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Programa Mover será estabelecido sobre quatro pilares

Governo, Anfavea e Sindipeças abriram o Congresso Perspectivas 2024

São Paulo — Prometido ainda para este ano, para entrar em vigor em 2024, o Mover, Programa Mobilidade Verde, a segunda etapa do Rota 2030, será estabelecido sobre quatro pilares, segundo contou Margarete Gandini, diretora do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Alta-Média Complexidade Tecnológica do MDIC, na abertura do Congresso AutoData Perspectivas 2024, organizado de 21 a 22 de novembro no Espaço Fit Eventos, em São Paulo.

Requisitos para a comercialização, como a eficiência energética do poço à roda, que engloba desde pegada de carbono completa, reciclabilidade nos veículos, etiquetagem veicular e desempenho estruturado de tecnologias assistidas compõem o primeiro pilar. O segundo envolve pesquisa e desenvolvimento, menos focada no imposto sobre a renda e mais no crédito financeiro.

“Visa a atingir mais investimentos, superiores a 2,5% da receita operacional bruta, e multiplicadores específicos relacionados ao desenvolvimento e produção de novas tecnologias no País, relacionadas à motorização, tecnologias assistidas e novos materiais.”

Outro pilar do Mover será a continuação dos programas prioritários, com o desenvolvimento cada vez maior com a cadeia de fornecedores. A representante do MDIC citou que está para ser lançado o edital dos programas estruturantes prioritários do Mover. O quarto pilar do programa envolve a facilitação das exportações, com algumas medidas no sentido de reduzir os custos das transações.

Junto com o Mover o governo trabalha com outras cinco frentes, mencionadas por Gandini, como levar os resultados das políticas industriais à sociedade, fazer com que os programas de renovação de frota tornem-se permanentes, integrar os corredores sustentáveis em multimodais e o custo Brasil, envolvendo a competitividade e como isso afeta o setor automotivo.

Ela acredita que é preciso dar um salto em termos de protagonismo global:

“Ser um Brasil exportador e um Brasil inovador, com tecnologias para a fronteira do desenvolvimento, e vender ao mundo a nossa descarbonização. Temos excelentes exemplos de desenvolvimento de softwares embarcados. É uma visão de futuro, é sonhar, para não perdermos mais espaço no mercado automobilístico global. Para isto não basta o governo, ele é só parte da solução”.

Importações preocupam Anfavea

Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, concordou que é preciso fazer um esforço conjunto. Enquanto a entidade estima um 2024 com fatores positivos que podem permitir um crescimento maior do mercado interno, na ordem de 5 a 7%, ele citou um fator-chave que deve ser levado em consideração: um aumento expressivo das importações, tanto das montadoras quanto das importadoras.

“Quando uma indústria não mantém um ritmo crescente, não corre só o risco de perder aquela produção e aquele tempo, corre o risco de não se recuperar se ela não ocupar seu espaço. O investimento que deixa de ser feito no País não tem garantia de que vai ser recuperado. Nós temos hoje de R$ 60 bilhões a R$ 70 bilhões de investimentos no setor automotivo, empresas grandes escolheram o Brasil para produzir, em especial a GWM e a BYD, que encontraram no Brasil um ambiente muito bom para produzir.”

De acordo com o executivo as importações cresceram muito, 270 mil unidades até outubro: “Uma Argentina inteira, é quase o mercado chileno que o Brasil trouxe de produtos importados. Isso acende um alerta, sim, junto com a queda de exportações. Perdemos competitividade para países como Argentina, Colômbia e Chile, e por sorte o México cresceu e nossas exportações se mantiveram num percentual razoável”.

Na sequência, Cláudio Sahad, presidente do Sindipeças, chamou a atenção para as altas taxas de juros e o spread bancário, que atingem os segmentos de leves, pesados e agrícolas, com estimativa de melhoras em 2024. O Sindipeças tem expectativa de que em 2024 o volume total avance 5%, com 2,4 milhões de veículos. Para o segmento de automóveis, a estimativa é de alta de 4% e nos comerciais leves, 7%, com uma recuperação em caminhões e ônibus.

Crédito e oportunidades

Sobre as restrições ao crédito Lima Leite concordou que no meio de tantos desafios este realmente é o maior do País, mas que sua resposta é rápida: assim que houver uma queda a procura já volta a crescer. Ele cita que o de veículos de entrada, beneficiados pela MP 1 175, é hoje o segmento que mais sente, não por falta de consumidor, mas porque as atuais taxas de juros tornam inviáveis as compras: “É onde temos um potencial muito grande para que o Brasil recupere a explosão em termos de mercado interno”.

Para o presidente da Anfavea o consumidor que deixou de comprar carros novos foi para o segmento de usados ou migrou para as motocicletas. Ele disse que 73% das propostas de crédito são recusadas. Com a queda de juros, o consumidor, em sua opinião, voltará ao carro zero.

Saad também enxerga oportunidades nos motores a combustão, já que mercados como o europeu não terão mais essa opção. “O Brasil pode ser um hub de exportação de modelos flex. Após vinte anos e 40 milhões de unidades produzidas, 85% da frota circulante no País é de veículos flex”:

“Nós temos que crescer na indústria de transformação. O governo está consciente disso, a indústria está pronta para dar seu quinhão de participação, estou otimista com nosso futuro”.

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