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Farizon F3E chega por R$ 240 mil para disputar o transporte do e-commerce

Com 15 m³ de capacidade, bateria de 72,8 kWh, autonomia de até 300 quilômetros novo elétrico da Farizon chega ao Brasil mirando operações de maior densidade
Farizon F3E
Fotos: Farizon

São Paulo — A Farizon trouxe uma novidade para ocupar espaço que começa a ganhar importância na logística urbana brasileira: no intervalo da van ao caminhão leve. Para isto a marca, representada no País pelo Grupo Timber, inicia a comercialização do F3E, elétrico de 3,5 toneladas de PBT desenvolvido para operações de distribuição. Sobretudo mirando o avanço do e-commerce.

Por esta razão o modelo chega com uma combinação pouco comum no segmento: conta com distância de entre-eixos de 3m700, bateria de 72,8 kWh, capacidade de carga de 1 mil 740 kg e possibilidade de receber baú de aproximadamente 15 m³. Na prática a proposta é transportar mais volume sem aumentar proporcionalmente a altura do implemento.

Mais volume sem transformar o veículo em um arranha-céu

De acordo com Rodrigo Pikussa, diretor executivo da unidade de veículos elétricos do Grupo Timber, o projeto nasceu justamente da mudança no perfil das entregas. O crescimento do comércio eletrônico aumenta não apenas o número de encomendas mas, também, a densidade e o volume transportado.

“Os e-commerces estão crescendo em volume e densidade. Logo começam a procurar veículos de maior capacidade.”

Por isto o F3E foi concebido como chassi-cabine, e não como uma van adaptada. O entre-eixos de 3m700 permite área de carga maior. Disse Pikussa que veículos elétricos concorrentes nessa faixa normalmente trabalham com entre-eixos significativamente menores.

Assim a marca estima que seja possível chegar a cerca de 15 m³ de volume, ante algo de 10 m³ a 12 m³ em configurações concorrentes de dimensões semelhantes. Portanto a vantagem não está em carregar muito mais peso mas em transportar mais mercadoria volumosa.

Além disto manter o veículo mais baixo ajuda na estabilidade. A solução evita simplesmente aumentar a altura do baú para obter mais volume, que pode elevar o centro de gravidade e comprometer o comportamento dinâmico.

Bateria maior e autonomia para sair da cidade

Outro ponto central do F3E é a bateria de 72,8 kWh. Ou seja: a maior já utilizada pela Farizon no Brasil. O conjunto utiliza tecnologia LFP e é produzido pela própria divisão de baterias do grupo.

Na China o modelo registrou 314 quilômetros de autonomia no ciclo WLTC. No Brasil, entretanto, o resultado oficial ainda depende da homologação do Inmetro, prevista para a segunda quinzena de setembro. Mas a expectativa da empresa é alcançar de 250 a 300 quilômetros em operação real.

Com isto o F3E não fica restrito à distribuição estritamente urbana. A autonomia também permite conectar centros de distribuição instalados fora das grandes cidades às operações de última milha.

Farizon F3E
Fotos: Farizon.

Por outro lado a recarga rápida de até 100 kW permite recuperar boa parte da autonomia em pouco tempo. Segundo Pikussa uma recarga de 20% a 100% pode demorar coisa de 40 minutos, dependendo das condições de operação e temperatura da bateria.

Além disto o modelo aceita carregamento em corrente alternada de até 11 kW e oferece tomada de força de alta tensão de 10 kW. O recurso permite alimentar equipamentos como plataformas elevatórias, sistemas de refrigeração e bombas hidráulicas diretamente pela bateria de tração.

Segurança deixa de ser opcional

Mais do que substituir diesel por eletricidade a Farizon tenta usar a transição para elevar o nível tecnológico do veículo comercial leve. O F3E chega ao Brasil com frenagem autônoma de emergência, alerta de saída involuntária de faixa, controle eletrônico de estabilidade, monitoramento da pressão dos pneus, câmara de ré e sensores de estacionamento.

