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Crescimento de 10% em 2020. Mas e depois?

São Paulo – Qual é a indústria automobilística que se quer para o Brasil nos próximos vinte, trinta anos? Esta foi a pergunta lançada por Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen América do Sul, ao fim de sua apresentação na mesa redonda de montadoras de automóveis e comerciais leves no primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2020, realizado na segunda-feira, 21, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

 

São Paulo – Qual é a indústria automobilística que se quer para o Brasil nos próximos vinte, trinta anos? Esta foi a pergunta lançada por Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen América do Sul, ao fim de sua apresentação na mesa redonda de montadoras de automóveis e comerciais leves no primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2020, realizado na segunda-feira, 21, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

 

Em verdade todos os palestrantes do painel, cada um a seu modo, colocaram a mesma questão. Uns mais otimistas, outros mais realistas – o certo é que as opiniões convergem: será preciso que mudanças necessárias aconteçam, caso das reformas da Previdência e tributária e dos investimentos em infraestrutura com vistas à multimodalidade.

 

A lição de casa todos afirmam que estão fazendo. Perenidade nos investimentos, aportes em tecnologia, digitalização, sempre vislumbrando a indústria brasileira que querem para o futuro. Mas a contrapartida por parte do governo, fazem coro, também precisa acontecer. Otimismo moderado também é a opinião geral.

 

Os índices econômicos razoavelmente estáveis acabam conduzindo todos a projeções bem semelhantes para 2020, incremento de 5% a 11% em vendas de veículos, para algo em torno de 3 milhões de unidades. Entretanto, e depois, como será? O amanhã assombra, alimentado por aquelas tantas questões que se arrastam sem solução governo após governo.

 

Para Mauro Correia, presidente da Caoa Montadora, as reduções das projeções de PIB para 2019 e 2020 indicam que a recuperação econômica continuará sendo gradual: “O ambiente econômico ainda é desafiador. O crescimento para o próximo ano, projetado em 2%, depende do desempenho econômico no restante deste ano e da real transmissão da redução da Selic para o crédito ao consumidor”.

 

Em resumo, as perspectivas 2020 para a indústria do ponto de vista da Caoa Montadora são de venda totais crescendo de 9% a 11%, tendo as vendas diretas como chave. As vendas ao varejo por sua vez deverão ficar no padrão moderado e a capacidade ociosa continuará pressionada pela queda do mercado argentino.

 

“Mais do que cravar números vamos aqui defender tendências e estratégias”, pontuou Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford para a América do Sul, que concorda com as projeções divulgadas por Correia. Para ele a economia também deve se recuperar de forma gradual, mas, mesmo com um cenário positivo, ainda existe certa apreensão com 2020. Como será a Selic na ponta para o consumidor, somada à questão da capacidade ociosa pressionando os negócios, principalmente por causa da crise na Argentina?

 

Como boa oportunidade para o aumento das vendas ao varejo Golfarb defende reformar a regulação do leasing operacional, algo que há muito se fala no Brasil, mas que ainda não vingou: “Estamos em um momento bastante propício para trabalhar nessa nova legislação. O compartilhamento ganha espaço, fortalecendo a ideia do leasing”.

 

Carlos Zarlenga, presidente da General Motors América do Sul, foi enfático ao afirmar que a mudança estrutural é mandatória neste cenário que pode ser de mais oportunidades, mas também de ameaças. Ele acredita nas duas frentes e defende investir onde o custo seja mais baixo, ou seja, no mercado doméstico:

 

“É preciso olhar para dentro, resolver a questão das reformas, fazer investimentos em infraestrutura para ganho de produtividade. Não tem que ser mais fácil abrir a economia e fazer acordos comerciais do que resolver as questões internas. Precisamos urgentemente fazer um acordo com nós mesmos. Temos que focar nessa consciência geral para chegar naquilo que queremos e para que a indústria brasileira seja competitiva de fato”.

 

Ricardo Gondo, presidente da Renault, focou sua apresentação nos desafios da montadora para o ano que vem, seguindo a perspectiva de crescimento que a empresa vem experimentado nos últimos anos, com ganho da participação de mercado de 3,9% para 9%: “A Renault do Brasil vem se transformando internamente e investindo em diversas frentes, o que tem garantido esse aumento de market share, como ser referência em mobilidade sustentável”.

 

O nó das exportações – É unanime que as exportações nacionais estão bastantes comprometidas em função da crise lá e devem continuar pois as expectativas não passam de equilíbrio para o próximo ano, com vendas em torno de 415 mil carros e comerciais leves, de acordo com números apresentados por Pablo Di Si, da Volkswagen.

 

Foto: Christian Castanho.

 

Correção: O texto foi alterado para acrescentar que Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, divulgou as mesmas projeções de Mauro Correia, presidente da Caoa.

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