São Paulo — A ZF encerrou 2025 com melhora nos indicadores operacionais e avanço no processo de redução de endividamento, em meio a um cenário global ainda marcado por demanda fraca e incertezas, especialmente no setor automotivo. A empresa sistemista registrou receita de 38,8 bilhões de euros, queda nominal com relação ao ano anterior mas com leve crescimento de 0,6% quando desconsiderados efeitos cambiais e aquisições.
Mesmo com vendas menores a rentabilidade avançou: a margem EBIT ajustada subiu para 4,5%, acima das projeções internas, enquanto o fluxo de caixa livre atingiu 1,4 bilhão de euros, mais do que quadruplicando o resultado de 2024.
O desempenho operacional contrasta com o resultado líquido negativo de 2,1 bilhões de euros no período. O prejuízo é justificado, principalmente, por baixas contábeis relacionadas ao encerramento antecipado de projetos de eletrificação considerados não rentáveis. A decisão reflete uma revisão mais ampla da estratégia diante de um ritmo de compra de veículos elétricos abaixo do esperado.
No campo financeiro a companhia reduziu a dívida líquida para 10,2 bilhões de euros, com queda de cerca de 250 milhões no ano. A desalavancagem é tratada como prioridade pela gestão, que busca ampliar a geração de caixa e simplificar a estrutura do grupo. Como parte deste plano a ZF também recorreu ao mercado de capitais e emitiu, já em 2026, um título de 1 bilhão de euros com forte demanda dos investidores.
O ajuste operacional inclui ainda redução de quadro: o número de funcionários caiu 5% globalmente em 2025, movimento concentrado principalmente na Alemanha e conduzido por programas de demissão voluntárias.
Para 2026 a empresa projeta estabilidade nas vendas, com faturamento acima de 38 bilhões de euros e margem EBIT de 4% a 5%. A expectativa é de manutenção da disciplina de custos e da continuidade na geração de caixa, em um ambiente que segue sem sinais claros de recuperação da demanda, sobretudo em veículos comerciais.
Ao mesmo tempo a companhia aponta incertezas regulatórias na Europa como um fator adicional de pressão, especialmente com relação às metas de emissões e ao papel de tecnologias de transição, como os híbridos plug-in, no processo de descarbonização do setor.