Mendoza e Potrerillos, Argentina – Em time vencedor não se mexe mas é aconselhável ajustar a tática quando o adversário pressiona. Assim vem agindo a Jeep diante da perda de posse de bola para a crescente concorrência chinesa. O mais recente lance dessa disputa é a reestilização de meia vida do Commander, o mais sofisticado SUV produzido no Brasil, que ao ser apresentado em seu ano-modelo 2026 teve poucas alterações estéticas e muitas nos preços, reduzidos de R$ 6 mil a R$ 16 mil em todas as cinco versões que chegaram às concessionárias em 18 de agosto.
Na apresentação do Commander 2026 à imprensa e concessionários, em Mendoza, Argentina, o SUV de grande porte e sete assentos foi comparado em suas qualidades pela própria fabricante com quatro concorrentes presentes no mercado brasileiro, três deles chineses: os importados híbridos GWM Haval H6 e BYD Song Pro, e o mais próximo Chery Tiggo 8, também com sete assentos, que tem versões a combustão montadas em kits CKD importados pela Caoa em Anápolis, GO, e híbrido plug-in importado completo da China.

Esta comparação parecia improvável há apenas quatro anos, quando o Commander foi lançado, em 2021, como primeiro Jeep desenvolvido fora dos Estados Unidos, produzido na fábrica da Stellantis em Goiana, PE. Por isto o vice-presidente responsável pela marca Jeep na América do Sul, Hugo Domingues, justifica a mudança na tática: “Em vinte anos no mercado nunca vi tantos lançamentos de SUVs. Só este ano são 23, treze chineses, todos nas categorias C-SUV [médios] e D-SUV [grandes, o segmento do Commander] que concorrem conosco. Diante disto é claro que precisamos ajustar os planos”.

Híbridos também virão
Domingues afirma que a concorrência com a tecnologia de propulsão híbrida que os SUVs chineses concorrentes têm, e o Commander não, ainda não preocupa e não foi a causa de mudanças no plano de de preços, pois atualmente, no Brasil, ele calcula que de 75% a 80% dos SUVs vendidos nesta faixa de valor mais alto do mercado têm só motor a combustão: “No Commander oferecemos a mais ampla gama de motorização: turboflex, turbodiesel e o Hurricane a gasolina, é o que os clientes querem”.
O executivo revela que a gama nacional da Jeep, produzida em Pernambuco, terá seu primeiro híbrido em 2026: “Temos acesso a todas as tecnologias, híbrido plug-in ou leve, e a intenção é oferecer várias opções em vários modelos, vamos ajustar de acordo com a demanda”, disse o executivo, ainda guardando segredo sobre quais modelos terão versões híbridas e sobre o sistema escolhido.
Sem capacidade para crescer
Domingues avaliou que a Jeep está atualmente apenas defendendo seu terreno para não perder o espaço já conquistado, pois atualmente a fábrica de Goiana opera em três turnos, no topo de sua capacidade, e nem tem como fornecer mais veículos ao mercado: “Venderia mais se pudesse mas estamos limitados pela produção”. Segundo ele a projeção este ano é vender 130 mil Jeep no Brasil e outros 30 mil nos demais países da América do Sul.
“É o máximo que podemos produzir no momento.”

