GWM surpreende e oferece SUV off road apenas na configuração inédita PHEV Flex por R$ 342 mil
Baoding, China – A GWM antecipou seus planos e dois dias após o anúncio global no Auto China 2026 colocou à venda no mercado brasileiro o primeiro veículo do mundo com tecnologia híbrida de carregamento de energia externo e motor a combustão flex fuel. Já está disponível no site, e nas lojas, o Tank 300 PHEV Flex, por R$ 342 mil.
A reportagem da Agência AutoData rodou com o SUV, que consome gasolina ou etanol em qualquer proporção, na China, e o resultado é que o comportamento dinâmico não se altera. A grande novidade está na redução significativa das emissões ao escolher pelo etanol no tanque.
A expectativa era de que o Tank 300 PHEV Flex fosse lançado daqui mais alguns meses no Brasil. Mas com as homologações concluídas e a produção já em curso na fábrica de Baoding decidiu-se aproveitar da visibilidade mundial do maior salão do mundo para dizer que a GWM seria a primeira fabricante a oferecer uma solução híbrida que também consome biocombustível.
Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da companhia, observou que “a oportunidade estava em nossas mãos e nossa operação comercial trabalhou muito rápido para oferecer a linha 2026/27 do Tank, que agora só terá a configuração PHEV Flex”.
Outro fator que motivou a antecipação foi o sucesso de vendas do Tank 300, segundo André Leite, diretor de marca de produto, cujo estoque acabou: “Foram negociadas seiscentas unidades somente em janeiro, um volume que não esperávamos. Então não teríamos mais Tank 300 para entregar no País. A decisão de antecipar o projeto acabou, de certa forma, sendo algo mandatório para nosso plano de continuar crescendo”.
Desenvolvimento brasileiro
Na prática, além de pormenores estéticos como nomenclatura estampada na traseira do veículo em preto, assim como o acabamento do teto e na coluna também escurecidos, e a possibilidade de conexão wifi, outra novidade, o Tank 300 tem a mesma oferta completa de equipamentos de segurança e conforto disponíveis na versão anterior.
A maior qualidade do primeiro híbrido plug in flex do mundo, contudo, está visível na etiqueta do Inmetro estampada no vidro dianteiro: ele leva imensa vantagem com relação a todos os outros PHEV com motor a gasolina, pois rodando com etanol não há emissão de CO2 equivalente.
Mas há outra boa notícia, que é uma menor diferença no consumo de gasolina e de etanol. Ainda segundo a tabela do Inmetro o Tank 300, quando acionado seu modo híbrido, em que motor a combustão e o elétrico atuam em conjunto, o consumo é de 7,5 km/l, 5,4 km/l na cidade e de 7,6 km/l e 5,7 km/l na estrada, respectivamente abastecido com gasolina e etanol.
Há uma pequena diferença de consumo pelos dois combustíveis, algo um tanto diferente dos conhecidos e tradicionais motores flexfuel nacionais, cuja variação é um pouco maior. A justificativa é que o motor do Tank 300 não é do ciclo Otto, mas do ciclo Miller, cuja compressão efetiva e geométrica não precisam variar tanto para obter um bom desempenho com o biocombustível.
Guilherme Teles, diretor de produto, disse que “o desenvolvimento para tornar viável esta tecnologia demorou um ano e meio e contou com os engenheiros da GWM no Brasil, na China e da Bosch, a parceira contratada para aportar o conhecimento para fornecer parâmetros e dimensões dos equipamentos de controle do motor e aqueles que estarão em contato com o etanol”.
Ele contou que foi programada calibração específica para o etanol hidratado, incluindo algoritmos de reconhecimento da proporção de combustível no tanque e meios avançados de gerenciamento energético: “Trata-se de uma solução concebida para as condições reais do mercado brasileiro, que será uma referência global na integração da eletrificação com os biocombustíveis”.
Esta nova configuração do motor a combustão do ciclo Miller permitiu que o comportamento fosse o mesmo independente do combustível utilizado. O 2.0 turbo tem a mesma potência de 394 cv e 700 Nm de torque tanto com etanol quanto consumindo gasolina: “O gerenciamento da compressão é um dos segredos deste desempenho equilibrado e algo bem complexo que fizemos junto com a Bosch para este projeto”.
Também foram adotados itens específicos para a aplicação bicombustível: velas de ignição, injetores, filtro, bomba de alta e baixa e linha de combustível, além de sensores específicos para identificar a presença de etanol nos sistemas. A GWM, no entanto, não soube dizer se estes itens são produzidos no Brasil e enviados à fábrica de Baoding ou se serão adquiridos em fornecedores locais.
Vendas
O cliente que fez reserva do Tank 300 linha 2026/27 não sabia, mas receberá o primeiro híbrido plug in flex do mundo. O Tank 300 PHEV Flex teve o preço fixado em R$ 342 mil, R$ 3 mil a mais que a versão anterior.
Na Agrishow, que abre as portas em Ribeirão Preto, SP, na segunda-feira, 27, serão realizados os primeiros test drives. A reportagem teve a oportunidade de dirigir o modelo na China, em um ambiente controlado da pista de testes da GWM em Baoding, onde é produzido. Mesmo em um breve contato percebeu-se claramente que o Tank 300 não mudará seu comportamento rodando com etanol. Mesma potência e torque refletem um desempenho dinâmico interessante e já conhecido pelo consumidor brasileiro.
A grande vantagem, além da menor emissão, é a possibilidade de redução do IPI por causa da tecnologia que oferece melhor eficiência energética e forte descarbonização. Este é apenas um dos benefícios fiscais que esta tecnologia poderá ofertar, de acordo com Ricardo Bastos:
“Quando tivermos todas as regras do Mover publicadas haverá mais bônus que poderemos aplicar para produtos com a tecnologia híbrida plug in flexfuel, eventualmente se forem produzidos no País”.
O aumento de R$ 3 mil com relação a versão 2024 se deu, sobretudo, a fatores como inflação, logística de importação e a introdução da nova tecnologia: “Não repassamos a variação da taxa de importação que chega ao pico de 35% em alguns meses”.
Entretanto não está descartado um cálculo que incorporará o aumento do imposto de importação no preço enquanto o Tank 300 for importado: “Até que tomemos a decisão de produzir no Brasil, o que pode ocorrer no futuro, todas as variáveis precisam ser monitoradas e revisadas para colocar o produto com o preço correto”.