São Paulo — A estiagem na região amazônica deve atingir um período mais crítico no fim de outubro, com possíveis impactos na logística da indústria de motocicletas instalada em Manaus, AM. Apesar do risco de restrições à navegação e aumento dos custos de transporte, o setor espera manter a produção projetada para 2026, apoiado nas medidas adotadas após a seca severa de 2023.
Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, como em 2024, as fabricantes reforçaram o planejamento logístico e o controle de estoques para reduzir a dependência da chegada de navios durante o período de vazante dos rios. Além disso, o governo também ampliou o monitoramento dos níveis da água e investiu em dragagem, enquanto portos avançados passaram a integrar as alternativas para o recebimento de cargas.
“Temos monitorado essas informações e a expectativa é que final de outubro tenhamos um momento mais crítico. Mas, com o aprendizado que tivemos em 2023, no qual a seca foi severa, as indústrias se preparam com antecedência. As autoridades também puderam se juntar para melhorar as questões burocráticas e os portos avançados por iniciativa privada. Então achamos que conseguiremos atingir o número de produção projetado.”
Uma das principais mudanças desde a crise de 2023 foi a revisão da gestão de estoques e dos modais logísticos pelas fabricantes. “A primeira mudança diz respeito ao controle que cada fabricante faz sobre o seu estoque, sobre os seus modais logísticos e a preparação de antecipar a compra, manter, não depender muito naquele momento crítico de chegada de navios.”
O executivo lembrou que Manaus depende do transporte fluvial para receber cargas, enquanto o frete aéreo tem custo elevado. Em 2023, a queda acentuada do nível dos rios tornou os principais portos inacessíveis, evidenciando a vulnerabilidade logística da região.
“Manaus é como uma ilha e temos um frete aéreo caríssimo, então a chegada sempre é pela maneira fluvial. Quando tivemos a estiagem, os portos principais ficaram inacessíveis.”
Monitoramento e portos avançados
Outra mudança apontada por Bento foi a melhoria das previsões sobre o nível dos rios. Com informações mais frequentes, as fabricantes conseguem se preparar com maior antecedência para as restrições de navegação. “Hoje temos previsões diárias do nível do rio. O governo investiu em tecnologias para monitorar melhor e criou informações melhores para que possamos receber essa informação.”
O governo também investiu em dragagem, enquanto a iniciativa privada, com apoio público, passou a utilizar portos avançados para receber cargas em trechos do rio onde ainda há condições de navegação. A alternativa reduz a dependência do porto principal de Manaus quando o nível da água impede a chegada de embarcações com calado suficiente.
“Não adianta esperar a carga chegar aqui no porto de Manaus. Então, eles avançam com um porto mais adentro do rio, construído por iniciativa privada, mas conseguimos pelo menos receber as cargas.”
Estiagem deve pressionar custos
Apesar da preparação, Bento avalia que a vazante pode comprometer as condições de operação do porto principal e elevar os custos logísticos. A expectativa, porém, é evitar paralisações nas fábricas de motocicletas. “Vai continuar tendo uma vazante bastante severa, pode ter criticidade no porto principal de Manaus. Paralisação de fábricas, espero eu, pelo menos no setor das motos, acho que todo mundo se preparou, mas com certeza vamos experimentar aumento de custo.”
Segundo o executivo, as alternativas logísticas também ampliam a disputa por transporte com cargas essenciais, como alimentos e medicamentos. “É um momento de desafio.”
Para Bento, a experiência de 2023 contribuiu para melhorar a preparação das empresas e das autoridades. O aprendizado deve reduzir os efeitos da estiagem sobre a indústria de motocicletas, embora não elimine a possibilidade de custos adicionais. “Essa curva de aprendizagem vai nos ajudar a passar esse momento para que não seja tão drástico para as indústrias como foi em 2023.”