No caso do Commander o campo a defender é o varejo – vendas do modelo a locadoras praticamente inexistem – do segmento D-SUV, que atualmente representa de 12% a 15% das vendas de SUVs no País. Nos primeiros sete meses deste ano o Jeep ficou um pouco atrás dos outros dois concorrentes de sete assentos: Caoa Chery Tiggo 8 e Toyota SW4.
O Commander registrou 8,5 mil unidades vendidas de janeiro a julho, em tendência de estabilidade sobre o mesmo período de 2024, com ligeira baixa de 2,7% nos emplacamentos.
Além dos reajustes para baixo nos preços a Jeep reduziu de seis para cinco as versões do Commander 2026 – a Overland Hurricane foi tirado de lista. Domingues projeta que as três opções mais baratas, com motor nacional turboflex etanol-gasolina de 176 cvs e câmbio automático de seis marchas, Longitude, Limited e Overland, seguirão representando metade das vendas.
O topo de gama Blackhawk, equipado com o motor importado a gasolina Hurricane 2.0 de 272 cv e câmbio automático de nove marchas, deverá reduzir sua fatia de 30% para 25%, mesmo sendo a opção do portfólio que recebeu o maior desconto no preço, de R$ 16 mil na comparação com o ano-modelo 2025.
Já a versão Overland turbodiesel, que este ano passou a usar o motor Multijet 2.2 de 200 cv com transmissão automática de nove marchas – o powertrain também é todo importado –, deverá aumentar sua participação no mix de 20% para 25%. É a opção que teve a menor redução no preço: R$ 6 mil.
“De 2020 a 2023 o preço do diesel subiu muito e as vendas caíram, por isto retiramos de linha as versões diesel de Renegade e Compass, mas no Commander o cliente segue valorizando esta opção e a autonomia de mais de 800 quilômetros com um tanque, por isto é importante manter a opção no portfólio”, justifica Domingues.

O executivo avalia que o Commander diesel continuará com seu espaço garantido no portfólio mesmo após a entrada em vigor, a partir de outubro, da nova tabela de IPI, que dentre diversas classificações prevê acréscimo de 12 pontos porcentuais na alíquota básica de 6,3% para SUVs 4×4 a diesel. Segundo calcula Domingues isto não causará aumento relevante no preço final porque veículos leves de passageiros a diesel já pagam o maior imposto possível e a nova tributação acrescentará somente 1,5 ponto ao IPI aplicado atualmente.
Retoques aprimorados
Para além dos preços a Jeep mexeu pouco no Commander, que desde seu lançamento, em 2021, passou por poucas modificações e soma 70 mil unidades vendidas no Brasil, para público de alta renda – os preços da gama atual partem de R$ 221 mil e chegam a R$ 325 mil – e altamente fiel a uma das qualidades do SUV: amplo espaço interno e sete assentos. “Quando lançamos a opção do Commander com cinco lugares, mesmo com desconto de R$ 8 mil no preço, a procura foi muito pequena, por isto tiramos de linha e passamos a oferecer só o de sete lugares”, conta Domingues.

Justamente para não desagradar o público que gosta do Commander como ele é a Jeep fez apenas pequenos aprimoramentos estéticos no SUV. Foram adotados nova grade dianteira, para-choque e faróis mais afilados, que garantem aparência mais fina e larga. A mudança tem efeito aerodinâmico, com o perfil de shark nose, ou nariz de tubarão. A traseira recebeu novas lanternas de LED, agora interligadas por um filete luminoso. As rodas de 18 ou 19 polegadas também são novas, com quatro desenhos diferentes, um exclusivo para cada versão.

No interior da sua espaçosa cabine o Commander recebeu novos e caprichados revestimentos, com cores sóbrias que variam do preto ao bronze, dependendo da versão. As duas opções mais caras, Overland Turbodiesel 2.2 e Blackhawk Hurricane 2.0, no lugar da alavanca do câmbio automático agora figura no console central um botão seletor rotatório prateado, o rotary shift.

O pacote de conforto e segurança do Commander segue sendo bastante completo, faz jus ao título de carro mais sofisticado produzido no Brasil. São seis airbags na versão de entrada Longitude e sete nas quatro demais, incluindo também bolsa de ar para os joelhos do motorista.
Todas as versões são equipadas com ADAS nível 2, sistemas avançados de assistência ao motorista, incluindo alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência, detecção de ponto cego e de tráfego cruzado, alerta de mudança de faixa, assistente de centralização em faixa, detector de fadiga do motorista, reconhecimento de placas de velocidade, comutação automática de faróis, piloto automático adaptativo ACC e detecção de mãos fora do volante.
Da versão Overland para cima é agregada câmara 360°, que simula imagens ao redor do carro na tela central de 10,1 polegadas.

