São Paulo – O mercado de pesados segue enfrentando desafios para consolidar sua recuperação em 2026, em meio aos persistentes juros elevados – que devem seguir neste patamar com a manutenção da Selic em 13,75% ao ano – e o término dos recursos do Programa Move Brasil. A venda de caminhões, no entanto, que iniciou o ano com retração na casa dos 30%, de janeiro a outubro acumula queda de 4,5% frente ao mesmo período do ano passado, com 88,2 mil emplacamentos, segundo a Fenabrave.
Dados divulgados pela entidade apontam que em outubro foram comercializadas 9,5 mil unidades, 3,6% abaixo de setembro, que ainda sentiu reflexo do rescaldo de entregas do Move Brasil que somou, em suas duas etapas, R$ 29,4 bilhões em financiamento a juros subsidiados, incluindo caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
Em comparação ao décimo mês de 2025 o recuo foi de 9,2% – resultado também influenciado pelo menor número de dias úteis em outubro, sendo 21 dias contra 23 em 2025. Sem contar o fator eleitoral, que fez com que muitas transportadoras colocassem o pé no freio à espera dos resultados para os governos estaduais e federal antes de tomar a decisão pela renovação ou ampliação de sua frota.

“A aquisição de caminhões está diretamente relacionada às perspectivas de atividade econômica e à capacidade de investimento dos transportadores. Com as taxas de juros ainda elevadas e com o fim dos recursos do Move Brasil, as empresas avaliam com cautela a renovação de suas frotas”, disse o presidente da Fenabrave, Arcélio Júnior.
Na visão do dirigente existe a possibilidade de que a Fenatran, realizada de 9 a 13 de novembro, intensifique os pedidos de novos caminhões que devem ser confirmados. Mas, vale ressaltar, devido ao prazo de entrega este movimento deverá gerar resultados apenas no início de 2027.
Toda a situação levou a Fenabrave a revisar sua projeção para este ano. Se em julho a expectativa era a de que 2026 encerrasse com 102,2 mil emplacamentos de caminhões, queda de 7,8% frente a 2025, agora a perspectiva é de recuo de 3,1%, para 107,4 mil.

Vendas de ônibus voltam a cair em outubro
O segmento de ônibus voltou a registrar retração em outubro após ter esboçado reação em setembro, totalizando 2 mil emplacamentos, 25,4% abaixo de setembro, e 14,8% aquém do mesmo mês em 2025. Nos primeiros dez meses do ano, o setor acumula 23 mil unidades comercializadas, equivalente a recuo de 3% em relação ao mesmo período do ano passado.
“Este mercado foi impactado, positivamente, pelo programa do governo, mas continua dependendo das decisões de renovação de frotas de operadores privados e pelo ritmo das aquisições públicas”, analisou Arcelio Junior, ao complementar que como se tratam de operações que envolvem planejamento e investimentos elevados, “é comum que os resultados apresentem oscilações de um mês para outro”.
Diante do cenário a Fenabrave estima que 2026 termine com o emplacamento de 27,5 mil unidades, 4,8% abaixo do ano passado. Em julho, no entanto, era prevista a retração de 9,2%, para 26,2 mil unidades.























