São Paulo — A Cummins prepara uma nova etapa de evolução de seu portfólio para veículos comerciais no Brasil. As novidades apresentadas para a Fenatran envolvem motores a combustão interna, sistemas de pós-tratamento de emissões e eixos. Os desenvolvimentos priorizam eficiência energética, redução de massa, integração de componentes e adequação às condições de operação do transporte nacional.
Destaques são a atualização do motor F4.5, com portfólio a partir dos 150 cv até 240 cv, uma nova geração do sistema de pós-tratamento Single Module e a ampliação da aplicação da unidade dosadora UL2.2. Na divisão de eixos a fabricante apresenta o 17XHE e a versão reforçada 18XHD, desenvolvida para atender a uma demanda específica de capacidade de carga no mercado brasileiro.
A companhia também avança na oferta de motores compatíveis com combustíveis alternativos, como biodiesel e HVO, além de manter o desenvolvimento de soluções a gás natural e biometano. Segundo seus executivos a aplicação destas tecnologias depende das características de cada operação, da infraestrutura disponível e da viabilidade econômica para o transportador.
Motor F4.5 chega a 240 cv e reduz consumo
A principal novidade na linha de motores é a evolução do F4.5. Segundo Adriano Hishi, presidente da Cummins no Brasil, o novo patamar representa um aumento de aproximadamente 14% na potência com relação à versão anterior. A Cummins também informa potencial de redução de até 9% no consumo de combustível.
Para alcançar estes resultados a empresa adotou uma nova família de turbocompressores de alta eficiência, ampliou a capacidade do sistema de injeção e desenvolveu uma calibração específica para as condições brasileiras. Assim o conjunto busca elevar a densidade de potência, característica relevante em aplicações que exigem maior capacidade de transporte sem aumento proporcional do porte do motor.
A empresa aproveita a experiência acumulada com a família F, incluindo o F3.8, que tem mais de quinze anos de presença no mercado. A base técnica permite aplicar os novos recursos sem abrir mão dos requisitos de confiabilidade para operações de carga.
F3.0 atende à expansão das entregas urbanas
Outro destaque é o motor F3.0, para aplicações de menor porte, especialmente veículos comerciais utilizados em operações urbanas e entregas de última milha. Com versões de até 200 cv.
O avanço do comércio eletrônico e a demanda por prazos de entrega mais curtos aumentam a necessidade de veículos com elevada disponibilidade operacional. Nesse contexto a Cummins mantém o desenvolvimento de motores a combustão interna para aplicações nas quais a eletrificação ainda enfrenta limitações relacionadas a custos, infraestrutura e características de uso.
A fabricante também amplia os ensaios para utilização de combustíveis alternativos. Desta forma seus motores já estão homologados para B20, mistura de diesel com 20% de biodiesel, enquanto o B25 permanece em testes.
A empresa também aponta compatibilidade com HVO, combustível renovável produzido a partir de matérias-primas de origem biológica e que pode substituir o diesel em aplicações devidamente aprovadas pelo fabricante. Todavia a utilização depende das especificações do motor e dos requisitos de homologação correspondentes.
Motor a gás atende a aplicações específicas
A Cummins mantém o motor 6.7 a gás em seu portfólio para operações nas quais a disponibilidade de combustível e a estrutura logística favorecem sua adoção.
De acordo com Hishi centenas de unidades já operam no Brasil. A fabricante submeteu os motores a extensas validações locais e identifica oportunidades em aplicações com rotas definidas e abastecimento concentrado, como determinadas operações de coleta de resíduos.
Single Module fica 30% mais leve

Na área de pós-tratamento a Cummins apresenta uma nova geração do sistema Single Module, com aplicação prevista nas plataformas F3.8 e F4.5. Segundo Daniel Malaman, gerente geral da área de pós-tratamento, o conjunto ficou 30% mais leve e 5% menor em relação à versão anterior, com redução de aproximadamente 15 kg.
A evolução parte da arquitetura modular introduzida para atender aos requisitos de emissões do Proconve P8, equivalente à norma Euro 6. A geração anterior já havia reduzido em 60% a massa e em 40% o volume com relação às referências de mercado citadas pela empresa na apresentação.
Desta forma o novo desenvolvimento busca reduzir o espaço ocupado pelos componentes, simplificar a instalação no veículo e facilitar a manutenção. A arquitetura modular também permite substituir componentes individualmente. Ou seja: sem exigir a troca integral do conjunto em determinadas intervenções.
Outra mudança envolve a geometria do mixer, componente responsável por favorecer a mistura do Arla 32 com os gases de escape. A nova configuração, combinada à evolução do sistema, proporciona redução de até 2% no consumo de Arla 32, segundo a Cummins.
O trabalho também considera a integração de motor com pós-tratamento. Além de atender aos limites de emissões o sistema precisa controlar os efeitos sobre o consumo de combustível e de fluido de tratamento, a instalação e a disponibilidade do veículo.
Unidade dosadora UL2.2 amplia aplicação
A unidade dosadora UL2.2, que integra bomba e injetor do sistema de pós-tratamento, também amplia sua presença no mercado brasileiro. Já utilizada nos motores B6.7 e L9 a solução passa a equipar as plataformas F3.8 e F4.5.
A unidade integra o portfólio de componentes da Cummins e busca simplificar a arquitetura do sistema. Nos seus diferenciais citados por Malaman está a utilização do próprio fluido de ureia para refrigerar o injetor. Assim elimina a necessidade de um circuito adicional de refrigeração do veículo nessa configuração.
A redução do número de componentes e de conexões pode simplificar a instalação e diminuir a complexidade do conjunto. A precisão da dosagem também contribui para o controle do consumo de Arla 32.
Seja como for a Cummins projeta que a unidade esteja presente em pelo menos 70% dos veículos comerciais fabricados no Brasil em 2027 e 2028. Parte da estimativa se dá porque muitas montadoras presentes no País utilizam o componente. Inclusive aquelas que fabricam seus próprios motores.
Cummins adapta eixos para o transporte brasileiro

A Cummins também apresentará na Fenatran os eixos 17XHE e 18XHD, desenvolvidos para atender a diferentes aplicações do transporte brasileiro. O 17XHE integra uma plataforma global com participação das equipes do Brasil e da Europa e incorpora melhorias no diferencial, na lubrificação, nos rolamentos e nas engrenagens. Desta forma o modelo atende a caminhões com PBTC de até 91 t. Já o 18XHD deriva do modelo 18X e recebeu reforços em componentes internos para determinadas configurações de caminhões 6×2.
A fabricante também oferece opções de freios a disco e a tambor. Segundo Kleber Assanti, gerente geral da unidade de eixos da Cummins os freios a disco representam menos de 5% do mercado brasileiro, devido, principalmente, aos custos de aquisição e manutenção e às condições das estradas. A suspensão pneumática, por sua vez, atende a aplicações específicas, conforme as necessidades e os custos de cada operação.























