema identifica sinais de distração, fadiga ou possível episódio súbito e involuntário do sono, que dura segundos. Por isto o sistema emite alertas ao motorista.
Assim a eletrônica embarcada passa a desempenhar papel mais amplo no caminhão. Ela não apenas informa o condutor mas também pode interferir na condução em situações críticas, dentro dos limites previstos para cada sistema.























