Bruno Plattek de Araújo palestrou no Congresso Megatendências organizado por AutoData
São Paulo — O gerente do Departamento de Indústrias Intensivas em Tecnologia e Conectividade do BNDES, Bruno Plattek de Araújo, afirmou que a indústria automotiva global atravessa transformação estrutural que exigirá forte apoio ao investimento produtivo no Brasil. A declaração foi feita em painel do Congresso AutoData Megatendências 2026, realizado na segunda-feira, 6, em São Paulo.
“Partimos da premissa de que um país, para se desenvolver, precisa ter uma indústria de preferência mais moderna, sofisticada, como é a indústria automotiva.”
Segundo ele a combinação de fatores como descarbonização, tensões geopolíticas e mudanças no consumo está redefinindo o setor: “A emergência climática e o imperativo da descarbonização são grandes vetores que nortearão a competitividade e a inovação nas próximas décadas”.
Araújo destacou que o ambiente global também pressiona a reorganização produtiva: “Não estamos, mais, em um contexto de se falar na globalização. Pode haver reorganização da produção com um aspecto mais local e menos integrado, com aumento de incertezas.”
Bruno Plattek de Araújo, gerente do Departamento de Indústrias Intensivas em Tecnologia e Conectividade do BNDES. Fotos: Bruna Nishihata.
Apesar do cenário desafiador ele ressaltou as bases industriais do País: “Outros países em desenvolvimento olham para o Brasil com certa inveja do potencial e da estrutura produtiva que conseguimos desenvolver aqui”.
O executivo lembrou que o País mantém relevância global. É o sexto maior mercado e o oitavo maior produtor de veículos do mundo, com uma cadeia de autopeças integrada e diversificada. Ainda assim alertou para a mudança tecnológica em curso: “Vivenciamos uma grande mudança de paradigma tecnológico, talvez a maior já vista, que é a eletrificação. Isto bagunça bastante o cenário e cria grandes incertezas”.
Plattek de Araújo também chamou atenção para a nova dinâmica competitiva: “É um momento de maior concorrência, maior dificuldade e maior incerteza. O investimento hoje não é de expansão de capacidade, é de modernização e lançamento de novos produtos”.
Outro ponto crítico, segundo ele, é o capital humano: “Em um cenário de transição tecnológica a mão de obra qualificada pode se tornar um gargalo”.
Do lado do financiamento ele afirmou que o banco voltou a priorizar o setor: “A reindustrialização é um objetivo claro. A indústria voltou a ser o centro da estratégia do BNDES. A participação do financiamento para a indústria cresceu de maneira significativa nos últimos três anos”.
No setor automotivo o executivo apontou avanço no crédito direto às empresas: “Há um crescimento de pelo menos 2,5 vezes no financiamento ao investimento produtivo das empresas”.
Ele também propõe novas políticas para renovação de frota: “Seria interessante ter um programa que combinasse renovação com descarbonização e até retrofit de veículos antigos”.