São Paulo – É graças ao acordo de complementação econômica do Mercosul que o Brasil responde por 30% das vendas de veículos novos na Colômbia, cuja estimativa é de que encerre o ano com 230 mil unidades. Este contrato, no entanto, expirou em outubro do ano passado, com tolerância de até um ano para ser renovado. Só que o governo local sinalizou não ter interesse em revalidá-lo.
O alerta foi feito por Pedro Nel Quijano, presidente da Aconauto, associação que representa os concessionários da Colômbia, durante o 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana realizado por AutoData.
“Se em até dois meses o governo colombiano não renovar o acordo com o Mercosul o impacto em nosso mercado será gigantesco. Assim como para o Brasil e a Argentina”, advertiu Quijano. “O reflexo negativo será maior para marcas como Toyota, Volkswagen, Renault, Chevrolet e Fiat.”
Além disso a expectativa de elevar as vendas locais em 14,5% este ano, das 200,9 mil unidades de 2024 para as 230 mil aspiradas até dezembro, certamente se converteria em forte queda, assinalou o dirigente: “Seria tão grave que sequer me atrevo a estimar um número”.
Um veículo importado convencional pode chegar a ter carga tributária de até 62% sobre seu valor. A reforma tributária que tramita no Congresso colombiano propõe elevar os impostos para veículos híbridos e elétricos.
Quijano apontou que o país tem a segunda menor taxa de motorização da região, à frente apenas da Venezuela: “Temos praticamente a mesma população que a Argentina, de 53,4 milhões de habitantes, mas metade de seu parque automotor, de 7,3 milhões de veículos, enquanto que eles têm 14 milhões.”
Em torno de 70% das vendas de veículos novos são realizadas por meio de financiamento e, apenas 30%, à vista. A cada carro 0 KM são comercializados 4,5 usados: “A Colômbia é um dos países mais desiguais do mundo”, disse, ao complementar que, a exemplo do Brasil, a infraestrutura para veículos eletrificados ainda é pequena e as estradas “não são das melhores”.
Atualmente Kia e Toyota são as marcas mais presentes, por causa da crescente demanda por veículos híbridos. E, diferentemente do Brasil e de outros países latino-americanos, ainda não é vista invasão chinesa na Colômbia o que, na análise de Quijaro, é apenas questão de tempo.