São Paulo – A era da eletrificação está em pleno movimento, embora cada mercado tenha uma velocidade diferente de adesão. No Brasil a evolução da eletrificação como uma das soluções para a descarbonização se dará de forma gradual, mas crescente. E, até o fim desta década, veículos híbridos e elétricos deverão representar de 25% a 35% das vendas de 0 KM no País e, em 2035, de 65% a 75%.
Foi o que afirmou Masao Ukon, líder da Boston Consulting Group para o setor automotivo durante a abertura do Seminário Brasil Elétrico + ESG, realizado por AutoData de forma online até a terça-feira, 24.
Prova do avanço dessas tecnologias no País é que a participação dos híbridos e elétricos, de agosto do ano passado ao mesmo mês em 2023, mais do que dobrou, cresceu 2,2 vezes, ao passar de 2,2% com 4,2 mil unidades, para 4,7%, com 9,3 mil.
“Esta transição começou nos últimos meses no Brasil. E, apesar de o País estar um pouco atrás nesse movimento, o momento da mudança é esse. A matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo, com 92% de energia renovável, e as empresas têm investido em lançamentos com a nova tecnologia, principalmente de híbridos, o que é fundamental ao processo.”
Segundo Ukon em 2030 de 5% a 10% dos emplacamentos serão 100% elétricos e híbridos plug-in, e de 20% a 30% híbridos e híbridos leves que, no total, representarão de 25% a 35%. Cinco anos depois, em 2035, a expectativa é que de 15% a 25% sejam elétricos e híbridos plug-in e de 40% a 50% híbridos e híbridos leves, perfazendo 65% a 75% das vendas no Brasil.
O especialista da BCG para o setor automotivo reconhece que o portfólio será diferente para cada segmento, tendo maior adesão no de veículos premium, carros de aplicativo, ônibus e caminhões urbanos, principalmente pela maior facilidade em adquirir e também de carregar, além da redução de custos para quem roda bastante.
A primeira onda de vendas, avaliou, tende a ser para o consumidor que faz a recarga da bateria em casa ou que são clientes corporativos e carregam no estacionamento da empresa ou na garagem do ônibus. Mas, conforme a penetração da frota aumenta, crescem também os desafios, como o de fazer a recarga fora desses locais, na rua, no varejo, em viagem.
“Toda grande mudança traz dores e desafios de adaptação. E, no caso da eletrificação, a infraestrutura de carregamento é a principal dor. Mas estas soluções de infraestrutura e software estão sendo desenvolvidas e ampliadas. Estamos no meio da revolução e, imagino, agora será mais doloroso do que daqui a alguns anos.”
Ukon destacou, no entanto, que o híbrido é um atalho para a descarbonização e porta de entrada para veículos que poluem menos, e que deverá ser a opção principal no País até por conta do custo e da questão da infraestrutura de recarga.
“O motor híbrido compartilha muitas tecnologias com o elétrico. Ele tem um motor elétrico, todo sistema de alta voltagem, chicotes de alta voltagem, inversor de potência e, inclusive, baterias. De certa forma, investir em tecnologias para o híbrido é um passo importante para o elétrico. É uma ponte.”
O especialista lembrou estudo de BCG, Anfavea e Sindipeças, já apresentado por AutoData, com a cadeia de fornecedores, em que 69% disseram que devem diversificar ou expandir seus portfólios e 81% demonstraram propensão para investimento na transição de tecnologias.























