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MDIC admite intenção de tornar permanente programa de renovação de pesados em 2024

Além de discutirem origem nos novos recursos no orçamento, questão do financiamento, diante dos juros elevados, também tem sido analisada

São Paulo – Encerrado o programa do governo de descontos para a compra de veículos pesados, após a MP 1 175 ter caducado em 3 de outubro e o Congresso não ter renovado o benefício, o setor ficou na expectativa por nova iniciativa que traga de volta incentivos à renovação de frota. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, a experiência avaliada como bem sucedida pelo governo abre caminho para que se torne um programa perene em 2024.

Moreira e o secretário executivo do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, participaram do Congresso SAE Brasil 2023, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, na terça-feira, 10. À Agência AutoData Rosa afirmou: “A MP caducou e nós corremos para fazer um projeto de lei. O Arthur Lira [presidente da Câmara dos Deputados] até chegou a dizer que aprovaria, mas nós não conseguimos convencê-lo”.

O benefício concedido está consumado, prosseguiu o secretário, ao justificar que os recursos que sobraram não poderiam ser transferidos porque são carimbados. Restaram, conforme a última atualização do MDIC, R$ 680 milhões de R$ 1 bilhão reservados à iniciativa que concedeu descontos de R$ 33,6 mil a R$ 99,4 mil à compra de caminhões, ônibus e vans 0 KM.

Moreira disse, ainda, que qualquer programa tem que ter uma fonte de recursos distinta. E que este valor estava inserido dentro do programa de descontos e, portanto, não pode ser reutilizado:

“Ele nunca foi visto como programa permanente, na forma como foi construído. Era cíclico, de curto prazo. Acabou a MP, o Congresso não votou. Agora, para o ano que vem, dialogaremos e tentaremos criar uma proposta que seja a possibilidade de um programa perene de renovação de frota”.

Ou seja: mesmo diante do fato de o Renovar, Programa de Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária no País, não possuir orçamento próprio, o que dificulta com que saia do papel, ele não poderia herdar o dinheiro não utilizado.

O usufruto dos descontos demorou a engrenar devido à exigência de endereçar veículo acima de vinte anos de uso à reciclagem e de solucionar a documentação do veículo usado, o que fez com que não fossem utilizados em sua totalidade.

Mas, segundo Rosa, o fato de ter adesão ampliada a partir do momento em que o MDIC tornou mais flexíveis as regras e permitiu que o dono do veículo velho não fosse o mesmo que pleiteava o desconto, mostrou que o programa de renovação de frota de pesados pode ser contínuo, até por questões de segurança e saúde, diferentemente dos veículos leves, o que não se justifica, segundo ele, pois esses veículos giram mais rápido.

“Acho que teremos espaço para renovar o programa permanentemente”, assinalou o secretário executivo do MDIC, que também falou sobre a existência de outro projeto que cria um fundo próprio para remunerar a troca de veículos, o que também é uma ideia para seguir estimulando a renovação.

“Seja qual for a iniciativa, e isto é o que [o ministro do MDIC e vice-presidente Geraldo] Alckmin e [o ministro da Fazenda Fernando] Haddad pensam também, criaremos um espaço no orçamento, não agora, mas no futuro, para fazer este programa de forma permanente. O País precisa disto porque tem uma frota muito envelhecida, o que aumenta muito o custo Brasil, sem falar nos acidentes e na poluição.”

Rosa disse acreditar que para o ano que vem o governo deverá anunciar algo neste sentido, mas que o Mobilidade Verde e Inovação, que Moreira estimou que seja anunciado até o fim do mês, após atraso por questões burocráticas, já trará algumas medidas para o setor.

“No começo tivemos muita crítica do programa”, Rosa reconheceu. “De que estaríamos protegendo novamente a indústria, uma indústria defasada. Mas o mundo inteiro faz isso. O México, a União Europeia, os Estados Unidos. Não estamos criando uma barreira nem protegendo a indústria.”

O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC concordou que esta experiência ajudou o ministério a pensar também em outro ponto, que também dificultou o acesso ao programa: o financiamento.

“Com a taxa de juros que temos hoje um programa desta natureza é inviável. Finame a 20% ao ano é muito elevado. E outra: o Finame só financia ônibus e caminhões novos, e não seminovos. É algo a se pensar para o futuro.”

Volkswagen Caminhões e Ônibus vendeu cerca de 350 veículos pelo programa

A Volkswagen Caminhões e Ônibus, também presente ao Congresso SAE 2023, informou que cerca de 350 veículos foram comercializados com o desconto do programa do governo, sendo a maioria ônibus, segundo o diretor Marco Saltini.

“Não é um número fantástico mas demonstra a relevância do programa, que demorou para deslanchar mas, depois, foi bem.”

Saltini integra o conselho do Renovar representando a Anfavea e realiza reuniões periódicas para debater a utilização de fundos já existentes, a exemplo do Funset, Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito, e a encontrar soluções para a continuidade do programa.

Presidente e chefe de operações da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes relembrou o expressivo volume de vendas fechado com Vamos e Gerdau, de 140 caminhões, a partir da iniciativa.

“O importante é saber que há boa vontade do governo e que existe a necessidade de a indústria tornar viável um programa necessário.”

marcopolo - volare

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