São Paulo — O mercado de ônibus iniciou 2026 em retração apesar de recuperação pontual em março, segundo dados apresentados pela Anfavea na quarta-feira, 8. A entidade destacou a dependência do segmento de programas públicos para sustentar a demanda.
Os emplacamentos somaram 1 mil 959 unidades em março, alta de 50% sobre fevereiro, 1 mil 306 unidades, e crescimento de 9,3% na comparação com março de 2025, 1 mil 793 unidades. Ainda assim o desempenho não reverte a queda no acumulado do ano: de janeiro a março foram licenciadas 4 mil 445 unidades, recuo de 19% frente às 5 mil 528 do mesmo período do ano passado.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, é um cenário que começa a preocupar. “O que temos hoje no mercado de ônibus é que projetávamos queda de 3% para 2026 e, até março, já estamos com retração de 19%”. Ele ressaltou que o desempenho do segmento está diretamente ligado ao ritmo das compras públicas:
“Grande parte do mercado depende de política pública, especialmente do programa Caminho da Escola, que tem um peso muito grande”.
No comércio exterior o cenário é ainda mais adverso. As exportações de ônibus caíram 12,6% na passagem de fevereiro para março, de 342 para 299 unidades, e despencaram 53,4% na comparação com março de 2025, 642 unidades. No acumulado do trimestre os embarques totalizam 950 unidades, queda de 33,5% frente às 1 mil 428 do mesmo período do ano passado.
Já a produção apresenta trajetória positiva. Em março foram fabricadas 3 mil 74 unidades, alta de 13,7% sobre fevereiro, 2 mil 703, e de 6,7% na comparação anual. No acumulado de janeiro a março a produção alcança 7 mil 597 unidades, avanço de 5,9% sobre as 7 mil 172 registradas um ano antes,
Para a Anfavea o quadro reforça desequilíbrio estrutural no segmento: enquanto a produção cresce e os emplacamentos ensaiam reação pontual a demanda segue enfraquecida no acumulado e altamente dependente de iniciativas governamentais: “É importante esta demanda pública, mas também precisamos desenvolver mecanismos para reduzir a dependência”.
Com a abertura de novos editais do programa Caminho da Escola, com leilão previsto para 14 de abril, a expectativa do setor é de alguma recomposição ao longo do ano.