Daniel Prado, CEO e cofundador, falou sobre os planos da empresa, que não se considera uma locadora tradicional, com o Agência AD Entrevista
São Paulo – Fundada em 2017 a Turbi é pioneira no serviço de locação de veículos de curta duração, por horas ou diárias. Anos depois expandiu seus negócios para a assinatura de veículos, que já representa 40% de suas receitas com o aluguel. Naturalmente, com o passar do tempo, a revenda de veículos seminovos incorporou o negócio, como forma de desmobilizar a frota que vai envelhecendo.
Apesar de ter um modelo de negócio de uma locadora tradicional a Turbi não se considera uma, segundo seu CEO e cofundador, Daniel Prado, que respondeu às questões apresentadas durante o Agência AD Entrevista. A explicação está na forma de lidar com o cliente: a jornada, 100% digital, dispensa as papeladas e às vezes longo tempo de espera no balcão da locadora. Tudo é resolvido pelo aplicativo, da seleção do veículo à abertura da porta. Os carros são guardados em estacionamentos conveniados, que funcionam 24 horas e permitem a agilidade do serviço.
No primeiro semestre a receita da Turbi alcançou R$ 141,3 milhões. A expectativa de Prado é encerrar o ano com 10 mil veículos, 4 mil a mais do que a frota atual. com a operação ainda focada na Grande São Paulo. Para 2026 o plano é dobrar a frota e o faturamento e, talvez, expandir o negócio para outras regiões.
Acompanhe a entrevista de Daniel Prado, CEO e cofundador da Turbi, ao Agência AD Entrevista.
A Turbi começou oferecendo serviços de locações de curta duração, e por muita gente ela ainda é assim conhecida. Mas vocês têm outros produtos no leque: quais são e como funcionam?
A Turbi entrou no mercado há oito anos oferecendo locação de curta duração e, como diferencial, uma jornada 100% digital, sem papelada e com retirada do carro via aplicativo, algo que até hoje não tem equivalente no mercado. Desde 2022 expandimos o portfólio com opção de diárias e assinaturas de carro, com planos de um mês a contratos mais longos. Em 2024 inauguramos a rede de seminovos Turbi, um desdobramento natural da operação com o objetivo de desmobilizar veículos da frota após cerca de quinze meses, ou 25 mil quilômetros, de uso.
Qual é, hoje, o principal negócio da Turbi com relação ao faturamento?
No acumulado do primeiro semestre a Turbi alcançou receita líquida consolidada de R$ 141,3 milhões, um avanço de 17,8% sobre o mesmo período de 2024. Deste total R$ 97,3 milhões vieram da operação de aluguel de veículos, que segue como principal motor de crescimento e responde por cerca de 70% do faturamento no período. Atualmente cerca de 40% da receita vem de assinaturas, 50% de diárias e 10% de locação por hora. A vertical de seminovos somou R$ 44 milhões em receita líquida no semestre, representando aproximadamente 30% do faturamento.
Qual é o tamanho da frota de veículos da Turbi e quais as perspectivas para crescer até o fim do ano?
Hoje a Turbi opera com uma frota de aproximadamente 6 mil carros concentrados na Grande São Paulo. A expectativa é chegar a 10 mil até o fim de 2025, acompanhando a expansão geográfica para novas cidades da Região Metropolitana e o aumento da penetração em bairros periféricos com alto potencial de demanda.
E para o ano que vem: já existe planejamento de compras de veículos?
Sim. A Turbi mantém um histórico de dobrar sua frota e faturamento ano a ano. Para 2026 esperamos atingir a marca de 20 mil carros em operação, acompanhando o crescimento da base de usuários e a ampliação da operação em outras cidades.
Quais modelos de veículos a Turbi prioriza? Como é feita a decisão de comprar este ou aquele determinado modelo ou marca?
O principal critério da Turbi é atender ao uso urbano predominante de nossa base de clientes. Por isso priorizamos hatches e SUVs, que oferecem eficiência no dia a dia e maior aderência às necessidades de mobilidade em grandes centros. Recentemente, incluímos também a categoria de picapes, a exemplo da Fiat Toro, para ampliar o portfólio e atender demandas específicas, como usuários em mudança ou que precisam de maior capacidade de carga. Além disso, diferente das locadoras tradicionais que costumam adquirir veículos em versões básicas e mais peladas, a Turbi sempre compra carros equipados com kit multimídia e acessórios gerais. No processo de ativação, antes de oferecermos para aluguel, instalamos insulfilm em todos os veículos, uma medida que melhora o conforto e a experiência do cliente, ao mesmo tempo em que preserva o valor de revenda dos ativos. A decisão de compra é baseada em análises de demanda por parte dos clientes no aluguel e valor de revenda, com elevada liquidez. Usamos intensivamente dados de utilização e preferências de clientes, além de condições comerciais junto às montadoras, para assegurar a melhor combinação da eficiência econômica com a conveniência para o usuário.
De onde vem o investimento para ampliação de frota?
A expansão da frota da Turbi vem sendo viabilizada por meio de uma combinação de captações de crédito com investidores parceiros e de rodadas de aporte em equity com fundos de investimento.
Existe um plano de expansão mais robusto, para outros locais do Brasil? Qual seria?
Ainda há muito espaço para crescer na Região Metropolitana de São Paulo por se tratar de um mercado com alta densidade populacional e comportamento urbano consolidado. No entanto a companhia estuda a expansão para outras capitais brasileiras, com foco inicial nas regiões Sul e Sudeste.
A Turbi se considera uma locadora tradicional de veículos? Por quê?
Não. As locadoras tradicionais oferecem há quase trinta anos o mesmo modelo de balcão, com papelada, burocracia e atendimento analógico. Nós posicionamos a Turbi como uma empresa de tecnologia focada em soluções para mobilidade urbana e digital e oferecemos uma jornada 100% digital, desde o cadastro do motorista até a devolução do carro, retirada do veículo com abertura da porta feita via Bluetooth, direto pelo app. Também permitimos que o usuário escolha o exato veículo que deseja retirar, e não uma determinada categoria que depende da disponibilidade na loja, com informações de modelo, cor, final de placa, número de quilômetros rodados, etc. Sem exigir que o usuário vá até um balcão para preencher formulários temos dez vezes mais pontos de retirada do que os concorrentes, sendo que todos em estacionamentos parceiros que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso garante liberdade total para retirar e devolver o carro com muito mais comodidade e conveniência, algo que o modelo tradicional não oferece. Para garantir a integridade da nossa frota temos monitoramento em tempo real durante as viagens e usamos inteligência artificial para checagem de danos e sujeira na retirada e devolução dos carros.