Além disto traz painel digital de 7 polegadas e central multimídia de 12,3 polegadas com Apple CarPlay, Android Auto e Bluetooth. O ar-condicionado mantém comandos físicos, uma escolha que a empresa considera mais adequada ao ambiente de trabalho.

De acordo com Pikussa a segurança também passou a entrar na pauta dos grandes embarcadores. Amazon, Mercado Livre e Petlove são perfis de clientes atendidos pela operação da Farizon no Brasil. Assim como locadoras de veículos.

Por esta razão a eletrificação começa a ser tratada por estas empresas não apenas como agenda ambiental mas, também, como oportunidade para reduzir acidentes e elevar a segurança da operação.

R$ 240 mil e uma conta que começa a fechar

O preço sugerido de R$ 240 mil é outro componente importante que traz o F3E. O valor é próximo ao de uma van elétrica de menor capacidade da própria marca, mas o F3E oferece praticamente três vezes mais volume de carga.

Além disto a empresa afirma que a conta melhora quando entram no cálculo combustível, manutenção e produtividade. Do ponto de vista de Pikussa em determinados cenários o custo total de propriedade do F3E já pode ser competitivo ou até inferior ao de um veículo equivalente a combustão.

A estimativa apresentada pelo executivo é de retorno do investimento em aproximadamente dois anos e meio a três anos, dependendo da operação.

Farizon quer sair da fase de experimentação

Farizon F3E
Cabine do Farizon F3E combina painel digital de 7 polegadas, central multimídia de 12 polegadas e comandos físicos para funções como climatização

O F3E também marca uma nova etapa para a Farizon no Brasil. A empresa comercializou cerca de oitenta veículos no primeiro semestre e afirma ter alcançado aproximadamente 22% de participação nos comerciais leves elétricos no período.

Até agora a V6, van de 6 m³ de capacidade, é o principal produto da marca no País, representando 90% das vendas. A expectativa, porém, é que o F3E ganhe participação rapidamente: “Não me surpreenderia se ele ultrapassasse a V6 em volume”.

Ainda assim os dois produtos não são tratados como concorrentes internos. A V6 permanece direcionada às operações urbanas que exigem agilidade e menor porte. Enquanto o F3E atende aplicações com maior volume e densidade de carga.

Neste cenário o crescimento do e-commerce joga a favor do novo modelo. O aumento das entregas de produtos volumosos, como eletrodomésticos e móveis, cria uma demanda que uma van convencional não consegue atender com a mesma eficiência.

Locadoras continuam no centro da eletrificação

Outro aspecto relevante do plano de negócios do Grupo Timber é a participação das locadoras. Grandes operadores logísticos e embarcadores podem adquirir os veículos diretamente, mas também recorrem às empresas de locação para reduzir exposição financeira e manter estrutura mais leve em ativos.

Por isto a Farizon está estruturando também o pós-venda para este modelo de operação. A empresa prepara parceria com grandes locadoras para autorizar oficinas destas empresas a realizar determinados serviços nos veículos.

Enquanto isso a ideia própria de assistência segue o conceito de levar o serviço ao veículo. A Farizon já opera unidades móveis em São Paulo e Curitiba, PR, e começou a credenciar oficinas regionais no Rio de Janeiro, RJ, Vitória, ES, e Curitiba.

O próximo passo é ganhar escala

Por fim a empresa vê 2027 como um ano de aceleração da eletrificação comercial. Pikussa avaliou que o mercado começa a deixar a fase de testes e entrar em uma etapa de adoção efetiva.

Além disto o executivo considera que a queda do custo total de propriedade pode acelerar esta mudança, especialmente em operações de alta utilização, como as do e-commerce.

Ao mesmo tempo a concorrência tende a aumentar. JAC e outras fabricantes já disputam o segmento de elétricos leves e novos produtos devem chegar ao mercado.

Ainda assim a Farizon aposta que o avanço da oferta ajudará a ampliar o mercado como um todo. Para a marca o F3E representa justamente esta mudança: um elétrico que deixa de ser apenas uma alternativa de descarbonização e passa a disputar produtividade, capacidade e custo com o caminhão a combustão.

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