Jundiaí, SP — A Ultragaz inaugurou seu primeiro posto público de abastecimento de biometano em uma rodovia brasileira. Instalada na Rodovia dos Bandeirantes, dentro do Complexo Lago Azul, a unidade recebeu investimentos de R$ 4 milhões e tem capacidade para abastecer até duzentos caminhões por dia. A companhia planeja instalar mais de vinte postos rodoviários nos próximos três anos, com foco nos principais corredores logísticos do País.
O posto começou a atender caminhões de clientes da companhia e, até o fim de 2026, deverá operar exclusivamente nesse modelo. A comercialização aberta ao público está prevista para o primeiro trimestre de 2027, ainda sem data definida.
Segundo Guilherme Darezzo, vice-presidente de mercados da Ultragaz, a estrutura de Jundiaí tem capacidade para fornecer 24 mil m³ de biometano por dia, volume suficiente para aproximadamente duzentos caminhões: “Conseguimos abastecer um caminhão de 8 a 12 minutos, um diferencial importante com relação à eficiência e à produtividade”.
O biometano utilizado na unidade virá do aterro sanitário de Caieiras, localizado a cerca de 5 quilômetros do posto. Além disto a Ultragaz também mantém contratos com fornecedores de outras regiões, incluindo aterros sanitários, usinas e projetos ligados ao agronegócio.
A escolha da Rodovia dos Bandeirantes considerou uma rota estratégica: “É uma das principais rodovias do País, tem um fluxo grande. Mas, mais que isso, olhando a necessidade dos clientes, onde tinha maior adesão neste momento era nessa região, principalmente nesse corredor logístico”.
Dentre os segmentos com movimentação relevante nesse corredor estão os de suco de laranja e outras mercadorias destinadas à exportação.
Expansão da rede
A Ultragaz planeja instalar mais de vinte 20 postos em rodovias embora ainda não exista um cronograma fechado para a expansão. As negociações mais avançadas para as próximas unidades envolvem a BR-101.
Segundo o executivo a intenção é construir infraestrutura que permita o abastecimento de transportadoras e embarcadores sem volume suficiente para justificar a instalação de um posto próprio: “Estamos trabalhando em um estudo que observa os principais corredores logísticos do Brasil e conversamos muito com os clientes para atender as necessidades. O posto em rodovia democratiza o biometano de forma a dar acesso, também, a embarcadores menores”.
Darezzo acrescentou que a expansão dependerá da identificação de demanda e de parceiros locais: “Dentro dos nossos estudos observamos muito os corredores Sul, o de Belo Horizonte e o do Rio de Janeiro. A ideia é criar corredores principalmente para produtos que seguem para exportação”.
Além disto a companhia já possui seis operações de abastecimento interno, três em transportadoras e três em embarcadores, que utilizam o biometano tanto nas frotas quanto em processos industriais. Dentre os clientes citados pelo executivo estão Natura, Pepsi e Toyota.
Contratos e capacidade de fornecimento
A Ultragaz tem aproximadamente 700 mil m³ por dia de biometano contratados com fornecedores distribuídos em quinze polos. Cerca de 150 mil m³ por dia deste volume já são comercializados, dos quais 20% destinados ao abastecimento de veículos pesados: “Temos um portfólio de contratos que endereça o nosso plano dos próximos três anos”.
De acordo com o executivo os contratos contemplam diferentes rotas de produção, como aterros sanitários, resíduos industriais e agronegócio. A diversificação é considerada importante para garantir o fornecimento e para tornar viável a expansão da infraestrutura. O projeto também integra plano de diversificação do portfólio energético da companhia, que historicamente concentrou suas atividades no GLP.
Para Tabajara Bertelli, presidente da Ultragaz, a entrada no mercado de biometano representa uma mudança na atuação da empresa, que busca ampliar as alternativas energéticas: “Temos quase noventa anos de mercado e, em certo momento, pensamos que estava na hora da empresa operar outras energias além do próprio GLP”.
O executivo apontou que o desenvolvimento deste mercado exigiu investimentos e parcerias em um cenário no qual a regulamentação ainda está em amadurecimento: “Estudamos o biometano e, de fato, logo no começo ficamos encantados com a solução. O combustível fóssil no Brasil depende de importações, a variabilidade de preço complica o ambiente de negócios e o biometano é aquela pegada brasileira com potencial enorme”.
Por fim a Ultragaz afirmou que seus projetos de biometano já evitaram a emissão de 110 mil toneladas de CO₂. Para Bertelli a abertura do primeiro posto rodoviário representa mais uma etapa na construção desse mercado: “Temos uma alta expectativa do futuro que este mercado reserva”.























