SUV-cupê é o carro mais sofisticado e caro da marca no País
São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão, SP – O Fastback fecha o ciclo de despopularização da Fiat no Brasil, com ofensiva de lançamentos em sequência iniciada há cerca de três anos, que desconectam a empresa da pecha de produzir apenas carros mais baratos. Neste sentido o inédito SUV-cupê coloca a marca no alto do mercado, é o mais caro dentre os oito modelos Fiat produzidos no País, com design refinado, acabamento caprichado, tecnologias modernas, motores potentes e preços em três versões, todas turbo, duas 1.0 de R$ 129 mil 990 e R$ 139 mil 990, e uma 1.3 por R$ 149 mil 990.
O novo carro puxará ainda mais para cima o preço médio de compra de veículos Fiat, que já está em R$ 110 mil, valor que subiu 60% desde 2019. Herlander Zola, vice-presidente sênior da Fiat na América do Sul, observa que o portfólio atual de produtos reflete o plano que começou a ser traçado em 2017, quando ele chegou à empresa: “A primeira percepção era de que a Fiat precisava ganhar valor e para isso era necessário se distanciar dos populares”.
Zola endossa que o Fastback está no topo do planejamento de aumentar o valor agregado dos carros da maior divisão do Grupo Stellantis no Brasil, que com este plano ganhou mais de 8 pontos porcentuais de mercado de 2019 a 2021 e este ano lidera com folga as vendas no País com quase 22% de participação.
O resultado veio na esteira do lançamento da nova Strada, em 2020, da renovação da Toro como motor turbo, em 2021, e no fim do mesmo ano com a chegada do primeiro SUV da Fiat, o Pulse, culminando agora com o modelo mais sofisticado da gama, que começou a ser vendido nesta quarta-feira, 14, na rede de quinhentas concessionárias.
“A marca surfou por muitos anos na onda dos carros populares zero-quilômetro, mas o mercado mudou e isso quase destruiu a Fiat, que em 2017 desceu para apenas 13% de participação. Hoje cerca de 30% das vendas da Fiat são de modelos mais baratos, continua sendo uma marca para todos, mas não só para quem tem baixa renda.”
Herlander Zola, vice-presidente sênior Fiat América do Sul
Ambições comerciais – As primeiras projeções da Fiat apontam para a venda de 2,5 mil a 3 mil unidades do Fastback por mês. Se isto de fato acontecer ele será o Fiat menos vendido, ainda que por certo o mais rentável. O volume esperado é de cerca de metade do desempenho atual do SUV compacto Pulse, que custa de R$ 97,9 mil a R$ 130,8 mil e vende 4,5 mil a 5 mil/mês. Zola avalia que o SUV-cupê poderá roubar algo como 10% das vendas da versão de topo do Pulse, que tem preço R$ 1 mil acima da entrada do Fastback.
Concorrendo na categoria de SUVs, segmento que já é o maior do mercado brasileiro com 36% dos emplacamentos este ano, os principais competidores do Fastback, na visão da diretoria da Fiat, serão Chevrolet Tracker, Hyundai Creta e os Volkswagen T-Cross e Nivus – este último muito mais pela similaridade da carroceria SUV-cupê do que pela tabela de preços.
Adotando o mesmo nome que identifica o seu desenho de carroceria, com inclinação acentuada na coluna C traseira, o Fastback é um SUV-cupê compacto mais espaçoso, tem dimensões e estilo que concorrem com modelos de categoria superior, de marcas premium. Por isto Zola antevê bom potencial de roubar clientes desses carros mais caros, atraindo clientes que eventualmente querem economizar um pouco para comprar um automóvel que oferece conforto, design e tecnologia similares aos de alta gama.
Outro diferencial do Fast, conforme destaca a Fiat, é o imenso porta-malas de 600 litros, o maior da categoria, que poderá atrair clientes de outros segmentos, principalmente de sedãs.
Porta-malas de 600 litros do Fastback é o maior da categoria de SUVs compactos e poderá atrair clientes de sedãs
Somando tudo Zola diz que torce para estar enganado, para menos, sobre as projeções de vendas do Fastback, assim como aconteceu no passado recente com a nova Strada: “Tínhamos previsto vender 20% a mais do que o modelo anterior, coisa de 8 mil/mês, mas logo no primeiro mês recebemos 15 mil pedidos e 14 mil no segundo”.
Se o mesmo erro de cálculo acontecer com o Fastback é provável que alguns clientes tenham de esperar alguns meses para receber o carro, mas Zola diz que o problema de falta de componentes eletrônicos está melhor controlado no momento e há maior potencial para aumentar a produção em Betim, MG, onde o modelo entrou em linha em agosto para começar a abastecer as concessionárias.
Projeto nacional – O Fastback é um projeto 100% brasileiro que começou a ser desenvolvido há cerca de cinco anos na então FCA, antes da fusão com a PSA que criou o Grupo Stellantis, no início de 2021. A primeira aparição pública do modelo foi a exposição como carro-conceito no Salão do Automóvel de São Paulo de 2018, onde já era chamado Fastback. O nome e muito daquele desenho inspiraram decisivamente o carro que está sendo lançado agora, mas a principal diferença é a plataforma.
O Fastback apresentado em 2018 foi projetado usando a mesma base da picape Toro, produzida em Goiana, PE, sobre a plataforma Small-Wide da Jeep. Mas o desenrolar do projeto mostrou ser mais barato e eficiente fazer o SUV-cupê em cima da plataforma do Pulse, para produzir o carro em Betim, onde há mais capacidade de produção.
