São Paulo — O Move Brasil Entregadores e Motoapp alcançou 21 mil motocicletas financiadas, segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Bento. Em setembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que tornou o programa permanente, o Ministério do Planejamento e Orçamento havia informado que 19 mil motocicletas já tinham sido financiadas.
Bento avalia que o programa atrai consumidores adicionais, embora o volume ainda seja pequeno diante do mercado total: “Acreditamos que é um público adicional. Mas vamos lembrar que o nosso público forte já é o de entrada. Cerca de 78% do volume dos nossos produtos está nessa faixa. Então 21 mil não é um número pequeno, mas, considerando um mercado de 1,7 milhão de unidades, é um crescimento dentro da expectativa do programa”.
Análise de crédito
Para o presidente da Abraciclo, o avanço do financiamento depende da capacidade de pagamento dos compradores. Ele sugeriu o fortalecimento da análise de crédito para evitar uma nova onda de inadimplência no setor: “É um programa de crédito. Precisamos conceder financiamento, mas a pessoa tem que comprovar que consegue pagar o valor tomado. Caso contrário teremos um segundo problema, que é a inadimplência”.
Segundo Bento a quantidade de beneficiados dependerá da análise das instituições financeiras. O objetivo, disse, é manter o crédito acessível sem comprometer a saúde financeira do setor: “Não podemos forçar um crédito ou uma aprovação de crédito”.
Deste modo o executivo também relembrou a retração da indústria de 2008 a 2017. A produção chegou a 2,3 milhões de motocicletas em 2008 e recuou nos anos seguintes, até atingir 883 mil unidades em 2016 e 2017, relembrou Bento. O presidente atribuiu parte desta queda à restrição do crédito, que, na avaliação dele, foi precedida por uma oferta excessiva de financiamentos.
Para o presidente da Abraciclo a experiência reforça a necessidade de manter critérios na concessão dos financiamentos do Move Brasil: “Todo programa é bem-vindo, mas é um programa de crédito. Então, precisa passar por um funil para que não aconteça novamente com o que tivemos em 2016 e 2017, que foram historicamente muito ruins para o segmento das motocicletas”.























