Presidente Igor Calvet disse que demanda travou à espera de uma decisão do governo. Entidade pede que desfecho, positivo ou negativo, seja ainda em abril.
São Paulo – A Anfavea aguarda uma decisão do governo sobre eventual renovação do programa Move Brasil, que teve os R$ 9 bilhões em recursos destinados a transportadores esgotados – ainda resta parte do R$ 1 bilhão direcionado aos autônomos. O assunto, segundo o presidente Igor Calvet, está sendo debatido internamente no MDIC e outros ministérios, mas uma resposta, seja positiva ou negativa, precisaria vir rápido, na sua avaliação:
“Pedimos ao governo que nos dê logo uma resposta, ainda em abril”, disse, completando que muitos transportadores estão adiando suas decisões de compras à espera de uma possível renovação do programa criado no fim do ano passado. Ele não espera o anúncio de um programa perene, ao menos por ora: sua expectativa é de que mais recursos sejam direcionados ao transportadores com taxas subsidiadas e condições facilitadas.
O cenário do setor ainda preocupa a Anfavea. O balanço divulgado na quarta-feira, 8, apontou que, a despeito do avanço de 32% nas vendas de caminhões de fevereiro, com 6,7 mil, para março, de 8,8 mil unidades, frente ao mesmo mês do ano passado ainda tem-se queda de 6,2%, quando os emplacamentos alcançaram 9,4 mil unidades.
E, embora nos acumulados do ano, ao longo de 2026, os porcentuais comparativos, todos negativos, venham sendo amenizados, uma vez que em janeiro a queda era de 31,1%, em fevereiro, de 28% e, em março chegou a 21,1%, “o cenário para o comércio de caminhões ainda é restritivo e com bastante preocupação”.
O impacto do programa é visto de forma mais clara quando analisado recorte das vendas dos caminhões pesados e extrapesados, que representam 45% deste mercado, e são os mais prejudicados pelo cenário, por causa dos preços mais elevados. Apesar do crescimento de 48,8% nos emplacamentos de fevereiro e março, saltando de 2,8 mil para 4,1 mil emplacamentos, quando se compara com igual mês em 2025, em que o volume alcançou 4,4 mil unidades, houve recuo de 6,8%.
Com relação aos comparativos nos acumulados do ano houve, da mesma forma, foi vista diminuição do ritmo de queda, que em janeiro estava em 42,8%, no primeiro bimestre passou a 36,3% e, agora, passou a 26,3%.
“Ainda estamos vendendo abaixo do ano passado, apesar da melhora no mês a mês”, assinalou. “Provavelmente nesta aceleração de março nós vemos o reflexo do Move Brasil. Como há um intervalo do faturamento ao emplacamento possivelmente nos próximos meses, abril e maio, devemos ver novamente resultado de subida.”
Calvet frisou que há um atenuamento da queda e um longo caminho a percorrer até que haja retomada e, quiçá, crescimento do mercado até o fim do ano.
Produção também sente reflexo do programa
A produção sentiu também o reflexo. Somente em março foram fabricados 11,1 mil caminhões, 5% abaixo dos 11,7 mil registrados em igual mês do ano anterior, mas 42,8% acima dos 7,8 mil de fevereiro. Com isso, saíram das linhas durante o primeiro trimestre 25,7 mil unidades, 19% abaixo do mesmo intervalo em 2025, que contabilizou 31,7 mil veículos.
“Precisamos de medidas que nos façam respirar e, então, igualar a 2025. Para depois tentar crescer. Mas é preciso pôr nesta conta as pressões externas que impõem mais desafios ao setor. Por exemplo, com o aumento do preço do petróleo, há impacto direto no diesel e na agricultura.”