São Paulo – A reportagem de AutoData Mobility completou quase 700 quilômetros ao volante de um veículo chinês que, em menos de seis meses no mercado brasileiro, desbancou uma das unanimidades. Foi à bordo do Haval H9, um SUV com sete lugares, motor a diesel e muita tecnologia, o veículo que superou a Toyota SW4 de sua confortável liderança histórica de 34 anos.
Contaremos a razão desta mudança, mesmo que pontual, da preferência do exigente consumidor da elite ao eleger esse SUV grande, que acomoda muito bem a família nas viagens para o interior, roda com desenvoltura em qualquer terreno na fazenda e ainda é o veículo que a esposa também deseja dirigir.Espaço, capacidade off road, conforto e facilidade para a condução de um SUV com mais de 4m50 de comprimento são as principais características desejadas por este cliente.
Se preferir acompanhe o vídeo abaixo, uma versão mais resumida desta experiência com o Haval H9.
O Haval H9 leva estes quesitos mencionados acima a um novo patamar no mercado brasileiro. E quem desconfia da sua origem porque é importado da China, e que por isto pode ter dificuldades no pós venda, é bom saber que o H9 está sendo produzido no Interior de São Paulo, na fábrica da GWM em Iracemápolis. Este é outro fator que vai trazer confiança ao comprador, pois as peças já estão todas no País.
Mas quais são os atributos que se destacam no Haval H9?
Depois de percorrer quase 700 quilômetros na estrada, na cidade, no interior e em pista de terra batida em dias frios, com chuva e sol, como mostram as imagens, dá para dizer que o H9 é muito confortável. Sua direção leve dá a sensação de que se trata de dirigir um automóvel de luxo. A altura do solo também permite visibilidade privilegiada da estrada e uma segurança percebida principalmente pelo público feminino, que valoriza esse tipo de posição para dirigir.

O espaço interno, sobretudo na segunda fileira de bancos, é impressionante. Esta é uma característica de veículos chineses a que nos acostumaremos daqui por diante: as pernas podem ser esticadas sem encostar no banco dianteiro. Isso se deve ao entre eixos de 2m85, contra 2m74 da SW4.
É verdade que seu motor 2.4 turbodiesel de 184 cv tem menos potência do que o 2.8 turbodiesel de 204 cv da SW4. Mas quer saber de uma coisa? Novamente os chineses surpreendem e nos mostram que mais potência não necessariamente é sinônimo de desempenho superior. Dirigimos quase todos os concorrentes e picapes a diesel com motorzão com mais de 200 cv e esta diferença de potência não faz do H9 um SUV chocho, fraco ou com desempenho insatisfatório.
O segredo está no powertrain, que é a combinação da atuação da transmissão com a motorização. Neste caso a caixa automática de nove marchas do H9 permite um rodar confortável, com trocas suaves em rotações mais baixas e uma certa inteligência para gerar potência quando necessário.

O torque do H9, 48,9 kgfm, também é menor do que os 50,9 kgfm da Toyota SW4. Mas esta diferença também não compromete e só poderá ser notada se o condutor quiser subir uma pista íngreme e escorregadia, e ainda ter muita habilidade para acelerar na medida certa, na hora exata, para que com este torque o SUV possa superar este desafio hipotético. Na prática os dois entregam desempenho esperado em arrancadas e acelerações, mesmo sendo pesadões, e em situações em que a condução exige as funções off road, como o modo lama do H9 que é acionado pelo disco logo abaixo da alavanca de seleção de marchas.
Internamente muito superior
Nos quesitos luxo, entretenimento e tecnologia o Haval H9 dé um banho no Toyota SW4. É razoável dizer que estamos comparando veículos de gerações diferentes. E é exatamente isto que este consumidor fiel à confiabilidade da Toyota, um cliente tradicional, sobretudo os ligados ao agronegócio, está, aos poucos, percebendo.
O ponto central na cabine é a enorme tela de 14,9 polegadas full HD, que configura quase tudo do veículo, das opções de condução à ativação dos itens de segurança ativa e passiva aos controles do ar-condicionado, som, ligações telefônicas, dentre diversos outros comandos por toque.

