Vitória, ES — Sétima motocicleta mais emplacada no Brasil em 2025, a Honda CB300F Twister ganhou um bamho de loja para sua vesão 2027. O modelo passou por facelift, recebeu uma nova suspensão dianteira e passou a oferecer controle de tração e chave codificada.
Lançada em 2022, para substituir a CB250F, a CB300F Twister já era um sucesso de vendas, como revelam os números de emplacamentos. Neste ano já somou mais de 40 mil unidades, de acordo com dados da Fenabrave. O volume é bem superior ao da sua principal concorrente, a Yamaha Fazer 250, que vendeu cerca de 28 mil unidades até agosto.
Agora com as novidades a Honda CB 300F Twister 2027 tem tudo para se manter na liderança do segmento de motos urbanas de 250/300 cm³ de cilindrada. Mesmo com um reajuste em torno de 2,5%, que fez seu preço subir para R$ 26 mil 880 na versão equipada com freios ABS, disponível nas cores vermelha e preta.
A pequena naked urbana também passa a ser vendida na versão S, por R$ 27 mil 680. Além de cores e grafismos exclusivos a CB300F vem com uma capa para o banco da garupa que a transforma em uma moto monoposto e reforça, assim, sua vocação esportiva nesta nova geração.
Luzes de posição
Esta proposta mais esportiva, inspirada nos modelos street fighters, nome dado às motos naked derivadas de esportivas, já aparece no novo design. Com aletas do tanque mais protuberantes e linhas mais afiladas a Twister agora parece uma moto de maior cilindrada. Lembra até mesmo gerações anteriores da bicilíndrica Honda CB500F.

Outra novidade que, além do impacto estético, contribui para a segurança são as luzes de direção. No modelo 2027 os piscas ficam permanentemente acesos e funcionam como luzes de posição. De acordo com a Honda isto facilita que outros motoristas identifiquem uma motocicleta, como afirmou Luiz Gustavo Guareschi, supervisor de relações públicas da Honda Motos: “À noite, ao avistar apenas um farol, pode-se confundir com um carro com farol queimado. Já com as setas ligadas fica claro que se trata de uma moto”.
Vale destacar também a adoção do sistema ESS, Emergency Stop Signal, ou simplesmente alerta de frenagem de emergência. Quando há uma frenagem brusca e uma grande desaceleração os piscas traseiros são acionados por alguns segundos para alertar quem vem atrás. Um sistema inédito em motos desta faixa de cilindrada e, até então, exclusivo dos modelos de maior capacidade da Honda.
Motor atualizado
Ao montar na nova CB300F Twister não há surpresa. Afinal a posição de pilotagem manteve-se igual à do modelo anterior: o assento é amplo, as costas ficam levemente inclinadas à frente e os joelhos flexionados como em uma naked. Mesmo com o novo guidão, em formato cônico e 10 mm mais largo, o triângulo da ergonomia não sofreu alterações.

A mudança do guidão deve-se às novas mesas de fixação das bengalas da suspensão dianteira invertida. Agora feitas em alumínio forjado trazem o suporte em peça separada e com um coxim de borracha para isolar o piloto das vibrações.
O motor também não mudou: trata-se de um monocilíndrico, flex, de 293,5 cm³ de capacidade, arrefecimento a ar, comando simples no cabeçote e quatro válvulas. Produz 24,7 cv de potência máxima a 7,5 mil rpm e 2,67 kgf.m de torque a 5,5 mil giros. Um desempenho modesto em altos giros, mas com boa força em baixas e médias rotações. O câmbio de seis marchas permite aproveitar bem o torque em baixos giros e dispensa muitas trocas de marchas, principalmente no trânsito carregado de uma manhã chuvosa em Vitória, Capital do Espírito Santo.
Embora não tenha sofrido alterações mecânicas o motor foi atualizado. Recebeu novos sensores para atender às regras do Promot 5, que passa a exigir um sistema de diagnóstico onboard mais completo e eficiente. Com isto a impressão é que o funcionamento do propulsor, que já merecia elogios, ficou ainda melhor. Não se sente buracos de alimentação, nem mesmo em marchas mais altas e giros baixos. A resposta também parece estar mais suave e os giros crescem sem incomodar tanto o piloto. As vibrações do monocilíndrico só são percebidas nas pedaleiras, porém em giros mais altos e em ritmo de estrada.
Mais segura e estável
Depois de deixar para trás o trânsito de Vitória era hora de pegar a estrada rumo às curvas das serras capixabas. O desempenho do motor é suficiente para manter 120 km/h no painel — a velocidade máxima real declarada pela Honda é de 130 km/h, mas chegando a 147 km/h no velocímetro digital.

