São Paulo – A greve na Renault e na Horse entrou sem acordo no décimo-quinto dia corrido, o décimo-primeiro dia útil. No período deixaram de sair da linha de produção aproximadamente 8,8 mil veículos, de acordo com cálculos do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, que estima a fabricação de oitocentas unidades diárias. Para efeito de comparação em abril foram emplacados, segundo a Fenabrave, quase 11,9 mil veículos Renault. O que não foi produzido equivale a 74% das vendas do mês passado.
Na tarde de terça-feira, 21, foi realizada assembleia virtual no lugar da presencial, pois, conforme o presidente do sindicato, Sérgio Butka, não havia o que ser apreciado pois as empresas mantiveram suas propostas. O sindicalista afirmou que na segunda-feira, 20, foi dado novo prazo de 72 horas para que seja feita nova oferta de PLR e dissídio coletivo: “Queremos sentar para conversar mas a falta de diálogo tem sido o maior problema com as empresas”.
Na quinta-feira, 23, foi agendada nova assembleia:
“Se houver negociação a assembleia será presencial. Se não tiver será virtual. Mas eu acho muito difícil que até a quinta-feira isto aconteça”, disse Butka aos metalúrgicos na transmissão virtual: “Não vamos para a fábrica, mas isto não quer dizer que devam sair viajando. Devemos ficar mobilizados: pode ser que a qualquer momento precisemos de vocês”.
Durante a assembleia também foi exposto o pleito do sindicato, de uma PLR, participação nos lucros e resultados, de R$ 30 mil, sendo a primeira parcela de R$ 18 mil, para volume de produção de 201 mil veículos. A oferta da Renault nesta condição é de R$ 25 mil.
Embora a data base da categoria seja apenas em 1º de setembro a entidade colocou na pauta da negociação também o dissídio coletivo. Enquanto as companhias propuseram reajuste com base na inflação o sindicato pediu INPC, cuja previsão é de 3,66%, mais aumento real equivalente ao PIB de dois anos atrás, ou seja, de 2022, de 3,02%, somando 6,8%.
No caso do vale-mercado o pleito é esta correção de 6,8% mais a incorporação da defasagem salarial do INPC de 2020 a 2024, de 8,82%: “Hoje o vale-mercado está no valor de R$ 1 mil 40 e, com o reajuste, passará R$ 1 mil 746. Mas estamos dispostos a conversar. Esta correção pode ser discutida, por exemplo, para que ocorra em dois anos. Somos flexíveis quanto a isto”.
Outro ponto alegado pela categoria diz respeito à sobrecarga no chão de fábrica e à consequente falta de segurança. A Renault ofereceu a contratação de cinquenta profissionais imediatamente mas a entidade quer trezentos: “Seguiremos em casa até que tenhamos, de fato, uma proposta para poder votar”.
Justiça do Trabalho mais que triplicou multa por dia de paralisação
A Renault não comentou sobre a assembleia mas informou que na sexta-feira, 17, foi determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região o aumento do valor da multa diária devido ao descumprimento das decisões anteriores. Desde sábado estão sendo cobrados R$ 100 mil por dia de paralisação, além de R$ 100 mil por dia para o caso de obstrução de acesso ao Complexo Industrial Ayrton Senna. As cifras anteriores eram R$ 30 mil e R$ 10 mil, respectivamente.
Segundo o desembargador do trabalho Marco Antônio Vianna Mansur, apesar da liminar concedida pelo TRT “a paralisação continua, bem como a atuação irregular com relação ao acesso dos empregados, conforme certidões referentes aos mandados de constatação expedidos e material de vídeos e imagens anexadas pela parte suscitante”.
A postura do sindicato, conforme Mansur, “revela o absoluto desprezo à lei e ao Poder Judiciário, sendo presumível de que assim age na certeza de contar com o beneplácito do Judiciário para ter reduzido o valor ou ser isento do pagamento da multa. Seu comportamento censurável ficou patente, inclusive, nas duas audiências de conciliação, por mim presididas, nas quais não se evidenciou a menor disposição em colaborar na busca de um entendimento. Diante da falta de atitude colaborativa ficou difícil até mesmo de entender qual o objetivo buscado com o movimento grevista”.