Marca internacional do Grupo Chery somou 1 milhão de unidades em três anos e acelera operação para ser protagonista em mercados relevantes
Wuhu, China – Mais de 1 milhão de veículos Omoda Jaecoo circulam pelas ruas e estradas da Europa, Ásia e Américas. Nenhum na China, país de origem da marca do Grupo Chery, por uma particularidade: ela é 100% internacional. Por esta razão o marco, alcançado em apenas três anos, chama mais a atenção, pois ela está ausente do maior mercado de veículos do mundo.
E a direção da empresa subiu o sarrafo: traçou como objetivo alcançar 1 milhão de unidades produzidas em um ano já a partir de 2027. Tem em seu plano estratégico os ingredientes que julga serem fundamentais para o sucesso do plano e na noite de domingo, 26, em sua cidade-sede Wuhu, na China, o CEO Shawun Xu apresentou o principal: o SUV compacto Omoda 4.
Shawn Xu, CEO da Omoda Jaecoo Internacional
Ele tem porte de Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, a faixa de mercado para onde a Omoda aponta suas armas. O preço, porém, deve colocar a mira mais para baixo e acertar a faixa do VW Tera e Renault Kardian, pois a expectativa é a de ficar abaixo dos R$ 130 mil – o Omoda 5, seu irmão, maior, custa a partir de R$ 160 mil.
No País terá apenas motorização híbrida ou elétrica, segundo o vice-presidente da Omoda Jaecoo do Brasil, Roger Corassa, que por ora descartou a vinda de uma versão a combustão, disponível em outros mercados. Segundo a reportagem da Agência AutoData apurou com fontes ligadas à empresa na China, onde veio acompanhar a cerimônia de 1 milhão de unidades produzidas e início de produção do Omoda 4, o powertrain híbrido é o mesmo do Omoda 5, conjunto híbrido com motor TGDI 1.5 que gera 224 cv, e o elétrico o do Omoda E5, de 204 cv. As calibrações podem mudar, porém. Terá, mais à frente, tecnologia flex.
Corassa afirmou que a expectativa é de lançamento no último trimestre, mas disse estar trabalhando para adiantar. Por esta razão nenhum pormenor técnico foi oficialmente divulgado pela empresa, nem suas dimensões. O carro, porém, estava disponível para ser visto e tocado e a reportagem pode conferir que o acabamento é menos refinado do que o do Omoda 5, com mais uso de plástico, mas ainda superior à média do encontrado nesta faixa de mercado no Brasil. A tela de 13,2 polegadas é o destaque do ambiente interno, que ainda traz o cockpit elevado comum de veículos produzidos na China.
Omoda 4
O visual chama a atenção: o carro foi muito disputado no Salão de Pequim, atraindo muitas pessoas ao estande do Grupo Chery.
Brasil no centro do plano estratégico da Omoda Jaecoo
Durante a apresentação de Shawn Xu a bandeira do Brasil foi exibida no topo, ao lado da do Reino Unido, destacando a importância do mercado para a operação. No Reino Unido a Omoda Jaecoo já é uma das Top 10 do mercado e o Jaecoo 7 é sucesso de vendas, líder dentre os modelos em março e segundo no acumulado do ano, atrás do Ford Puma.
Brasil no centro da estratégia
Segundo Corassa a ambição é a mesma no Brasil: “Nosso objetivo é estar no Top 10 do mercado nacional. A meta é vender 50 mil unidades, quem sabe um pouco mais, já em 2026”.
O volume ainda não contempla o Omoda 4, que chegará mais para o fim do ano, o que indica em metas ainda mais ousadas para 2027, o ano do 1 milhão. Em paralelo, a rede segue crescendo, de acordo com o vice-presidente: são 73 pontos de venda que, até o fim do semestre, deverá crescer a uma centena. “Até o fim do ano a meta é ter 90% de cobertura nacional, com 150 concessionárias”.
Corassa disse que os revendedores estão demandando bastante o Jaecoo 5, próximo lançamento da marca no País. Ele chegará na faixa dos R$ 155 mil com o mesmo conjunto do Omoda 5 e incomodará os SUVs do porte do Jeep Compass. “Agora passamos a ter aquele problema do sucesso da marca: brigamos por volumes com outros mercado”.
Roger Corassa, VP da Omoda Jaecoo Brasil
Para resolver a questão a fábrica no Brasil passa a ser mais do que fundamental. Corassa não confirmou a compra da unidade da JLR em Itaitaia, RJ, como foi noticiado pela imprensa brasileira, mas admitiu que existem negociações “muito bem encaminhadas”, sem citar o local. E reafirmou que a ideia é adqurir um local pronto, para agilizar o início da operação.
Mais adiante, segundo revelou o CEO Xu, sem fornecer pormenores, a Omoda Jaecoo planeja descer mais degraus e alcançar segmentos de maior volume. Estão no planejamento dois modelos menores, o Omoda 2 e o Jaecoo 3. O sarrafo devera subir mais uma vez.