Exportações ultrapassam volume histórico de 2005

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CompartilheBalanço da Anfavea
10/08/2017

As exportações de veículos já são recorde neste ano. Foram exportados de janeiro a julho 439 mil 586 unidades, alta de 55,3% no comparativo com o acumulado do ano passado. Com esse desempenho, Antônio Megale, presidente da Anfavea, já fala que 2017 deverá superar o ano de 2005, até então o melhor ano em embarques da história da indústria automotiva no País. De janeiro a julho de 2005, as montadoras exportaram 420 mil veículos. 

Megale creditou novamente o bom desempenho das exportações aos acordos comerciais na América Latina e também à aceitação dos produtos nacionais em novos mercados. O representante contou, ainda, que a indústria trabalha com uma meta de manter um nível mensal de 65 mil unidades exportadas: “O governo também percebeu a necessidade de estreitar os acordos comercias. A exportação é uma válvula de escape importante para regular a nossa indústria. Cada vez mais nossos produtos são aceitos nos países vizinhos e o esforço que as empresas têm feito para aumentar o volume exportado tem dado bons resultados”. Ele contou que hoje de 25% a 30% da produção é destinada ao mercado externo.

 

Ele comemorou, também, a assinatura do acordo automotivo com a Colômbia no mês passado: “É um mercado importante. A participação dos veículos brasileiros no mercado colombiano era de 3%. Já estamos em 5% e temos potencial para chegar a 10%. O acordo está em processo de internacionalização, acredito que termine nos próximos dois meses. Espero não morrer pela boca. Falei isso algumas vezes e não aconteceu”.

 

Em julho, foram exportadas 65 mil 722 unidades, volume 55,3% maior do que em julho do ano passado. Veículos leves representaram a maior parte dos embarques, com 61 mil 984 unidades de automóveis e comerciais leves. No acumulado do ano, foram 418 mil 113, alta de 56,7%. Caminhões, de janeiro a julho, foram 16 mil 588, 47,4% a mais do que no mesmo período de 2016. Só em julho, foram 2 mil 957. Em ônibus, nos sete meses do ano, leve queda de 0,4%, com 4 mil 885 unidades. Em julho, 781. Os principais destinos, em volume, foram Argentina, México, Chile, Uruguai e Colômbia.

 

Esse desempenho rendeu às fabricantes instaladas aqui R$ 8 bilhões 792 milhões 6 mil, outro recorde. A receita, divulgada pela Anfavea, inclui também os negócios envolvendo máquinas agrícolas e representou 52% mais do que o obtido em igual período em 2016. As exportações de veículos, isoladamente, renderam US$ 7 bilhões 320 milhões 168 mil, alta de 54,5%.

 

Segurança – As reprovações de veículos produzidos aqui em testes feitos este ano pela Latin NCAP, entidade independente que testa a segurança nos carros, não representam uma espécie de ameaça à reputação do produto nacional, segundo Megale. Para ele, reprovações como a do Chevrolet Onix e, mais recente, do Fiat Mobi, são um sinal de alerta no que diz respeito às divergências de critérios de avaliação utilizados pelas fabricantes e as instituições que realizam testes:

 

“Existem alguns institutos que fazem verificações e sua própria avaliação. Temos um pouco de preocupação com isso porque os protocolos destas instituições eles não são estáveis. Às vezes uma empresa que tira uma nota máxima em um item de segurança por causa de uma simples mudança de protocolo, ela cai nessa medição”.

 

Megale contou que é preciso levar em consideração quando se discute segurança nos veículos a questão do tempo de adoção de novos itens de segurança, e como isso pode aumentar o valor do veículo ao cliente: “Temos que agir com muita prudência porque produzimos carros para brasileiros, não produzimos para europeus. Os itens de segurança tem que ser gradualmente incorporados aos veículos, não podemos de nenhuma forma encarecer o preço dos veículos. Por isso que é importante a previsibilidade. Quando o projeto começa a ser feito já se sabe que quando ele entrar em produção, ele vai ter de atender a certas normas”.

 

O presidente da Anfavea disse que o desenho do Rota 2030, a nova política industrial para o setor, leva em consideração a adoção de novos itens de segurança e testes a serem implementados no Brasil de forma gradual. Isso para que as empresas tenham tempo para se adequarem em seus próximos lançamentos.

 

Argentina – Outro tema que parece não criar preocupação nas fabricantes de veículos daqui é o decreto baixado na Argentina que exige a antecipação das multas às montadoras que extrapolaram o coeficiente flex estabelecido no acordo automotivo. O Brasil pode exportar US$ 1,5 para cada US$ 1 importado da Argentina livre de impostos:

 

“É a primeira vez que isso acontece. Essa é uma questão de governos, expressamos a nossa preocupação porque são nossas próprias empresas. Mas, da mesma forma que o flex está desequilibrado hoje, porque nós estamos exportando mais pra Argentina, quando os investimentos feitos aqui no Brasil terminarem, isso vai gerar novos produtos e provavelmente teremos uma reversão desse quadro”.

 

Crédito da foto: Divulgação