Outra mudança de planos no novo SUV da Fiat é que ele deveria ser equipado unicamente com o motor 1.0 turbo: “Mas vimos que o carro tinha estilo para ter uma versão superior mais potente, aí decidimos lançar a Limited Edition turbo 1.3 de 185 cavalos com estilização Abarth, a marca esportiva da Fiat”.
Assim o Fastback está sendo lançado em apenas três versões, todas elas equipadas com motores turboflex 1.0 ou 1.3 com injeção direta de combustível, gasolina ou etanol, ambos produzidos em Betim desde o ano passado e já usados em outros modelos Fiat e Jeep no País.
Duas das versões, Audace e Impetus T200, são equipadas com o motor turboflex 1.0 de 130 cv e torque máximo de 200 Nm, com câmbio automático CVT, o mesmo powertrain que já equipa as versões mais caras do Pulse. A opção topo de linha é a Limited Edition T270 Powered by Abarth, com o motor 1.3 turboflex de 185 cv e torque de 270 Nm, acoplado à transmissão automática de seis marchas. Ambas as motorizações são as mais potentes do mercado brasileiro em suas respectivas categorias.
Qualidades – Somente a versão 1.3 mais potente, com estilização esportiva Abarth, estava disponível para dirigir na pré-apresentação do Fastback à imprensa. Pode-se dizer que conduzir o SUV-cupê de 185 cavalos é uma experiência bastante esportiva: o carro tem torque muito forte, quase todo disponível já na primeira pisada do acelerador, fazendo o motorista colar as costas no confortável encosto do assento.
Segundo medições da Fiat o Fastback é o SUV mais potente e rápido de sua categoria. Abastecido com etanol a aceleração do modelo 1.3 turboflex de 0 a 100 km/h acontece em 8,1 segundos e a velocidade máxima é de 210 km/h. Para o Fastback 1.0 o 0 a 100 km/h se passa em 9,4 segundos.
Apesar da carroceria mais alta típica dos SUVs, 19 centímetros de altura do solo, o Fastback cola no chão, é estável, tem suspensão bem acertada, firme sem ser dura, e tem baixo rolamento lateral.
O Fastback é possivelmente o Fiat mais sofisticado já produzido no Brasil. O acabamento interno é caprichado, com bancos que podem ser revestidos em couro. O visual da cabine é agradável, apesar de painel e revestimentos serem todos de plástico rígido – o lado popular da marca persiste aqui. O lado mais tecnológico fica por conta do quadro de instrumentos 100% digital e personalizável, de 7 polegadas nas duas versões mais caras.
O centro do painel abriga a tela tátil da central multimídia, de 8,4 polegadas na versão Audace e de 10,1 polegadas nas Impetus e Limited Edition. O sistema conta com emparelhamento sem fio do smarthphone, que pode espelhar aplicativos na tela via Android Auto ou Apple Car Play. O Fastback conta ainda com o Fiat Connect Me, que conecta o veículo com o celular para monitorar informações de consumo e autonomia, por exemplo, e também pode travar, destravar e ligar o carro à distância para acionar a climatização.
O novo SUV da Fiat traz bom pacote de equipamentos e sistemas de série desde a versão mais barata, incluindo lanternas e faróis de LED com uma marcante assinatura luminosa, com luzes de seta dianteira que quando acionadas mudam a cor da lanterna de branca para laranja. Também está na lista de série sistemas de assistência ao motorista, como controle de estabilidade e tração, freios ABS offroad, frenagem automática de emergência e alerta e assistência de saída de faixa de rodagem.
Quatro airbags, dois frontais e dois laterais, completam os dispositivos de segurança. Não foram instaladas as bolsas tipo cortina, como em carros do mesmo nível de preço, mas a Fiat alega que as laterais já foram projetadas para proteger tórax e cabeça.
Também faz falta o controle adaptativo de velocidade, ACC, sistema que já está presente em carros brasileiros na mesma faixa de preços. Com o Fastback a Fiat subiu de nível, mas continua econômica nos custos.
Preços e versões do Fiat Fastback
Audace Turbo 1.0 200 CVT – R$ 129 mil 990 Itens e sistemas de série: • Controle de estabilidade e tração • Frenagem automática de emergência • Alerta de mudança de faixa • Comutação automática de farol alto/baixo • Faróis e lanternas full LED • Freio de estacionamento eletrônico com autohold • Ar-condicionado automático e digital • Rodas de liga leve 17″ • Central multimídia com tela tátil de 8,4″ e pareamento sem fio com celulares • Carregamento sem fio do celular • Sensor e câmara de estacionamento traseiros • Borboleta no volante para mudanças manuais de marchas • Air bags frontais e laterais de tórax e cabeça.
Impetus Turbo 1.0 200 CVT – R$139 mil 990 Itens e sistemas de série: iguais ao Audace e • Central Multimídia com tela tátil de 10.1″ e pareamento sem fio com celulares • Quadro de instrumentos digital • Teto com pintura preta • Roda esportiva com acabamento diamantado de 18″ • Banco em couro e acabamento interno escurecido • Sensor de Estacionamento Dianteiro.
Limited Edition Turbo 1.3 270 AT6 – R$ 149 mil 990 Todos os equipamentos e sistemas de série da versão Impetus.