O Commander segue sendo um veículo luxuoso com grande capacidade off-road em suas duas versões de topo, Overland turbodiesel e Blackhawk turbogasolina, ambas com powertrain 100% importado, incluindo motores, transmissões 4×4 e sistemas eletrônicos que tornam fácil a passagem pelos mais complicados terrenos fora do asfalto.
Todas as versões também vão muito bem no asfalto. O motor a gasolina Hurricane 2.0 de 272 cv já mostra suas potentes qualidades desde que a opção foi lançada no Brasil, em 2024, a bordo de Compass e Commander, com o qual leva as quase 2 toneladas do SUV de 0 a 100 km/h em 7 segundos, em comparação com 10,3 segundo quando equipado com o T270 turboflex de 176 cv, segundo medições da fabricante.
Já o Multijet 2.2 de 200 cv é novidade aplicada ao Commander este ano, em substituição ao motor diesel 2.0, com resultado bastante bom: o modelo tem baixos níveis de vibração e ruído, condução muito confortável e não falta potência, acelerando de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos.

O Commander segue sendo um SUV de alto nível, comparável aos melhores modelos importados da mesma categoria, extremamente confortável e agradável de dirigir, tanto no asfalto como na terra. Por tudo isto, ainda que mais barato do que antes, cobra seu preço.
Versões e preços do Jeep Commander 2026
> Longitude T270 – R$ 220 mil 990 [redução R$ 10,5 mil]
Principais itens de série: • Motor turboflex 176 cv 270 Nm • Câmbio automático 6 marchas • Jeep Traction Control • Direção elétrica • Ar-condicionado • Acionamento elétrico de vidros, travas e retrovisores externos • Quadro de instrumentos digital 10,25’’ • Central multimídia com tela tátil de 10,1’’ • Sistema de som Jeep com 6 alto-falantes • Espelhamento sem fio do smartphone • Bancos revestidos em couro preto • Acionamento elétrico da tampa do porta-malas • Rodas liga leve 18’’ com design exclusivo • Faróis de LED • Lanternas traseiras de LED • 6 airbags • ADAS nível 2 [frenagem automática de emergência, detecção de ponto cego e de tráfego cruzado, alerta de mudança de faixa, assistente de centralização e manutenção na faixa, detector de fadiga do motorista, reconhecimento de placas de velocidade, comutação automática de faróis, piloto automático adaptativo ACC, detecção de mãos fora do volante]
> Limited T270 – R$ 246 mil 990 [redução R$ 11 mil]
Todos os itens do Longitude mais:• APP smartphone Adventure Intelligence com assistente Alexa integrada • 7 airbags • Monitoramento de Ponto Cego BSM • Carregador de celular sem fio • Bancos e painel revestidos em couro e suede preto e cinza • Banco com ajustes elétricos para o motorista • Sistema de som Harman Kardon com 9 alto-falantes • Rodas liga leve 18’’ com design exclusivo
> Overland T270 – R$ 273 mil 990 [redução R$ 7 mil]
Todas os itens do Limited mais: • Câmera 360° • Roda liga leve 19’’ com design exclusivo • Bancos revestidos em couro e suede marrom • Banco do passageiro com ajustes elétricos • Banco do motorista com memória • Teto solar panorâmico • Molduras inferiores pintadas • Abertura elétrica do porta-malas com sensor de presença
> Overland 2.2 Turbodiesel 4×4 – R$ 308 mil 490 [redução R$ 6 mil]
Todos os itens do Overland Flex mais: Motor turbodiesel 2.2 de 200 cv 450 Nm • Câmbio automático de 9 marchas • Seletor do câmbio com botão giratório Rotary Shift • Tração 4×4 automática Active Drive Low com seletor de terrenos
> Blackhawk Hurricane 4×4 – R$ 324 mil 990 [redução R$ 16 mil]
Todos os itens do Overland Turbodiesel mais: • Motor Hurricane 2.0 de 272 cv 440 Nm • Câmbio automático de 9 marchas • Roda liga leve 19’’ com design exclusivo escurecido • Pinças de freios vermelhas • Acabamentos em preto • Bancos exclusivos