As câmaras espalhadas pela carroceria formam uma cobertura em 360º e auxiliam todo o tipo de manobra, inclusive mostrando na tela o que há abaixo do assoalho do H9 com a função chamada de chassis transparente. Ou seja: raspar o fundo do veículo em pedras salientes que não são avistadas pelo caminho off road raiz é coisa do passado.
Aquecimento, resfriamento e massagem nos bancos do motorista e do passageiro da frente, ar-condicionado configurável para os ocupantes da segunda fileira e uma simpática assistente virtual que abre e fecha o teto solar panorâmico, as janelas de qualquer posição, dentre outras funções que são acionadas dizendo “Olá GWM”, são funcionalidades que elevam o padrão de exigências para SUVS grandes daqui em diante.
É um GWM ou um Land Rover?
Seu visual também é um diferencial, mas há controvérsias e talvez um ponto de atenção dependendo das opiniões. Conversando com algumas pessoas que pararam para observar o H9 na viagem ao interior de São Paulo – um veículo desse porte chama a atenção – imediatamente o confundiram com um modelo da Land Rover.

E é verdade, suas linhas quadradonas, denominado estilo Boxy, remetem ao Defender 110. Sobretudo olhando sua lateral, as grandes áreas envidraçadas lembram os modelos Land Rover. O conjunto óptico circular e as lanternas traseiras também parecem que foram inspiradas por ou possuem o mesmo fornecedor da marca britânica.
As opiniões foram divergentes: alguns comentaram que ficou bonito, imponente e que este é um ponto positivo do H9, mas outras pessoas acreditam que essa cópia tira não só a originalidade do modelo mas deprecia a sua reputação por usar elementos de design característicos de outra marca, muito tradicional.

Posicionamento de mercado
Mesmo para um púbico de alto poder aquisitivo o preço é um importante diferencial para decidir a compra de um veículo. Considerando que este mesmo grupo valoriza seu investimento em produtos que oferecem confiabilidade e bom valor de revenda, percepção consolidada na Toyota SW4 e a principal razão da sua liderança histórica, a novidade, a um preço menor, faz estas prioridades perderem a força.
Assim, cobrando algo como R$ 100 mil a menos considerando as versões com sete lugares ofertadas ao mercado, o H9 passa a ser uma opção e tanto no mercado brasileiro. No ano-modelo 2026 ele é vendido em versão única com preço fixado em R$ 329 mil [na versão 2027 o preço sobe para R$ 335 mil]. A SW4 na versão de sete lugares tem preço sugerido de R$ 424 mil 590 mil.
O segmento de SUVs grandes com sete lugares também tem outras opções, mas observando a tabela de vendas da Fenabrave alguns deles nem aparecem como dos mais vendidos. Parece que estão fora desse jogo, não à toa.
A Mitsubishi Pajero Sport, com preços que partem de R$ 383 mil, pode chegar a mais de R$ 432 mil. E a Chevrolet Trailblazer é oferecida em versão única a R$ 422 mil 590.
A exceção é o Jeep Commander, cujas vendas superam as do Toyota SW4 e as do Haval H9. Mas, além de contar com diversas versões com apenas cinco lugares e inclusive motorização a gasolina, suas dimensões são inferiores aos outros dois. Mesmo que o preço da sua versão mais equipada, a Overland 2.2 turbodiesel, tenha se desidratado nos últimos meses e ficado abaixo da concorrência com seus R$ 320 mil, a oferta de tecnologia embarcada e espaço interno ainda não se compara ao do H9.

Em síntese a receita desse jipão da GWM encontrou um mercado aparentemente carente de certos atributos como conforto, luxo, tecnologia, design, preço e até uma garantia estendida que supera a dos rivais. São dez anos de garantia, repetindo a proposta da Toyota para a SW4. No entanto a cobertura para motor, transmissão, eixo cardã, componentes eletrônicos, sistema de freios, ar-condicionado e caixa de direção do Haval H9 é de 250 mil quilômetros e na rival japonesa é de 200 mil quilômetros.
Não é difícil imaginar que se a concorrência não oferecer algo mais competitivo rapidamente o Haval H9 pode ultrapassar novamente o líder histórico e até subir ao pódio para não sair mais de lá.





