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Mercedes-Benz eActros 600 vai dar a volta ao mundo e chegará ao Brasil

Tobias Wagner iniciou em 21 de setembro expedição de 45 mil km por mais de 30 países, com cerca de 80 recargas e passagem pelo Brasil
Expedição eActros
Fotos: Andrea Ramos

Hannover, Alemanha – Um caminhão elétrico enfrentará um dos mais ambiciosos testes de longa distância já propostos pela Mercedes-Benz. A partir de 21 de setembro o caminhoneiro e influenciador alemão Tobias Wagner parte para uma volta ao mundo com um eActros 600, em uma jornada de aproximadamente 45 mil quilômetros por mais de trinta países.

O desafio inclui cerca de oitenta recargas e passagens por diferentes continentes, climas, estradas e condições de infraestrutura. O roteiro começa na Europa, avança para a China, segue para a América do Norte e América do Sul, também incluindo o Brasil.

Mais do que estabelecer uma marca de quilometragem Wagner quer transformar a viagem em uma espécie de laboratório sobre a eletrificação do transporte pesado. Ao longo do percurso ele pretende mostrar como o caminhão se comporta e, principalmente, quais são as condições necessárias para que a tecnologia possa avançar em diferentes mercados.

“Não é apenas uma aventura. É também sobre o que podemos aprender ao longo do caminho.”

45 mil quilômetros para testar a infraestrutura

A dimensão da viagem coloca a infraestrutura de recarga no centro do projeto. Afinal percorrer 45 mil quilômetros com um caminhão elétrico em diferentes partes do mundo exige muito mais do que autonomia. É preciso encontrar carregadores compatíveis, potência disponível, acesso às redes elétricas e condições para que o veículo permaneça em operação sem comprometer a logística da viagem.

Por isto Wagner considera que a experiência poderá mostrar diferenças importantes dos mercados: “Encontraremos diferentes estradas, diferentes climas e, especialmente, diferentes condições de infraestrutura”.

Neste sentido a expedição funciona como um teste em condições muito mais variadas do que aquelas encontradas normalmente em operações europeias. A viagem permitirá observar como um caminhão elétrico de longa distância enfrenta ambientes nos quais a infraestrutura de recarga ainda está em diferentes estágios de desenvolvimento.

Expedição eActros
Durante o IAA Tobias Wagner e Achim Puchert, CEO Mercedes-Benz, apresentam o projeto

Uma casa sobre rodas

Além do desafio tecnológico a expedição também foi pensada para testar a experiência de viver na estrada durante meses. O conjunto que acompanha Wagner conta com uma carroceria especialmente preparada como um motorhome, instalada atrás da cabine do eActros 600. O espaço funciona como uma verdadeira casa sobre rodas, com cozinha e banheiro. A área de descanso utilizada será a tradicional do caminhão.

Assim a experiência durante a viagem acontece em dois ambientes complementares. Na parte dianteira está a cabine do eActros 600, com toda a estrutura de conforto e descanso desenvolvida para o motorista de longa distância. Atrás dela o módulo habitacional amplia a estrutura e oferece recursos para que Wagner possa viver durante a expedição.

A configuração permite que o caminhoneiro cozinhe, tome banho e descanse sem depender constantemente de hotéis ou de estruturas externas. Na prática, o conjunto transforma a expedição em uma experiência contínua de vida a bordo.

Da Europa à China e aos Estados Unidos

O roteiro foi pensado justamente para colocar o eActros 600 em contato com realidades distintas. Depois de iniciar a viagem na Europa, Wagner seguirá em direção à Ásia e chegará à China. Na sequência, a expedição atravessará para a América do Norte antes de continuar pelo restante do trajeto.

A passagem pelos continentes também cria um desafio logístico adicional. O caminhão terá de ser transportado em alguns trechos, enquanto em outros seguirá rodando pelas estradas locais. Para Wagner esta diversidade é um dos pontos mais interessantes do projeto.

Afinal a eletrificação do transporte pesado não avança da mesma maneira em todos os lugares. Alguns mercados já contam com redes de recarga para caminhões e políticas mais estruturadas para a redução das emissões. Outros ainda precisam construir a infraestrutura básica para viabilizar operações elétricas de maior distância.

Brasil entra no mapa

O Brasil também está no roteiro. A passagem pelo País terá importância especial porque colocará o eActros 600 diante de uma realidade bastante diferente da europeia.

Além das condições das rodovias Wagner terá contato com outro perfil de operação, dimensões territoriais distintas e uma infraestrutura de recarga para veículos pesados ainda em desenvolvimento.

A experiência poderá ajudar a mostrar quais são os gargalos para a adoção de caminhões elétricos no mercado brasileiro, no qual as grandes distâncias e o transporte rodoviário têm papel central na economia.

Caminhão vira base móvel

Para enfrentar quase um ano de viagem o eActros 600 foi preparado para funcionar como uma espécie de base móvel de Wagner.

O caminhoneiro pretende passar longos períodos na estrada e registrar a rotina da expedição para as redes sociais. A ideia é mostrar não apenas os momentos de condução mas também as dificuldades encontradas nas recargas, as condições das estradas e as diferenças dos países.

O projeto também ganhou identidade visual própria. Para Wagner a viagem precisava ter uma apresentação à altura de uma experiência que, segundo ele, pretende fazer algo que ainda não foi feito desta maneira com um caminhão elétrico.

Expedição eActros
Caminhão vai passar pela Europa, Ásia, América do Norte e do Sul, com programação de chegar ao Brasil

O que a viagem pode ensinar à indústria

Ao fim dos aproximadamente 45 mil quilômetros Wagner espera voltar com mais do que imagens e histórias. A quantidade de situações diferentes enfrentadas pelo eActros 600 poderá ajudar a identificar quais tecnologias e estruturas precisam evoluir para que a eletrificação avance em escala global.

Este talvez seja o principal valor do projeto para a indústria. Uma operação convencional mostra o desempenho do caminhão em uma determinada rota. Uma viagem ao redor do mundo coloca o veículo diante de uma combinação muito maior de variáveis.

Clima, topografia, qualidade das estradas, disponibilidade de energia, potência dos carregadores e diferentes modelos de infraestrutura passam a fazer parte do mesmo teste.

Além disto a permanência de Wagner no caminhão durante praticamente toda a expedição permitirá observar um aspecto muitas vezes menos explorado nos projetos de eletrificação: a experiência do motorista.

Conforto, espaço de descanso, autonomia, rotina de recarga e condições para passar longos períodos longe de casa também fazem parte da equação quando se fala em transporte de longa distância.

Para Wagner compartilhar essas experiências é uma forma de contribuir para a discussão sobre o futuro do transporte pesado: “Precisamos entender o que é necessário fazer para levar a eletrificação para uma escala maior”.

Um ano para responder à pergunta

A previsão é que Wagner retorne à Europa aproximadamente um ano depois da partida. Mais do que uma volta ao mundo, portanto, a expedição coloca uma questão importante para fabricantes, transportadores e fornecedores de infraestrutura sobre até onde um caminhão elétrico consegue chegar hoje e o que ainda precisa ser construído para que ele possa chegar mais longe.

É esta resposta que Tobias Wagner pretende buscar ao longo de 45 mil quilômetros de estrada. Porém tendo o próprio caminhão como veículo, casa e laboratório de uma nova era do transporte.

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