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Future Mobility debate os desafios da mobilidade urbana

Painel discutiu as ações das cidades brasileiras para aprimorar e integrar os modais de transporte

São Paulo – Por mais que a eletrificação esteja criando novos hábitos e experiências na mobilidade urbana muitos desafios ainda são enfrentados principalmente nas grandes cidades brasileiras para resolver a convivência – nem sempre amigável – de automóveis, ônibus e usuários de outros meios de locomoção, como bicicletas, motocicletas e patinetes.

Este foi o tema central do debate Mobilidade nas Cidades: O que Muda até 2035, que fez parte do ciclo de painéis da Future Mobility, feira dedicada à mobilidade, eletrificação, conectividade e tecnologias, que segue até 25 de junho no Distrito Anhembi, Zona Norte de São Paulo. 

O evento conta com mais 1 de mil expositores, montadoras, empresas de tecnologia, startups, operadores de infraestrutura, entidades setoriais, consultorias e especialistas que atuam diretamente na transformação da mobilidade urbana.

O painel reuniu Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos, SP, Sérgio Avelleda, ex-secretário municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo e especialista em mobilidade, e Thiago Marques, chefe de marketing e produto da MG Motor.

Ao iniciar sua apresentação Avelleda destacou que, hoje, 105 pessoas morrem todos os dias no trânsito do País: “É como se um avião caísse diariamente. Ninguém precisa morrer para se deslocar e isso comprova que temos um problema muito sério de segurança viária”.

Para ele o Brasil erra ao investir em transporte individual em detrimento do coletivo. Criticou também a prioridade de países como Brasil, México, China e Índia em querer aumentar a frota de carros e não o contrário, como já fazem cidades como Oslo, Noruega, e Helsinque, Finlândia. Nestas capitais o volume de veículos nas ruas diminuiu 50% nos últimos anos, com prioridade para pedestres, ciclistas e transporte público.

“O carro é eficiente quando usado com parcimônia, caso contrário fica parado no caos do trânsito.” 

Estímulos na mobilidade

Na visão do especialista a conta é simples: “Se um ônibus transporta oitenta vezes mais pessoas do que um automóvel, então, em um país democrático, deve ser destinado a ele oitenta vezes mais espaço para rodar nas cidades”.

Avelleda acredita que a sociedade funciona por meio de estímulos e na mobilidade não é diferente: “Quando você constrói uma ciclovia o recado é: ande de bicicleta. E as pessoas compram a ideia. Se o investimento acontece em corredor de ônibus os usuários sentem-se mais à vontade para se deslocar de ônibus”.

E faz o contraponto: “Que mensagem estamos passando quando o número de pontos nas infrações para o motorista ser punido passa de 20 para 40?  Ou isentar um carro com mais de vinte anos a pagar IPVA? Isso incentiva que veículos velhos, poluentes e inseguros rodem livremente nas ruas. Em países desenvolvidos ocorre justamente o contrário”.

Na sua exposição o prefeito Farias reforçou que São José dos Campos vem se destacando como referência em mobilidade urbana no cenário nacional graças a ações como substituição da frota de ônibus por modelos elétricos, 300 quilômetros de ciclovias e corredor verde, que conecta vários pontos da cidade de forma sustentável. 

Ele acredita que o transporte público brasileiro sofreu dois baques recentes que inibiram seu uso: “O primeiro foi o surgimento do transporte por aplicativo, que favoreceu o sistema individual e pôs mais carros na rua. Em segundo a pandemia da covid-19, que mudou radicalmente o comportamento dos passageiros”.

Diante das dificuldades São José tomou a frente com iniciativas para priorizar o transporte público, como as ciclovias integradas ao sistema de ônibus elétricos: “Se depois das 7 da noite o usuário ainda estiver com a bike, ele pode levá-la para casa e devolvê-la no dia seguinte”. 

Ônibus sob demanda

Outra novidade, que deverá entrar em vigor em maio de 2027, é a utilização de ônibus elétrico sob demanda – espécie de ônibus fretado público. 

“Faremos um mapeamento dos bairros para saber onde um grupo de moradores precisa se deslocar de um mesmo ponto a outro. Quando isso acontecer, eles poderão solicitar ônibus elétrico para a viagem de segunda a sexta-feira. Cada um dos usuários receberá o cartão de integração dos modais”.

Para Thiago Marques, da MG Motor, a eletrificação não estará tão cedo em 100% da frota de automóveis no Brasil: “A projeção é de 70% do mercado em 2030, o que não impedirá o desenvolvimento dos modais para atender ao consumidor com mais eficiência”.

No entanto a adesão ao transporte público exige reeducação de boa parte da população, cada vez mais acostumada com o sistema individual. “Envolve uma questão de segurança pública, porque todos precisam se sentir protegidos para ir de um modal a outro”.

Marques diz que ninguém está imune à violência nas ruas brasileiras. Tanto que em São Paulo, Rio de Janeiro, RJ, e Recife, PE, a compra de carros eletrificados geralmente vem acompanhada da blindagem. 

“Desde patinetes até automóveis sofisticados todos querem usufruir das tecnologias disponíveis. Mas sem medo de sair de casa”, afirmou. “Quando a sensação de segurança aumentar todos os modais serão mais aproveitados.”

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