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Mercado de aluguel de caminhões supera ressaca de crédito e retoma compras

Após período de reestruturação forçada por juros altos e recuperações judiciais locadoras ajustam estoques e apostam em contratos flexíveis

São Bernardo do Campo, SP — O ramo do aluguel de veículos pesados, que vinha registrando ritmo acelerado de expansão nos últimos anos, passou por movimento de acomodação do fim de 2025 ao primeiro semestre deste ano. Pressionadas pela alta do custo de capital e pelo impacto de recuperações judiciais no setor de transporte algumas locadoras viram-se forçadas a interromper o ciclo de crescimento.

A fase de reajuste, porém, agora começa a dar lugar à retomada gradual das compras e do planejamento de frota para os próximos meses. Na avaliação do vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços de caminhões da Mercedes-Benz, Jefferson Ferrarez, “o mercado de locação vinha em uma crescente muito boa, deu uma parada para se reajustar. Não que tenha estagnado, mas parou o ritmo de crescimento e agora está retornando”.

O diagnóstico do setor indica que a principal barreira enfrentada pelas locadoras esteve ligada à volatilidade financeira: “Como o modelo de negócio exige alto aporte de capital para a aquisição de frotas o aumento expressivo da taxa de juros encareceu o giro das operadoras, que vinham trabalhando com a formação de estoques próprios de veículos para pronta entrega”.

A reviravolta no cenário de crédito obrigou as empresas de locação a mudar drasticamente a abordagem comercial: “As frotas deixaram de ser compradas antecipadamente para aguardar a demanda. As companhias passaram a fechar contrato com o cliente final primeiro para, somente em seguida, encomendar os caminhões junto às montadoras. Este reposicionamento causou um hiato operacional estimado em cerca de seis meses no ritmo de compras do segmento”.

Paralelamente o aumento dos pedidos de recuperação judicial dos transportadores exigiu esforço adicional para internalizar frotas devolvidas e recolocá-las em operação no mercado secundário. Esse excesso temporário de ativos pesou sobre as margens e sobre os preços de usados, gerando ruídos nas negociações.

“A taxa de juros ficou muito cara para todo mundo e as locadoras tiveram que fazer uma reorganização interna de custos e estoques”, apontou o vice-presidente da Mercedes-Benz. “De três a quatro meses para cá, no entanto, vimos as empresas voltando ativamente às compras, aos planejamentos e às conversas, tanto para este fim de ano quanto para 2027, conseguindo fechar bons negócios a partir de uma nova estrutura financeira.”

Contratos mais flexíveis

Nesta nova fase as locadoras apresentam estoques mais enxutos, adotam réguas mais rigorosas e customizadas para análise de risco de crédito — diferentes das práticas tradicionais do sistema bancário — e oferecem contratos mais flexíveis para atrair os clientes que não conseguem assumir endividamento bancário de longo prazo.

Para Ferrarez esta transição beneficia diretamente a indústria, inclusive os braços próprios de locação das montadoras, que acompanham de perto a reorganização para aprofundar suas análises operacionais, as deep dives, e ajustar a oferta de produtos ao momento do mercado.

A Mercedes-Benz estabeleceu, no início de 2024, sua própria locadora de caminhões, a Daimler Truck Locações e Serviços, controlada pelo braço financeiro da Daimler Truck no Brasil: “Como a taxa de juros continua elevada a locação voltou a tornar viáveis negócios para boa parte dos clientes que não passam pela análise de crédito tradicional dos bancos. E todo mundo precisa de caminhão novo para fazer esse mercado operar”.

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