São Bernardo do Campo, SP –O Grupo Sada colocou em operação um posto próprio de GNV em um de seus pátios no ABC Paulista. A estrutura de alta vazão atende inicialmente cerca de dez dos 35 caminhões cegonhas movidos a gás que passaram por retrofit. E, ao mesmo tempo, cria condições para a empresa ampliar o uso do combustível na frota.
O principal ganho está na operação. Antes os caminhões precisavam recorrer a postos convencionais, onde o abastecimento demorava mais, cerca de 1 hora. Em alguns casos o cavalo mecânico precisava seguir sozinho até o posto, deixando a carga no pátio.
Agora o caminhão pode chegar carregado ao posto, abastecer em cerca de 8 minutos e continuar a viagem. Com isto a Sada reduz o tempo parado e elimina deslocamentos exclusivos para abastecimento.
Além disto a estrutura tem capacidade para atender uma eventual conversão dos cerca de seiscentos caminhões próprios da empresa para GNV. Portanto o posto não atende apenas a demanda atual: funciona como uma infraestrutura preparada para uma possível expansão da frota a gás.
Betim pode ganhar posto semelhante

A Sada também olha para a infraestrutura fora de São Paulo. Parte dos caminhões que passaram pelo retrofit opera em Betim, MG, e a empresa já estuda instalar naquele complexo uma estrutura semelhante à de São Bernardo do Campo.
A ideia é repetir o modelo de abastecimento de alta vazão e integrar o fornecimento de gás à rotina da operação. Desta forma a empresa pretende reduzir a dependência de postos convencionais e ganhar maior controle sobre as rotas dos caminhões a GNV.
A autonomia dos veículos chega a aproximadamente 350 quilômetros, o que torna a localização dos pontos de abastecimento um fator importante para a operação.
Retrofit prolonga vida útil dos caminhões
A estratégia de GNV começou com o retrofit de 35 caminhões em parceria com a MWM. A Sada utilizou principalmente veículos com motorização Euro 3 e substituiu o conjunto a diesel por uma solução a gás.
A escolha permitiu aproveitar caminhões que ainda tinham capacidade operacional, evitando a substituição imediata por veículos novos.
O trabalho, porém, não se limita ao motor. Os caminhões passam por uma revisão ampla, que inclui componentes mecânicos, freios e cabine. Assim a empresa combina a mudança de combustível com uma atualização do veículo.
Segundo Luísa Medioli, diretora de sustentabilidade do Grupo Sada, os caminhões apresentam redução média de aproximadamente 15% nas emissões em rotas adequadas, chegando a 17% em algumas operações.
Atualmente cerca de 90% da frota própria da empresa utiliza veículos Euro 5, Euro 6 ou GNV.
GNV abre caminho para o biometano
O gás natural representa apenas uma das etapas da estratégia de descarbonização da Sada. A empresa pretende testar biometano ainda neste ano em caminhões que já utilizam GNV.
A possibilidade de usar a mesma tecnologia dos veículos facilita o teste. A companhia pretende realizar a experiência em Minas Gerais e comparar os resultados antes de decidir por uma expansão.

Montadoras pressionam por menor emissão
A pressão para avançar na descarbonização também vem dos clientes. A Sada transporta veículos 0 KM para cerca de 70% das montadoras instaladas no Brasil e ocupa posição de destaque na logística automotiva da América Latina.
Como parte da cadeia de emissões das fabricantes a transportadora acompanha metas ambientais cada vez mais rigorosas. Por isto alguns projetos com GNV já entram nos contratos comerciais. Para tecnologias que ainda estão em avaliação a empresa prefere testar e medir os resultados antes de oferecer a solução aos clientes.
A companhia entende que este processo tende a ganhar espaço nas negociações pois as montadoras precisam reduzir as emissões de suas cadeias e os transportadores terão de encontrar soluções economicamente viáveis para cumprir estas metas.
Frota própria e terceiros ampliam desafio
A Sada possui cerca de 620 veículos próprios e trabalha ainda com mais de 3 mil motoristas terceiros. O transporte de veículos 0 KM representa mais de 80% do faturamento da divisão de transporte.
Por isto a empresa não concentra o plano do GNV apenas na frota própria. Os caminhões de terceiros também passam por vistoria antes de receber carga. E a companhia acompanha questões de segurança, conservação e emissões.
Enquanto o GNV atende parte das operações pesadas, a eletrificação pode ganhar espaço em trajetos mais curtos e previsíveis. Nos veículos leves a empresa já adotou o etanol como combustível obrigatório e calcula redução de aproximadamente 50% nas emissões com relação à gasolina. Assim a Sada trabalha com diferentes soluções para diferentes aplicações.