O asfalto molhado e ainda sujo da chuva que castigou a região após mais um ciclone extratropical se formar na costa brasileira foi ideal para testar outra novidade da Twister 2027: o controle de tração que a marca japonesa chama pomposamente de HSTC, Honda Selectable Torque Control, controle de torque selecionável.
O sistema lê e compara a velocidade de rotação das rodas dianteira e traseira. Caso detecte uma diferença muito grande abruptamente reduz o torque entregue à roda de trás evitando derrapagens em pisos mais escorregadios. Mais comuns em motos maiores e mais potentes o HSTC é uma importante rede de segurança, ainda mais para o principal público do modelo, aqueles que migram das motos urbanas de 150/160 cm³. Embora vale dizer que o motor entrega torque e potência de forma tão suave que o controle de tração atuou poucas vezes.
Quando o asfalto secou e em alguns trechos mais limpos foi possível notar os benefícios do garfo telescópico invertido, upside-down, na dianteira: com menor massa não suspensa o conjunto reage mais rapidamente às oscilações do piso e garante maior aderência dos pneus, ou seja: faz com que fiquem mais tempo em contato com o solo.

A redução também contribui para melhorar a agilidade e a precisão nas mudanças de direção e nas entradas de curvas. Segundo a Honda reduz até mesmo a distância de frenagem. De acordo com Guareschi em testes feitos com o Instituto Mauá a nova Twister freia de 80 km/h a 0 em 31m30 metros, 3 metros a menos do que o modelo anterior. Isto se deve ao acerto mais firme, mas também às novas mesas que reduzem a torção em frenagens.
Dupla jornada
Já no retorno a Vitória passamos por Vila Velha, o município mais antigo do Espírito Santo e um dos mais antigos do Brasil. De volta ao trânsito urbano a Twister lembrou o motivo de ser a escolha da maioria dos motociclistas que sobem de cilindrada das motos utilitárias de 150 cm³ e 160 cm³. Com boa distribuição dos seus 142 kg a seco demonstra ser ágil como sua irmã menor em meio ao trânsito urbano. Um conjunto muito bem equilibrado e fácil de controlar.

Rodamos 130 quilômetros. O consumo ficou em 29 km/litro de gasolina, um bom resultado para uma moto de 300 cm³. Segundo a Honda a Twister faz 28 km/litro com gasolina e 20 km/litro com etanol.
Com bom desempenho para a estrada, baixo consumo e facilidade de pilotagem também na cidade a CB300F Twister funciona bem para essa dupla jornada de quem tem apenas uma moto na garagem. Serve para driblar o trânsito de grandes centros e ainda passear e viajar nos fins de semana.
Chave antifurto e entrada USB-C
Além das mudanças ciclísticas vale destacar outras melhorias feitas pela Honda para manter os bons números de venda da CB 300F Twister 2027. A principal delas é o sistema Honda Ignition Security System, uma chave codificada que inibe furtos — outra tecnologia herdada das motos de maior cilindrada.

O cockpit do piloto manteve a entrada USB-C ao lado do farol e recebeu punhos com comandos mais elegantes e também uma tecnologia que melhora a visualização do painel em qualquer situação.
Em resumo a Honda fez ajustes finos na ciclística da Twister e também não economizou nas novidades. Tudo para manter a liderança do segmento e enfrentar a forte concorrência chinesa que chega para brigar no segmento de motos médias.
Ficha técnica
Motor: 1 cilindro, 293,5 cm³
Potência: 24,5 cv a 7,5 mil rpm (gasolina) e 24,7 cv a 7,5 mil rpm (etanol)
Torque: 2,61 kgf.m a 5,5 mil rpm (gasolina) e 2,67 kgf.m a 5,5 mil rpm (etanol)
Câmbio: 6 marchas
Peso seco: 142 kg
Preço sugerido: a partir de R$ 26 mil 880























