Empresa espera retomar crescimento de vendas da van com as novas opções automáticas
Buenos Aires, Argentina – A Mercedes-Benz acrescentou este ano a opção que faltava à sua extensa linha Sprinter: 26 versões da van, para transporte de passageiros e de carga, passam a contar com transmissão automática de nove marchas, a 9G-Tronic, produzida pela própria fabricante na Alemanha desde 2013 – primeiro para equipar um carro, o sedã E 350.
O Brasil é o primeiro mercado sul-americano a receber a Sprinter G9-Tronic. O primeiro lote chegou esta semana e já começou a ser distribuído às 156 concessionárias que vendem o modelo no País.
Ronald Koning, presidente da Mercedes-Benz Cars & Vans no Brasil, aponta que a nova opção é uma tendência de mercado para este segmento, pois já domina a grande maioria das vendas da Sprinter em países da Europa, Estados Unidos e Canadá, e há tempos os clientes brasileiros também pediam versões automáticas.
Nas contas do executivo a oferta do câmbio automático deve acrescentar – e não substituir – vendas para a van: “Deveremos conquistar mais clientes porque temos uma oferta competitiva de preço e o uso de transmissão automática está crescendo rápido neste segmento também no Brasil, porque traz vantagens. Vamos aproveitar esta oportunidade e crescer junto”.
Os preços da Sprinter automática são cerca de 5% mais caros do que das versões com câmbio manual de seis marchas. A linha começa em R$ 274,3 mil – caso da opção chassi-cabine para instalação de carrocerias de carga – e vai até R$ 500 mil – o maior modelo de passageiros. A empresa trabalha com a projeção de que 30% a 35% das vendas da Sprinter, já neste primeiro ano de oferta, serão de versões automáticas.
Retomada de desempenho
O segmento de vans grandes está em crescimento no Brasil, avançou 15% no ano passado, de 34,1 mil emplacamentos em 2024 para 39,2 mil. A expectativa da Mercedes-Benz é de novo avanço este ano, cerca de 6%, para 41,7 mil.
As vendas da Sprinter no mercado brasileiro, no entanto, não tiveram o mesmo desempenho, caíram 17,5%, para 8 mil unidades, reduzindo sua participação no segmento de 28% para 20% de um ano para outro.
A retração ocorreu, principalmente, por causa de ajustes na operação da Argentina: a fábrica de Virrey del Pino foi vendida ao Grupo Prestige Auto, desde junho de 2025 responsável pela produção, sob licença Mercedes-Benz.
“A Sprinter é um veículo versátil com as mais variadas versões de carga e passageiros que atendem a diversos setores da economia. Com a opção automática ampliaremos ainda mais nossa penetração.”
A fábrica argentina está elevando o ritmo de produção e espera por um salto de 14 mil unidades, em 2025, para 20 mil este ano, o que faz Koning, como maior cliente da planta, projetar aumento de vendas da Sprinter, no Brasil, para além das 10 mil.
Tarde, mas no momento certo
Prestes a completar trinta anos no mercado brasileiro a Sprinter produzida na Argentina esteve dentre as primeiras vans a diesel a desembarcar no Brasil, mas a opção automática, já vendida há cinco anos na Europa e América do Norte, tardou mais a dar as caras na América do Sul, pois o preço era impeditivo para a maioria dos frotistas e motoristas autônomos que usam a van.
Isto responde por que a Mercedes-Benz somente agora decidiu introduzir a Sprinter automática nos mercados sul-americanos – principalmente o Brasil, que consome mais de 60% da produção argentina. Hoje os ganhos de escala produtiva e a redução de impostos de importação sobre componentes sem produção equivalente na região ajustaram os custos para baixo e permitiram uma oferta de preço razoável para o modelo automático.
“As condições de mercado mudaram ao longo do tempo e o momento certo de lançar foi agora.”
Koning avaliou que, com as vantagens trazidas pela opção automática, com redução de custos operacionais, “no fim das contas a Sprinter automática pode até ser mais barata”.
Vantagens operacionais
Embora ainda não tenha números de redução de custo total de propriedade – o que deve acontecer nos primeiros seis meses de experiência real de uso da van sob as condições brasileiras – a aposta da fabricante é que muito cedo os clientes perceberão as vantagens operacionais do modelo automático.
Aline Rapasse, diretora de produto vans da Mercedes-Benz no Brasil, observou que a primeira percepção de vantagem será no consumo: “O câmbio automático faz as trocas de marchas na rotação certa, mantém o giro do motor mais baixo, o que tira o fator humano dessa variante, pois cada motorista tem uma maneira diferente de conduzir o veículo e isto pode provocar grandes variações no consumo”.
A executiva acrescentou que este fator, inclusive, deve reduzir o custo de treinamento que transportadores têm com seus motoristas, pois o câmbio automático torna a direção da Sprinter G9-Tronic mais fácil e homogênea: “Também garante mais conforto no trânsito, já que a Sprinter é um veículo de ambiente urbano. Com menos esforço físico e condução mais fluida o motorista fica mais atento e produtivo”.
Por experiência nos mercados onde a Sprinter G9-Tronic já é vendida Aline Rapasse afirmou que os custos de manutenção das versões automáticas também são menores, o que reduz o TCO, o custo total de propriedade: “A transmissão automática com conversor de torque tem menos desgaste, não há gastos com trocas de embreagem, por exemplo”.
Ela acrescentou que, pelo maior conforto que traz, a transmissão automática deverá ser um item ainda mais valorizado nas versões para o transporte de passageiros, que representa cerca de metade das vendas de vans no País. Também cai bem em modelos de motor home, principalmente os alugados, pois torna o veículo nada muito diferente do que um automóvel, requer menos habilidade do motorista.
E assim como nos carros automáticos a Sprinter G9-Tronic também traz confortos como apoio de braço, controle manual de trocas de marcha nas borboletas atrás do volante e função Hold – que mantém os freios do veículo acionados nas paradas do trânsito mesmo se o motorista tirar o pé do pedal.
As versões automáticas da Sprinter são equipadas com os mesmos motores de 170 cv e mantêm os mesmos dois anos de garantia, sem limite de quilometragem. Os intervalos de manutenção, que podem ser executados em 170 pontos de atendimento no País, também são iguais aos modelos manuais: 30 mil quilômetros para a Sprinter 317 e 20 mil quilômetros para as 417 e 517.