Sistemistas defendem, durante Congresso Megatendências, mais engenharia local, parcerias e integração global para sustentar competitividade
São Paulo — Executivos de empresas sistemistas globais propuseram que a indústria de autopeças no Brasil acelere sua adaptação tecnológica e reforce parcerias para enfrentar a nova dinâmica competitiva global. O tema foi debatido em painel do Congresso AutoData Megatendências 2026, realizado em São Paulo na segunda-feira, 6.
Para o presidente regional da divisão Vehicle Motion da Bosch América Latina, Thiago Bastos, o aumento da concorrência internacional, especialmente com a chegada de fabricantes asiáticos, já impõe uma revisão das estratégias da cadeia de fornecimento.
“Investimento em tecnologia, informação e liderança continuam sendo fundamentais, mas passamos a balancear a cadeia de fornecimento de forma mais internacionalizada, buscando competitividade também em outros mercados.”
O executivo destacou que a atuação local segue essencial, sobretudo na adaptação de produtos às condições brasileiras: “A Bosch está extremamente presente na tropicalização das aplicações, seja em tecnologias flex ou em sistemas de chassis, para atender às condições do mercado regional”.
Thiago Bastos, da Bosch. Fotos: Bruna Nishihata.
Bastos também ressaltou que a entrada de novos competidores não deve ser vista apenas como ameaça mas como oportunidade de negócios, pois “os chineses também precisam de parcerias locais. Haverá competição mas eles não farão tudo sozinhos. Precisamos encontrar essas oportunidades e nos conectar adequadamente”.
Na mesma linha o vice-presidente de soluções para veículos comerciais e tecnologia industrial da ZF América do Sul, Sílvio Furtado, destacou que “a competitividade não para somente no preço de venda. Ela vai muito mais além. É isto que construímos ao longo do tempo”.
Segundo ele o plano de negócios da empresa envolve tanto a produção local quanto a integração com operações globais. “Você busca competitividade com produtos fabricados aqui, mas também com sinergia com outras regiões. A gente traz tecnologia de fora e aplica aqui, não só no produto, mas também na operação”.
Furtado destacou ainda o papel da cadeia de fornecedores locais, que, na sua avaliação, permanece essencial mesmo com o avanço da globalização produtiva: “Matar esta cadeia é totalmente inviável. Precisamos trabalhar juntos, propor ideias, adaptar soluções e fortalecer os fornecedores locais”.
Sílvio Furtado, da ZF. Fotos: Bruna Nishihata.
O executivo citou a experiência da companhia no Brasil, onde mantém presença há décadas, e reforçou a necessidade de engenharia adaptada à realidade nacional: “O Brasil é um país continental, com aplicações muito diferentes. Isso exige um tipo de serviço e engenharia diferenciados”.
Ambos os executivos convergiram na avaliação de que a transformação tecnológica em curso, com destaque para eletrificação, digitalização e maior conteúdo de software, eleva o nível de exigência para toda a cadeia de autopeças: “A formação tecnológica das equipes é crucial”, afirmou Bastos, ao comentar os investimentos em capacitação e desenvolvimento de engenharia local.
Furtado lembrou que a pressão por custos continua elevada mas que a resposta passa por inovação e localização produtiva: “Buscamos cada vez mais localizar o que é possível, usar sinergias globais e trazer inovação para ganhar competitividade”.