Tatuí, SP – São dois mundos completamente diferentes. De um lado o ícone que tira até hoje suspiros de gerações apaixonadas por carros esporte: o Mustang, que na sua versão mais potente Mach 1, vendida no Brasil, tem o tradicional motorzão 5 litros V8 de 483 cv e faz qualquer um parar para ver e ouvir ele passar. Na outra ponta da história está o mais recente lançamento da Ford no País, o Mach E, versão 100% elétrica que empresta o nome Mustang mas não tem a mesma carroceria e nem aparência, mas é dono de esportividade eletrizante: com seus 487 cv e torque imediato acelera de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos, mais rápido do que os 4,3 segundos do Mach 1.
Esta é a intersecção dos dois Mustang: são esportivos puro-sangue, mesmo que concebidos em épocas e com propósitos diferentes. O primeiro surgiu pela visão de Lee Iacocca: os jovens clientes estadunidenses desejavam um carro mais moderno do que os sisudos sedãs dos anos 1960. Já o Mach E representa a transição para a mobilidade limpa e tecnológica. Justamente por isto o Mustang elétrico se distancia, e muito, da proposta inicial.

No Brasil a Ford importa a versão mais completa do Mach E, a GT Performance AWD Extended Range, que começou a ser vendida por R$ 486 mil. Como elétricos estão isentos de imposto de importação este Mustang ficou mais barato do que o V8, que custa R$ 576,5 mil.
Nos Estados Unidos ele já é o segundo modelo elétrico mais vendido mas, para o mercado brasileiro, a ideia é outra. Segundo Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford América do Sul, o Mach E é tão versátil em sua proposta que poderá competir pelos potenciais compradores de SUVs premium eletrificados como o Volvo XC40 Recharge e BMW iX3, ou ainda os superesportivos Audi e-tron GT e Porsche Taycan: “Não teremos grande volumes mas queremos ter uma boa participação nesses dois segmentos”.
Puro-sangue eletrificado
São dois motores elétricos, um em cada eixo, que combinam 487 cv de potência e o impressionante torque de 87,7 kgfm. Por isto o Mach E acelera com segurança de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos. Sua dinâmica veicular é excepcional.
Na pista de testes da Ford em Tatuí, SP, foi possível verificar que este, sim, é um esportivo puro-sangue elétrico, diferente de alguns modelos chineses que ainda não conseguem reproduzir a mesma dinâmica veicular porque saem de frente nas acelerações, são instáveis em diversas situações e, mesmo tendo grande potência e torque, não oferecem o prazer ao dirigir esportivamente.
Depois de conduzir diversos destes carros é possível dizer que até mesmo alguns elétricos dos fabricantes mais tradicionais, com projetos de carroceria a partir de modelos a combustão interna, não são capazes de oferecer esta dirigibilidade tão esportiva. Mas aqui vai um segredo do Mach E: a distribuição praticamente igual de peso na dianteira e a na traseira é um dos fatores que contribuem para seu sólido comportamento, e temperamento, esportivo.
A bateria da versão GT Performance AWD Extended Range tem capacidade de 91 kWh e garante autonomia de 379 quilômetros no padrão do Inmetro, ou 541 km pelo método WLTP, segundo medições divulgadas pela Ford. Em tempo: a velocidade máxima de 200 km/h está limitada eletronicamente e é claro que com acelerações tão altas a bateria não dura tanto. É o velho dilema de esportivos elétricos: aceleram muiiiito, mas não por muito tempo.
Outro ponto importante no desenvolvimento do primeiro esportivo elétrico da Ford é que foram utilizados materiais especiais em pontos selecionados da carroceria, incluindo aços avançados de alta resistência nas estruturas e painéis, alumínio no capô e peças de termoplástico e fibra polipropileno na traseira.
A carroceria leve e bem amarrada, com pesos bem distribuídos, garante a estabilidade em curvas de alta velocidade. Também contribui para isto a aerodinâmica apurada, a bateria instalada no assoalho para reduzir o centro de gravidade e o conjunto de suspensão independente, do tipo MacPherson na dianteira e multilink na traseira, com amortecedores adaptativos MagneRide.
Para domar toda esta força a Ford utiliza sistema de freios Brembo de alto desempenho na dianteira, com quatro pistões. O sistema incorpora a frenagem regenerativa que recarrega a bateria quando se pressiona o freio ou se libera o pedal do acelerador.
Esportivo ou crossover?
A carroceria do Mach E lembra mais um crossover do que um pony car, denominação que carrega toda a esportividade da dinastia do Mustang. Ele mede 4m74 de comprimento, 2m10 de largura com os retrovisores e 1m61 de altura. A distância entre-eixos de 2m98 é 26 centímetros maior do que a do Mustang V8, o que torna a cabine do elétrico mais espaçosa. Diferente do Mustang tradicional, há bom espaço tanto para os ocupantes da frente quanto para os de trás.

O design mantém alguns elementos clássicos do Mustang, como um nariz de tubarão, o capô longo, a coluna C mais inclinada e as lanternas de três barras. Ao contrário do Mach 1, que não tem tanta tecnologia de segurança embarcada, o Mach E vem de série com um vasto pacote de controles adaptativos de velocidade, alertas de detecção de pedestres e tráfego cruzado. Não poderia ser diferente num produto vendido a este preço.
A cabine, com acabamento minimalista e requintado, traz teto solar, multimídia com a última geração do SYNC, a 4 A, projetada na tela principal de 15,5 polegadas fixada na vertical e painel de instrumentos, também digital, de 10,2 polegadas.
Uma novidade são as portas, sem maçanetas, abertas por um novo sistema de trava eletrônica, por botão, código ou celular, com o aplicativo FordPass.
Além de conforto para os passageiros, o Mustang Mach-E tem ótimo espaço para bagagem. O porta-malas traseiro acomoda 402 litros, com sistema de abertura mãos livres. Há, também, o que nos Estados Unidos é chamado de frunk, um compartimento com capacidade de 139,5 litros sob o capô, mais uma possibilidade criada pelos veículos elétricos com a ausência do motor a combustão na dianteira.
Quem comprar um Mach-E leva um carregador residencial portátil, o Ford Mobile Wallbox, de 7 kW, que recarrega de zero a 100% da bateria em cerca de 14 horas conectado a uma tomada industrial com instalação elétrica dedicada, segundo a Ford.
O Mustang Mach-E tem três anos de garantia e revisões gratuitas pelo mesmo período, sem limite de quilometragem. Ele oferece também garantia especial para o sistema propulsor, que inclui os motores e a bateria, de oito anos ou 160 mil km.
























