São Paulo – O mercado brasileiro de caminhões vive uma mudança importante em seu perfil de vendas: tradicionalmente dominado pelos pesados, principalmente cavalos mecânicos usados no transporte rodoviário de longa distância, o ranking nacional passou a refletir um cenário diferente desde o ano passado. Caminhões leves, médios e semipesados ganham espaço e avançam sobre modelos historicamente líderes.
A principal explicação está no custo financeiro. Ao longo de 2025 a taxa Selic permaneceu na média de 15% ao ano, encarecendo o crédito e reduzindo a disposição das transportadoras para investir em caminhões de maior valor agregado. Em muitos casos um extrapesado novo supera facilmente R$ 1 milhão, tornando o financiamento uma etapa praticamente obrigatória da compra.
Como resultado, empresas e transportadores passaram a priorizar modelos de menor investimento inicial. Ou seja, mais versáteis e com aplicações urbanas ou regionais.
Crédito caro freia os extrapesados
Mesmo com a chegada de programas de incentivo ao financiamento, como o Move Brasil, que oferece taxas ao redor de 12% ao ano, o mercado ainda não recuperou o dinamismo observado em anos anteriores.
Além disso, o transportador avalia com maior cautela o retorno do investimento diante dos custos operacionais elevados. Dessa forma, a demanda migrou para veículos com menor tíquete médio e aplicações mais diversificadas.
Não por acaso o líder absoluto do mercado em 2026 é o Volkswagen 11.180, com 2,4 mil unidades emplacadas até maio. O modelo se consolidou como uma das principais escolhas para distribuição urbana e operações regionais. E isso graças à sua versatilidade, boa fama e custo operacional competitivo.
O Volvo FH 540 permanece como o pesado mais vendido do País, com 2 mil 66 unidades acumuladas. Mas ainda assim o resultado o coloca na segunda posição no ranking total de vendas. E mostra que os cavalos mecânicos perderam espaço.
Leves e médios ampliam participação
A mudança de perfil também aparece entre os caminhões leves. O Volkswagen Delivery 9.180 lidera sua categoria com 694 unidades e quase 29% de participação. Logo atrás surgem os Mercedes-Benz Accelo 817 e 917, reforçando a força das marcas alemãs na distribuição urbana.
Nos médios o domínio é ainda mais evidente. O Volkswagen 11.180 sozinho concentra 44,5% do segmento, e o Mercedes-Benz Accelo 1117 responde por 26,6%. Juntos, os dois modelos representam mais de 70% das vendas da categoria.

Semipesados sustentam demanda regional
Nos semipesados o destaque fica para o Volvo VM 290, líder com 1,4 mil unidades. Entretanto, a Volkswagen Caminhões e Ônibus mostra grande força no segmento, com quatro modelos entre os dez mais vendidos.
Modelos como VW 26.260, VW 17.210 e VW 26.320 atendem aplicações variadas, desde distribuição até operações de carga geral e transporte regional. Assim, a diversificação do portfólio ajuda a montadora a ampliar participação em um momento de maior seletividade do mercado.
Extrapesados ainda lideram nas estradas
Embora os pesados tenham perdido protagonismo relativo, eles continuam fundamentais para o transporte de longa distância. Nesse cenário, a Volvo mantém forte liderança na categoria com o FH 540, FH 500 e FH 460 entre os modelos mais vendidos.

Por sua vez a DAF segue consolidada com os modelos XF 530 e XF 480. Enquanto Scania e Mercedes-Benz preservam participação relevante com os modelos G 560, 500 R Super e Axor 2545S.
Entretanto o comportamento recente do mercado mostra que o financiamento continuará determinando o ritmo de recuperação do segmento. Caso os juros recuem, os extrapesados podem voltar a ganhar participação. Afinal, o transporte no Brasil é rodoviário. Todavia, até lá, caminhões menores seguem no centro das decisões de compra das transportadoras brasileiras.
Ranking dos 20 caminhões mais vendidos no Brasil em 2026
| Posição | Modelo | Unidades |
|---|---|---|
| 1º | VW 11.180 | 2 mil 400 |
| 2º | Volvo FH 540 | 2 mil 066 |
| 3º | Mercedes-Benz Accelo 1117 | 1 mil 433 |
| 4º | Volvo VM 290 | 1 mil 407 |
| 5º | VW 26.260 | 1 mil 337 |
| 6º | Mercedes-Benz Atego 2429 | 1 mil 203 |
| 7º | DAF XF 530 | 1 mil 196 |
| 8º | Mercedes-Benz Atego 1719 | 1 mil 168 |
| 9º | VW 17.210 | 1 mil 151 |
| 10º | Volvo FH 500 | 1 mil 049 |
| 11º | Volvo VM 360 | 1 mil 026 |
| 12º | Volvo FH 460 | 762 |
| 13º | DAF XF 480 | 714 |
| 14º | VW Delivery 9.180 | 694 |
| 15º | VW Constellation 26.320 | 630 |
| 16º | Mercedes-Benz Axor 2545S | 625 |
| 17º | VW Constellation 18.260 | 621 |
| 18º | Scania G 560 | 614 |
| 19º | Mercedes-Benz Atego 2730 | 613 |
| 20º | VW 31.320 | 601 |
Fonte: Fenabrave





