São Paulo — A Volkswagen Caminhões e Ônibus prepara para a Fenatran 2026 a estreia de um produto completamente novo para a marca. Um furgão destinado ao transporte de cargas que ficará abaixo do Delivery Express. Assim, marca a entrada da fabricante no segmento de veículos comerciais leves.
O modelo ainda tem seu nome em segredo, mas a base do projeto já é conhecida. O novo Volkswagen deriva do Maxus Deliver 9, veículo comercial da chinesa SAIC, parceira da Volkswagen em um projeto que combina a plataforma desenvolvida na China com a engenharia brasileira.
Na configuração internacional, o Deliver 9 utiliza motor 2.0 turbodiesel de 150 cv e também conta com versões elétricas. Porém, para o Brasil, a VWCO começará pelo modelo a diesel, com transmissão manual. Mas a VWCO não confirma exatamente se o modelo terá mesmo trem de força.
Seja como for, a empresa pretende ampliar a família posteriormente. Mas a prioridade agora é colocar no mercado a configuração de carga com maior potencial de volume.
Mais de 250 alterações para rodar no Brasil
Embora o projeto tenha origem chinesa, a VW Caminhões e Ônibus afirmou que o veículo não chegará ao País simplesmente como um produto importado. A engenharia brasileira trabalhou por mais de dois anos na adaptação do furgão. Durante esse período, os protótipos acumularam mais de 1,5 milhão de quilômetros de testes e mais de 20 mil horas de avaliações em laboratório e bancadas. Além disso, a equipe de engenharia modificou ou aprimorou mais de 250 componentes e sistemas.
Os testes passaram por diferentes tipos de pavimento e condições de operação, incluindo asfalto, lama e trechos considerados severos. A engenharia também avaliou o comportamento do veículo diante das condições típicas de utilização no transporte brasileiro, com atenção especial à robustez, durabilidade e capacidade de suportar as condições de operação encontradas no País.
O resultado é um veículo que mantém a origem chinesa do projeto, mas incorpora uma calibração feita especificamente para o mercado brasileiro.

Furgão terá foco em carga na primeira fase
Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing da VWCO, a marca decidiu começar pelo furgão de carga. Isso significa que outras possibilidades previstas para a família, como versões para transporte de passageiros, chassi-cabine e diferentes configurações de entre-eixos, ficarão para uma segunda etapa.
Todavia, segundo Alouche, com base em clínicas e escutando os clientes, o modelo de estreia deve preencher grande parte da logística urbana. Ou seja, poderá ser uma versão de 3,5 t de PBT.
A fabricante também não pretende lançar uma grande quantidade de versões de uma só vez. A ideia é começar com uma configuração considerada mais versátil e, posteriormente, ampliar a oferta de acordo com a resposta dos clientes.
Essa estratégia permite que o novo modelo atenda inicialmente operações de distribuição urbana, logística e entregas, sem dispersar a oferta em muitas configurações. Por isso, acredita-se em um modelo mais de entrada, e bem urbano, cabendo um motor 2.0 de 150 cv.
Equipamentos foram definidos também pelos clientes
Outro ponto interessante do desenvolvimento ocorreu durante as clínicas realizadas pela Volkswagen. A empresa colocou o futuro furgão lado a lado com produtos concorrentes e ouviu potenciais compradores sobre acabamento, equipamentos, ergonomia e soluções de uso.
Com base nessas avaliações, a engenharia incorporou ao projeto soluções que não necessariamente fazem parte da configuração original do veículo na China.
É justamente nesse ponto que a VWCO pretende diferenciar o novo furgão. Ou seja, aproveitar uma arquitetura já existente, mas entregar um produto com características definidas para o operador brasileiro.
Diesel será o ponto de partida
Apesar de a plataforma internacional oferecer alternativas elétricas, a VWCO iniciará a operação brasileira com a versão diesel.
A escolha está relacionada à primeira fase comercial do projeto. A fabricante quer consolidar o produto e atender inicialmente a demanda de maior volume antes de ampliar a família. Contudo, não descarta novas motorizações no futuro. A arquitetura do projeto permite pensar em outras derivações, o que abre espaço para uma evolução gradual da linha.
Novo modelo terá atendimento dentro das cidades
A VWCO também precisará adaptar sua estrutura de atendimento ao perfil do novo veículo.
Diferentemente dos caminhões, que normalmente encontram as concessionárias em áreas próximas a rodovias, os furgões trabalham intensamente dentro das cidades. Por isso, a empresa prepara pontos de atendimento mais próximos dos centros urbanos.
A rede de aproximadamente 150 concessionários passará por treinamento, homologação, preparação de ferramentas e estrutura de peças para receber o novo produto. Em São Paulo, a empresa também prepara novas estruturas dentro da área urbana. A proposta é oferecer um atendimento mais rápido e exclusivo para o novo veículo.
Produção começa na China e preço ainda será divulgado
Na primeira fase, o novo furgão será produzido na China e chegará ao Brasil pronto para venda. A VWCO, porém, já trabalha na possibilidade de regionalizar a produção posteriormente. O projeto também prevê a comercialização na Argentina, depois da estreia brasileira. A empresa estuda alternativas para levar a montagem e parte da produção para a América Latina em uma etapa posterior.
Por enquanto, a Volkswagen ainda guarda algumas das informações mais importantes, como nome, dimensões, capacidade volumétrica, entre-eixos, capacidade de carga e lista completa de equipamentos. Esses dados devem completar o retrato do primeiro furgão da história da Volkswagen Caminhões e Ônibus quando a fabricante revelar o veículo na feira.
Em relação ao preço, Ricardo Alouche sinaliza que a VWCO não pretende disputar o segmento apenas pelo menor valor de aquisição. A proposta é oferecer um pacote competitivo em relação a modelos como Mercedes-Benz Sprinter e Renault Master, os principais rivais por serem mais populares em vendas. Mas isso considerando a configuração e o nível de equipamentos entregues.
Segundo o executivo, a comparação precisa levar em conta o conteúdo do veículo, pois o novo furgão poderá oferecer equipamentos e soluções que não aparecem de série em alguns concorrentes.























